Evoluir para garantir a vaga

Habilidades emocionais contam no processo seletivo

Profissional deve aliar qualificação técnica e emocional; há necessidade de se ter um currículo que se enquadre ao perfil da vaga

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h22
Competências emocionais também são levadas em conta na hora da seleção para um emprego
Competências emocionais também são levadas em conta na hora da seleção para um emprego (carreiras)

A cada ano, o mercado de trabalho fica mais competitivo. Surgem novas especializações, novos pré-requisitos para preencher boas vagas. Mas há cinco, 10 anos, o cenário era de uma competição menos intensa, até porque as qualificações profissionais eram menos exigentes. Alexandro Henrique Correa Feitosa, psicólogo e analista de recursos humanos, mestre em Psicologia e especialista em Gestão de Pessoas, com 20 anos de atuação no mercado local, destaca que o maior problema na seleção de candidatos em processos seletivos é a falta de mão de obra em plenas condições de atender o perfil desenhado para uma determinada vaga.

“Acredito que esse é o novo/velho problema, sobretudo, se essa vaga exigir competências que tenham a ver com os aspectos relacionados à gestão. Por outro lado, como estamos vivendo em um momento ‘tecnológico’, digamos assim, as mudanças ocorrem muito rapidamente e exigem dos profissionais essa percepção. Portanto estar ‘antenado’ com a tecnologia e com o contexto das empresas digitais, por exemplo, é algo que vem se tornando cada vez mais importante no perfil dos candidatos o que, para nós, que trabalhamos com recrutamento e seleção, acaba se tornando um diferencial interessante a ser observado nesses candidatos”, destacou Feitosa.

Entretanto, uma coisa não mudou: a necessidade de se ter um currículo objetivo e que se enquadre perfeitamente no perfil da vaga do processo seletivo, o que os recrutadores chamam de currículo limpo.

Muitos profissionais que se candidatam em processos seletivos apresentam currículos defasados, com informações imprecisas e que não se enquadram na vaga. Outra situação muito comum são aqueles candidatos que tem uma qualificação acadêmica até satisfatória, mas falta a experiência profissional. Com isso, o nível de aproveitamento de currículo em uma seleção de processo específico chega à casa de apenas 33%.

Para a administradora de empresas Ralliane dos Santos Brandão, 36 anos, desempregada há 1 ano e dois meses, que já participou de oito processos seletivos nesse período, o currículo realmente é um dos calcanhares de aquiles para quem busca se recolocar no mercado.

“O currículo é a porta de entrada, sua carta magna! Como passei três anos em uma empresa e fui promovida, na época, não tive a preocupação em alimentar as informações referentes aos cargos. Quando me sentei para verificar e atualizar, percebi que devia revisar e estudar como melhorar a minha apresentação. Foi quando descobri um grupo chamado Conexões no Linkedin. É um grupo voluntário que ajuda pessoas fora do mercado promovendo ciclos com conteúdo: Currículo, Entrevistas, Finanças, Língua Portuguesa, Finanças, Sites de Emprego, Inglês e Planejamento e Networking. E ao final recebemos um reconhecimento de participação, após respondermos algumas perguntas. Foram eles que me ajudaram a melhorar tanto o meu currículo, quanto à forma de pensar. Enxergar uma oportunidade, melhorou minha autoestima, meu ânimo, neste momento”, enfatizou a administradora que continua participando de processos seletivos.

Um bom currículo com cursos, pós-graduação, MBA, intercâmbios e tudo mais que agrega valor ao profissional não é mais o suficiente no mercado de hoje. Não que competências técnicas não sejam avaliadas, porém se busca outro tipo de competências: as soft skills.

Soft skill
As Soft skills são as competências que enfatizam a personalidade e comportamento do profissional. Envolvem aptidões mentais, emocionais e sociais. Elas também estão relacionadas à forma de se relacionar e interagir com as pessoas e afetam os relacionamentos no ambiente corporativo e, por consequência, a produtividade da equipe. Além de serem difíceis de avaliar e não são adquiridas com capacitação técnica.

