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Após mortes e protesto, mureta será erguida na lateral de avenida

Além da construção, a SMTT também fará mudanças na configuração geométrica da via, perto da Casa da Mulher Brasileira; na manhã de ontem, moradores do Jaracati interditaram o acesso à Ponte Bandeira Tribuzzi
Ismael Araújo e Nelson Melo / O Estado11/09/2019
Por causa do protesto, trânsito ficou caótico em avenidas

Como resultado de uma reunião com uma comissão de moradores do bairro Jaracati, em São Luís, na tarde de ontem, 10, na sede da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), ficou acordado que uma mureta será construída na lateral direita da Avenida Professor Carlos Cu­nha, sentido bairro/Centro, naquela região. A decisão ocorreu depois que moradores da área fizeram um protesto, no período da manhã, em reação ao acidente que resultou na morte de quatro pessoas no último fim de sema­na.

Segundo a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes, além da construção da mureta, ficou decidido, na reunião com os moradores, que serão colocados agentes de trânsito para orientar o fluxo de veículos na referida avenida. E, também, serão feitas mudanças na configuração geométrica da via, nas proximidades da Casa da Mulher Brasileira. Outra providência diz respeito à intensificação das ações educativas na área, bem como na sinalização.

“A SMTT ressalta que, recentemente, foi realizada revitalização da sinalização horizontal e vertical da Avenida Carlos Cunha e entorno da ponte Bandeira Tribuzzi, inclusive com instalação de novas placas indicativas, educativas e de advertência, para promover um trânsito mais seguro”, diz a Secretaria em nota.

Lei Seca
Procurado, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran/MA) informou que realiza atividades de conscientizar a população so­bre a sua responsabilidade no trânsito, com foco na redução de acidentes e valorização da vida de motoristas, passageiros e pedestres. “Ao longo do ano, são realizados os projetos ‘Direção Certa, mais que um Papo de Bar’, ‘Detran Volante’, ‘Detran vai à Escola’, ‘Condutores do Amanhã’, ‘Conhecendo o Detran’, ‘Férias em Trânsito’, ‘Projeto Humanizar’, entre outros”, frisou o órgão.

Conforme o Departamento, o órgão realiza ações educativas e fiscalizatórias juntamente com o Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPRv), com foco na Lei Seca, com abordagens a alertas quanto aos riscos de acidentes causados pela mistura de álcool e direção.

Álcool e direção
O Detran/MA salientou que a mistura de álcool e direção, uso de celular ao volante e o excesso de velocidade são as principais causas de acidentes com vítimas no trânsito. “Para isso, o Detran-MA promove, também, os projetos “Se Liga na Via” e “Direção Certa mais que um papo de bar”, com foco na Lei Seca, visando conscientizar à população sobre o uso de bebidas alcóolicas e convidando para fazer o teste do etilômetro, com caráter educativo. Na ocasião, são distribuídos materiais informativos com dicas de segurança no trânsito e sobre a Lei Seca”, informou o órgão.

Trânsito ficou complicado durante parte da manhã

O acidente
No fim de semana, aconteceu um trágico acidente no Jaracati. O fato ocorreu na entrada da Avenida Professor Carlos Cunha. Um veículo Corolla, de placa PMG-5258, que era conduzido por Víctor Yan Barros de Araújo, de 25 anos, caiu da cabeceira da Ponte Bandeira Tribuzi, atingindo pessoas que comemoravam o aniversário de uma criança. Quatro pessoas morreram e outras cinco saíram feridas.

De acordo com informações do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), Víctor Yan, que apresentava sinais de embriaguez, perdeu o controle da direção. O veículo saiu da pista e caiu em uma área residencial. O carro ficou destruído no acidente. Maurício Andrey Soares, que estava no banco do carona, morreu no local. Equipes do Corpo de Bombeiros Militar (CBM) e da Polícia Militar estiveram no local.

Além de Maurício Andrey, morreram Henrique Martins Durans Neto, Carla Correa Diniz e Tiana Naid Alves Correa. As duas eram primas. Tiana ainda foi levada ao Hospital Municipal Djalma Marques (Socorrão 1), mas não resistiu pouco depois. Os feridos foram identificados como Petrolina Pereira, 41; Dione Lopes Machado, 28; Temar, marido de Carla Correa, que era agente penitenciária; Giuliana Tereza Tribuzzi Neves, 26; Sami Tavares, 25; e Walter da Hora Diniz, 22. Eles foram levados ao Socorrão 1 e também ao Hospital Municipal Doutor Clementino Moura (Socorrão 2).

O condutor do Corolla foi pre­so e autuado em flagrante no Plantão Central das Cajazeiras. Ele sofreu apenas escoriações leves. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também esteve no local. Todas as vítimas já foram sepultadas.

