Poluição

Praias da Grande São Luís continuam 100% impróprias para o banho

Resultados de laudos semanais apresentam impropriedade desde 20 de dezembro do ano passado; documento divulgado na quinta (9) aponta que os 21 pontos continuam impróprios

IGOR LINHARES / O ESTADO

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h25
Mãe e filho brincam na areia em trecho da praia de São Marcos, onde laudo indica praia imprópria para banho
Mãe e filho brincam na areia em trecho da praia de São Marcos, onde laudo indica praia imprópria para banho (praia impropria - mãe e filho na praia)

SÃO LUÍS – Um dos principais cartões-postais e destinos de lazer da maioria da população de São Luís continua sendo sua quilométrica faixa litorânea, muito embora toda sua extensão esteja sinalizada com placas que indicam impropriedade para banho, o que vem sendo registrado desde dezembro do ano passado. Durante este domingo, por exemplo, em que a praia foi o local escolhido por muitas famílias para comemorar o Dia das Mães, a movimentação foi intensa em toda a orla da capital, que vem apresentando sucessivos resultados negativos, mas que, nem assim, tem afastado banhistas, cenário que desenha grave problema de saúde pública.

Há cerca de dois meses, O Estado veiculou uma reportagem que evidenciava um período de 89 dias consecutivos de impropriedade nas praias de São Luís e Região Metropolitana. Passado esse tempo, por mais uma vez, os laudos foram analisados e mostraram, novamente, o mesmo resultado negativo e um total de 146 dias seguidos de impropriedade, desde 20 de dezembro do ano passado.

De acordo com laudo de balneabilidade divulgado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema), na última quinta-feira (9), todos os 21 pontos mapeados na Grande São Luís continuavam impróprios para o banho, fato que se deve à discrepante quantidade de coliformes fecais e bactérias presentes na água do mar e que caminha ao encontro de como tem sido feito o tratamento de esgoto em São Luís e Região Metropolitana.

Na capital, ainda que nos últimos posicionamentos à imprensa a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) tenha afirmado cumprir com sua demanda, é cada vez mais degradante o nível de poluição, que pode ser percebido na cor e cheiro da água. Assim, o ambiente tem se tornado um dos mais poluídos e que vem sofrendo, de forma mais intensa, as agressões do homem à natureza, tornando-se, com o passar dos dias, um imenso esgoto a céu aberto, que levará anos para se regenerar - apesar de sua capacidade, naturalmente.

Durante este período chuvoso, a explicação é a de que a lavagem das vias públicas tem carreado impurezas para a água, justificável conforme explicou o consultor ambiental Márcio Vaz. “Durante a [fase] chuvosa, as praias tendem a ficar impróprias devido as chuvas carregarem toda a poluição oriunda de depósitos de lixo nas ruas, áreas da cidade que não possuem saneamento, por causa da urbanização informal, e lançarem estes resíduos no mar. Outro fator refere-se à drenagem. São Luís tem um problema de possuir muitos pontos de esgoto lançados irregularmente em drenagens de chuva, nas galerias pluviais. Então, quando chove, a água da chuva leva, também, esses dejetos para as praias”.

Ainda de acordo com o consultor ambiental, as condições de balneabilidade devem ser levadas a sério devido aos riscos à saúde. “[A impropriedade da água do mar] é um indicador de risco à saúde humana, isto é importante deixar claro. Então, a questão de uma contaminação indicada pelas bactérias que são monitoradas na água diz que esse recurso tem um potencial de risco para pessoas que entrarem em contato com essa água. Pessoas de grupos de risco, como crianças e idosos, apresentam maior probabilidade de contaminação, visto que, tendo um organismo mais exposto e frágil, podem contrair doenças ao entrar em contato com este ambiente”, ressaltou.

Balneabilidade
A classificação da balneabilidade é a indicação da qualidade das águas destinadas à recreação de contato direto e prolongado, como natação, mergulho e lazer. É realizada por meio da coleta de amostras de águas e análise laboratorial para a avaliação de indicadores coliformes termotolerantes.

Como são feitos os testes
Os testes de balneabilidade são simples e são feitos por amostragens. Biólogos retiram do mar amostras da água em diferentes pontos da praia e em diferentes profundidades. Estas amostras são levadas para os laboratórios especializados, onde são feitas as contagens de bactérias fecais presentes nas amostras - que não pode ser superior a 100 enterococcus (gênero de bactéria) por 100 ml - e, então, é determinado se a praia está apropriada ou não para o banho.
Porém, este resultado não é obtido somente por uma medição. São apurados os resultados de cinco medições realizadas durante uma semana para obter o laudo. Se em duas destas medições o número de bactérias for maior que o determinado como seguro, a praia é considerada imprópria para banho. l

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SAIBA MAIS

Doenças mais comum transmitida pelo mar poluído

As mais comuns são as gastroenterites, que podem ser causadas por bactérias ou protozoários, como as amebas, ou por vírus, como o rotavírus e o norovírus. Esses micro-organismos entram no corpo em contato com a água contaminada e pode desencadear vômito, diarreia, cólicas, febre e até sangue nas fezes.

Praias impróprias

Praia da Ponta d’Areia

Praia de São Marcos

Praia do Calhau

Praia do Olho d’Água

Praia do Meio

Praia do Araçagi

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