Para o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Maranhão (ABRH-MA), Edilson Lira, as competências emocionais sempre foram e continuam sendo avaliadas no processo de seleção. De acordo com o representante da ABRH, o tempo de permanência em grandes empresas como Google, Ifood, Uber dessa nova geração é de apenas 1 ano e 10 meses. “Hoje, os profissionais mais jovens da chamada geração Y tem uma grande dificuldade em saber lidar com frustações e como tem um currículo tecnicamente bom, acabam se desligando rápido das empresas. Sempre digo que não existe perfil inadequado, mas como profissional tenho que entregar para a empresa um candidato mais aderente ao que ela procura!”, destacou Edilson Lira, que trabalha com gestão de pessoas há 30 anos.

“No ambiente de trabalho as pessoas encontram-se diariamente em situações que exigem habilidades emocionais e para os selecionadores é um desafio identificar candidatos que tenham a autopercepção de suas habilidades emocionais. Além das competências técnicas, as empresas têm considerado o perfil comportamental como um importante critério a ser avaliado na contratação de um funcionário. As empresas contratam por competências técnicas e demitem por questões comportamentais, por isso os selecionadores têm investido na identificação das competências emocionais dos candidatos que determinam as atitudes relacionais das pessoas no ambiente de trabalho”, destaca a administradora, psicóloga e professora universitária que atua na área de gestão de pessoas, Rônia Rocha Batista.

O mercado de trabalho traz uma necessidade de se reinventar e se reestruturar. Surgem novos concorrentes, novas demandas e exigências. O currículo requer inclusão de novos conhecimentos e adaptação de funções. Na rotina de trabalho, inesperadamente, novas situações surgem e o colaborador, para se destacar, deve mostrar flexibilidade.

A geração mais jovem está mais preocupada com a formação acadêmica para o mercado de trabalho e não dá muita atenção a inteligência emocional. A maioria deles não está preparada para encarar o mercado de trabalho. Visto que, ao terminar o ensino médio, o que é cobrado dos jovens são as hard skills (habilidades técnicas). E na transição da adolescência para a vida adulta, os jovens encontram dificuldades em fortalecer a inteligência emocional.

As habilidades emocionais, ou comportamentais, vem sendo, pouco a pouco, disseminadas e compreendidas pelos candidatos. E mesmo assim, em algumas ocasiões, há empresas que acabam tendo que buscar candidatos em outros estados e isso, em não raras vezes, deve-se ao perfil técnico de uma determinada função – perfil esse que talvez não tenha sido possível encontrar no mercado local, por exemplo. Então, pode-se inferir que também ainda existe uma lacuna ”técnica” para algumas funções, sobretudo as que demandem conhecimentos, habilidades e competências atreladas ao tecnológico/digital”, enfatizou o psicólogo Feitosa.

Todavia, aspectos como pontualidade, assiduidade, resiliência, habilidade para conviver com pessoas e capacidade para “construir pontes” ainda são qualidades que as empresas buscam em seus empregados, por mais simples e óbvio que isso ainda possa parecer.

Pesquisa
Segundo a pesquisa global Capgemini Digital Transformations Institute de 2017, 60% das empresas estão em uma crise de soft skills entre seus funcionários. A pesquisa ainda revelou que a busca por profissionais com soft skills vem aumentando.

De acordo com essa pesquisa, os executivos das empresas buscam profissionais com foco no cliente, cooperação com a equipe e rotina de trabalho, paixão por aprender e habilidade organizacional, conhecimentos que o gestor precisa para compreender a complexidade da organização.

Além dessas características apresentadas na pesquisa, há outras habilidades que as organizações também buscam nos colaboradores, como a importância de uma boa comunicação, a colaboração, o relacionamento interpessoal, equilíbrio emocional, capacidade de trabalhar sob pressão e flexibilidade/adaptabilidade.

