Cidades | Derrubada

Demolição do 'Balança, mas não cai' gera alívio

Prédio será demolido, a partir desta quinta-feira, por uma retroescavadeira; uma moradora disse que, antes da construção, no local existiu um depósito e residência
Nelson Melo / O Estado29/11/2019
Demolição do 'Balança, mas não cai' gera alívioApenas o primeiro andar do “Balança, mas não cai” resta ser demolido, com restroescavadeira (De Jesus / O ESTADO)

Foi encerrada a etapa manual da demolição do Santa Luzia, conhecido, popularmente, como “Balança, mas não cai”, prédio localizado na Rua 3 do bairro São Francisco, em São Luís. A operação de derrubada do edifício começou em setembro passado. Resta, agora, apenas o primeiro andar, que será desfeito com uma retroescavadeira. Com o processo quase concluído, os moradores da área disseram se sentir aliviados, pois havia o risco de que a estrutura desabasse a qualquer momento.

Para quem reside na Rua 3 e adjacências, a derrubada do “Balança, mas não cai”, que tinha sete andares, representa a exclusão de um problema que poderia afetar vários imóveis, entre casas, apartamentos e estabelecimentos comerciais. Os guardadores de carro que trabalham no local disseram que não era “lenda” que o prédio balançava. Segundo eles, até mesmo condutores que passavam pela rua temiam um desabamento.

“Já teve motorista que me falou que deixou de passar por aqui com medo de que o prédio caísse”, disse um dos flanelinhas. A moradora Teresa Cristina, que reside na Rua 3 há 50 anos, contou a O Estado que presenciou a construção do “Balança, mas não cai” no início da década de 1990, pela SL Construções e Incorporações Ltda, que abandonou a obra depois que a empresa decretou falência. Ela relembrou que no local havia dois terrenos. Um desses lotes pertencia ao tio dela.

Segundo a moradora, antes de erguerem o “Balança, mas não cai”, os dois terrenos abrigaram um depósito de material de construção e uma residência. Na casa, onde havia um poço, morava o tio dela. Depois, os dois pontos foram vendidos à empresa que levantou o Santa Luzia. “Tinha muita gente de bem que morava nele. Eu fiz algumas amizades com essas pessoas boas. Mas, com o tempo, entraram pessoas erradas”, recordou Teresa Cristina.

A moradora declarou que ficava com medo de que a estrutura desabasse quando chovia forte. “Essas pessoas boas que moravam no prédio me falavam que pingava dentro dos apartamentos. O ambiente ficava encharcado. Eu as aconselhava a saírem dali, porque o risco era grande”, disse ela.

Derrubada manual
A O Estado, Fábio Pereira, encarregado da obra, frisou que os trabalhos duraram três meses, somente com o uso de marteletes. A operação foi muito delicada devido à fama do edifício. Conforme ele, a parte mais difícil foi o último andar, onde havia uma piscina. “Enquanto trabalhávamos, em algumas vezes, o prédio balançou. Mas foi coisa rápida. Graças a Deus, concluímos tudo com êxito. No total, 10 pessoas da empresa participaram da derrubada manual”, comentou.

Segundo Fábio, os trabalhos foram realizados de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h30. Somente no primeiro andar, foram colocadas 150 escoras, pois a estrutura estava bastante desgastada, sobretudo os pilares de sustentação. “Nós fizemos o escoramento em todos os andares. Foi uma operação muito bem planejada e executada”, observou o encarregado da demolição.

Esta etapa foi feita de forma manual por conta dos riscos de um desabamento, caso fosse executada com máquinas. O local é cercado de residências, comércios e apartamentos.

Próxima etapa
Com a finalização da etapa manual, a próxima fase será a demolição com o uso de máquinas. De acordo com Fábio Pereira, nessa nova fase dos trabalhos, serão utilizados uma retroescavadeira, dois tratores e cinco caçambas. “Eu acho que todo esse serviço cai terminar em uma semana. A parte mais difícil já foi realizada, que foi essa braçal. Depois que tudo estiver no chão, os entulhos serão retirados pelas caçambas, para deixar o local limpo e pronto para ser utilizado para alguma finalidade”, analisou o trabalhador.

O prédio Santa Luzia começou a ser destruído no final de setembro, após intervenção da Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh).

O órgão isolou o imóvel e fixou uma placa, que contém informações sobre a demolição e remoção de resíduos do local. O prazo para o procedimento foi de 120 dias. O valor da obra é R$ 569.227,19 mil. O Município concluiu, após levantamentos e um estudo técnico, que o edifício só poderia ser derrubado de forma manual, para garantir a segurança dos moradores e de comerciantes.

Ações judiciais
Desde 1992, quando a estrutura de sete andares foi abandonada, ocorrem impasses para desocupação e demolição do prédio. Quando o processo licitatório para contração da empresa especializada na derrubada iria ocorrer, sempre surgiam novos obstáculos. A Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís moveu duas ações judiciais, nesse intervalo, para a retirada de ocupantes e derrubada do edifício. Em 1998, o Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio da Promotoria do Meio Ambiente, ingressou com uma ação civil pública exigindo que a Prefeitura demolisse, de uma vez por todas, o edifício.

O promotor de Justiça Luís Fernando Barreto Júnior, titular daquela Promotoria, estabeleceu multa diária de R$ 200 mil, caso o Município descumprisse a decisão. Contudo, a Prefeitura recorreu junto ao Tribunal de Justiça (TJMA) pedindo a incorporação do prédio à sua estrutura administrativa, com base em laudos do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Maranhão (Crea/MA). Mas a 3ª Vara da Fazenda Pública, por meio do juiz José Jorge Figueiredo dos Anjos, determinou, em 2008, a demolição do “Balança, mas não cai”.

Desocupação
Abandonado, o prédio foi invadido, aos poucos, por moradores de rua, usuários de drogas e até assaltantes. Cerca de 40 famílias começaram a morar irregularmente no edifício. Eram pessoas oriundas de vários locais da ilha. Em 10 de maio de 2017, o “Balança, mas não cai” foi desocupado durante uma ação coordenada pela Prefeitura de São Luís, em parceria com o Governo do Estado, em atendimento a uma decisão da Vara de Interesses Difusos e Coletivos.

Algumas famílias foram remanejadas para as casas de acolhida temporária mantidas pela Prefeitura no Vinhais e Centro, e outras apresentaram a documentação exigida para inscrição no “Minha Casa, Minha Vida”. Elas também foram inscritas no programa de Aluguel Social. Depois da desocupação, que foi realizada por equipes de vários órgãos, o edifício foi lacrado com alvenaria, para impedir a entrada de novas pessoas ou o retorno daquelas que haviam sido retiradas.

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