Manifestação
O trânsito nas principais das vias de São Luís, inclusive, na área do Centro, parou por mais de três horas no período da manhã de terça-feira, 10, por causa do protesto realizado pelos moradores do bairro Jaracati. Os manifestantes interditaram a ponte Bandeira Tribuzi, reivindicando melhorias no trânsito e segurança naquela localidade, principalmen­te após o acidente de trânsito, ocorrido na madrugada do último domingo, que resultou na morte de quatro pessoas e deixou cinco feridos graves. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) mostram que 55 pessoas já perderam a vida em acidentes desta natureza este ano. Uma média de seis mortes por mês.

Os moradores da área se deslocaram até a Avenida Carlos Cunha, por volta das 6h, e primeiramente interditaram o aces­so no sentido Jaracati/Camboa, nas proximidades da Casa da Mulher Brasileira. Eles colocaram galhos de árvores, pneus, móveis velhos e ainda formaram um pa­redão humano, com faixas e cartazes. Ônibus, carros e motocicletas ficaram impedidos de trafegarem. Um motociclista, não identificado, ainda tentou passar pela barreira, mas foi impedido. Muitos veículos, para continuarem a viagem tiveram que pegar a contramão.

O clima de tensão aumentou no local quando os manifestantes resolveram interditar a cabeceira da Ponte Bandeira Tribuzi. As vias foram fechadas e se formou rapidamente um longo congestionamento, principalmente, no sentido Camboa/Jaracati, com veículos parados ao longo da ponte e avenida.

Policiais militares e agentes da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) foram acionados e tentaram amenizar o transtorno. Uma das manifestan­tes, Rafaela Martins, disse que a comunidade almeja mais segurança e um trânsito menos violento na localidade.
Outra moradora, Ana Maria Abreu, afirmou que as autoridades públicas devem colocar semáforo funcionando 24 horas, uma faixa de pedestre e até mes­mo uma passarela nesse trecho da avenida. “As nossas crianças andam por esse local e atravessam diariamente essa via”, desabafou a manifestante.

Wundeson Alves Pereira também participou da manifestação. Ele, em companhia do filho, Wdysson Ruan Silva Pereira, de 1 ano, foram atropelados por um veículo vermelho, de marca e placas não identificadas, no dia 17 de março deste ano, quando tentavam atravessar a Avenida Carlos Cunha. A criança morreu três dias após o acidente. “Quero justiça e um trânsito mais seguro no meu bairro, pois, ainda sinto a dor da perda do meu filho”, lamentou-se.

Vias liberadas
Os manifestantes somente liberaram a via por volta das 9h30 e com a presença da Polícia Militar. Um dos organizadores do protesto, identificado como Paulo Sérgio Correa, disse que apenas resolveram terminar o movimen­to porque o secretário da SMTT, Canindé Barros, afirmou que receberia os manifestantes para resolver o problema do trânsito, assim como o secretário de Segurança Pública, delegado Jefferson Portela. Outra manifestante, Isabel Alves, afirmou que caso as autoridades públicas não resolvam os problemas serão realizados novos protestos e mais intensos. “A comunidade vai participar dessa reunião, mas caso as nossas reivindicações não se­jam resolvidas, então, voltaremos a fechar a avenida”, afirmou.

Situação ficou caótica no trânsito de São Luís

Trânsito caótico
O trânsito da capital ficou um caos. Muitos transtornos e congestionamentos se formaram em vários pontos da cidade. Os passageiros dos coletivos, que ficaram parados ao longo da ponte Bandeira Tribuzi, resolveram descer do veículo e se deslocarem a pé ao seu destino. Um delas foi Maria Aparecida Silva, de 45 anos.

Ela disse que tinha uma consulta marcada para 8h30 em uma clínica, localizada no Jaracati. “Não posso perder a minha consulta, que está marcada há um duas semanas, então, desci do ônibus para ir andando”, declarou Maria Aparecida Silva.
Cláudio Barros, de 36 anos, foi outro passageiro que resolveu descer do ônibus na ponte. “Não posso chegar atrasado ao serviço. Então, vou mesmo andando para não ter o meu ponto prejudicado”, explicou.

O cenário de caos no trânsito também estava instalado nas duas vias da Avenida Camboa. Carros particulares e outros veículos parados. Na Avenida Beira-Mar, também era possível encontrar vários veículos parados. “Vim pela Beira-Mar para livrar do engarrafamento, mas o trânsito também está parado”, disse o analista de computação Maurício Almeida, de 38 anos.

Também havia congestionamento no centro da capital e nas avenidas Ferreira Gullar, Ana Jansen, Marechal Castelo Branco e nas vias dos bairros Cohafuma e Ipase. Agentes da SMTT foram deslocados para essas áreas, mas o trânsito somente voltou a fluir normal no fim da manhã.

NÚMERO

5 pessoas já perderam a vida em acidente de trânsito este ano, no Jaracati

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