Mas além da inteligência emocional, as demais soft skills trarão foco, engajamento, motivação e produtividade. Por isso, é preciso que as gerações de profissionais se adaptem às novas exigências do mercado. Hoje soft skills já são bastante exigidas por empresas e, quanto mais modernas e desenvolvidas as organizações forem se tornando, mais os profissionais precisarão dessas competências não-técnicas.

“É significativo o número de candidatos que apresentam dificuldade de falar assuntos que não estejam relacionados ao técnico, ainda há uma supervalorização sobre as formações acadêmicas e as experiências profissionais, além desses requisitos, o profissional que as empresas buscam devem apresentar em seu discurso as habilidades emocionais em situações dentro do seu ambiente de trabalho que lhe favoreceram bons resultados. Uma das habilidades emocionais que vem se tornando imprescindível para os profissionais é a resiliência; os que desenvolveram essa habilidade apresentam um bom nível de desenvoltura para adaptar-se a mudanças, resistir as situações adversas e superar os obstáculos. Para que o candidato seja selecionado, ele deve apresentar o conhecimento necessário, as habilidades, as aptidões exigidas pelo cargo, os seus valores e princípios que devem estar em consonância com os da empresa que ele busca trabalhar. Além disso, o nível de interesse demonstrado sobre a vaga também se destaca no processo de avaliação”, diz Erika Patrícia Pereira Oliveira, psicóloga e analista de RH do Grupo Mateus, que seleciona de 20 a 30 profissionais por mês.

Recrutamento e seleção
Investir no capital humano é um grande diferencial para as empresas alcançarem bons resultados. Diante desse fator, realizar um recrutamento e seleção eficaz ajudará os gestores a encontrarem os colaboradores certos para cada vaga, que atendam às necessidades exigidas para o posto de trabalho.

Quando não se aplica bons critérios nessa etapa do processo de contratação, inúmeras falhas podem ocorrer e comprometer tanto a produtividade da empresa, quanto prejudicar o desenvolvimento da carreira de um profissional.

As empresas precisam dedicar a atenção necessária aos processos de recrutamento. Sobretudo com a missão de reduzir custos e aumentar as margens de lucro, é muito comum se deparar com empresas que optam por contratar candidatos menos experientes em vez de investir em um bom capital humano.

Para a analista de recrutamento e seleção do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), entidade do Sistema FIEMA, Isabelle Campelo que trabalha especificamente nessa área, em um bom recrutamento, aspectos importantes como produtividade, competências emocionais e competitividade são levados em consideração.

“É graças a esse processo que somos capazes de encontrar a pessoa certa, que reúne todos os atributos necessários para determinada vaga. Portanto, mesmo quando há urgência na contratação, é fundamental criar padrões e métodos. Isso ajudará a empresa a reduzir índices como os de absenteísmo, rotatividade de profissionais, entre outros problemas. Contratar empresas especializadas ou adotar ferramentas voltadas para a gestão de pessoas, é uma ótima alternativa para otimizar processos seletivos e torná-los mais dinâmicos.”, destacou a analista do IEL.

Quando falamos em recrutamento, essa é a prática que vai até o mercado de trabalho a procura de profissionais com alta qualificação e potencial para que uma vaga em aberto seja ocupada dentro de um processo.

Embora existam diversas maneiras de simplificar o recrutamento, alguns casos exigem um pouco mais de atenção, como as vagas muito específicas ou que requerem um alto índice de qualificação profissional.

Para esses cenários, uma boa alternativa é encontrar um especialista em recrutamento e seleção. Pode ser desde uma empresa terceirizada ou até mesmo rastrear em sua equipe um colaborador que tenha as qualificações necessárias para encabeçar um processo como esse.

Para recrutar de maneira correta, é fundamental que o gestor conheça bem a empresa, o perfil da vaga, quais as qualificações necessárias, os traços comportamentais exigidos para ocupar determinado cargo.

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