Alternativo | Estreia no cinema

Inversão de papeis marca longa-metragem brasileiro "A Sombra do Pai"

Longa protagonizado por Julio Machado e Nina Medeiros será exibido em 21 cidades brasileiras incluindo São Luís; estreia será nesta quinta-feira (16)
15/05/2019 às 11h41
Inversão de papeis marca longa-metragem brasileiro "A Sombra do Pai""A Sombra do Pai" é o segundo longa-metragem de Gabriela Amaral Almeida (Divulgação)

“A Sombra do Pai”, escrito e dirigido por Gabriela Amaral Almeida ("O Animal Cordial"), que aborda a complexa inversão de papeis entre um pai e uma filha, teve estreia mundial no 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, onde levou três prêmios, e foi selecionado para o Festival de Cinema de Tóquio de 2018. Nesta quinta-feira (16), a produção estreia em São Luís no CINÉPOLIS (São Luís Shopping), com sessões às 20h na sala 6.

Grabriela Amaral Almeida trabalha neste roteiro, que seria seu primeiro filme, há anos. “‘'A Sombra do Pai' caminhou lado a lado às minhas descobertas como artista. Acompanhou meus curtas e os roteiros que escrevi para outros diretores. É um texto que reflete este caminho, de forma intuitiva, e que está muito próximo de minha autodescoberta como escritora e diretora. É um filme especial e bastante íntimo”, explica a cineasta.

Protagonizado por Julio Machado (Joaquim) e Nina Medeiros (As Boas Maneiras), “A Sombra do Pai” conta a história de Dalva, uma menina de nove anos às voltas com o silêncio do pai, o pedreiro Jorge (Machado), que fica mais triste após perder o melhor amigo em um acidente. A irmã de Jorge, Cristina (Luciana Paes, de O Animal Cordial), administrava a vida de pai e filha desde a morte da mãe da menina, há três anos. Quando Cristina deixa a casa do irmão para se casar, Jorge e Dalva precisam enfrentar a distância que os separa.

Fã de filmes de terror, Dalva acredita ter poderes sobrenaturais e ser capaz de trazer a mãe de volta à vida. À medida que Jorge se torna cada vez mais ausente – e eventualmente perigoso –, resta a Dalva a esperança de que sim, sua mãe há de voltar.

A diretora comenta a representatividade do personagem de Machado: “O personagem Jorge é o lixo tóxico de um sociedade hiper-capitalista e cruel. Ele é vítima e algoz de quem lhe é imediatamente mais fraco - no caso, a filha. É também o subproduto de nossa sociedade patriarcal. O arquétipo do homem forte, viril, apolíneo - mas que, por dentro, está desmoronando pelo simples fato de não saber amar, cuidar, chorar, pedir ajuda, ou seja, por não saber fazer absolutamente nada que o coloque numa suposta condição de ‘fragilidade’. O monte de músculos e força que ele aparenta ser contrasta com a pilha de medos, angústias e incertezas que ele realmente é”.

“A Sombra do Pai” aborda as consequências da inversão de papéis entre um pai e uma filha, que enfrentam uma situação de exceção, por meio de uma narração realista, com toques de horror e fantasia, marcas registradas da diretora. A fantasia permeia todos os trabalhos de Gabriela, que a utiliza como “materialização dos dramas internos dos personagens”. Para ela, este é “um signo do que os personagens sentem e, na maior parte das vezes, não conseguem expressar - eles sequer são conscientes desses dramas. O monstro surge porque nos recusamos a enfrentá-lo quando ele ainda é uma larva. Ele cresce e se torna maior que nossa própria consciência. É este o mecanismo que me interessa na construção do fantástico, do horror, do terror e derivados”.

Para a escolha dos atores, a diretora contou com o apoio da produtora de elenco Alice Wolferson e do preparador de elenco Tomás Decina. “Testamos mais de 300 crianças para chegarmos à Nina Medeiros e à Clara Moura, que chamaram nossa atenção pela energia concentrada durante as improvisações”, lembra Gabriela. “Julio Machado também foi uma indicação da Alice e me ganhou no primeiro encontro. Já Luciana Paes é minha parceira de anos; a personagem Cristina foi escrita para ela”, completa.

“A Sombra do Pai” é uma produção da Acere, em coprodução com a RT Features e tem distribuição no Brasil da Pandora Filmes.

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