Descaso

Remédio para lúpus tem entrega suspensa pelo Governo do Estado

Pacientes estão sem receber os remédios desde o mês de janeiro na Farmácia de Medicamentos Especializados (Feme); governo afirma que nova licitação para compra está em andamento

Emmanuel Menezes / O Estado

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h25
Paula Bruzaca não está recebendo a medicação para Lúpus e já entrou com ação no Ministério Público
Paula Bruzaca não está recebendo a medicação para Lúpus e já entrou com ação no Ministério Público (Paula Bruzaca)

A falta de medicamentos para o tratamento de lúpus foi denunciada por pessoas com a doença, que deixaram de receber a medicação na Farmácia Estadual de Medicamentos Especializados (Feme), do Governo do Estado, desde janeiro deste ano. A administradora Paula Bruzaca, que tem a doença e era uma das pessoas beneficiadas com o repasse do medicamento pelo governo, contou para O Estado sobre a frustração de ter o seu tratamento interrompido.

“No início do ano eles pararam de entregar o medicamento. Desde então, já fui na Feme, na Secretaria Estadual de Saúde (SES), já fiz uma manifestação no Ministério Publico, e ainda não consegui nenhuma resposta concreta”, diz a mulher. O medicamento em questão tem o nome comercial de Benlysta. A dose mensal do remédio chega a custar R$ 3 mil.

Paula Bruzaca teve sua petição aceita em agosto do ano passado. O tratamento dá direito ao paciente receber 15 doses no período de um ano. São três doses de Benlysta no primeiro mês, e mais dose ao longo dos demais meses, sendo possível a renovação. “Todas as pessoas que recebem o remédio estão recebendo respostas diferentes na Feme. Para mim, falaram que estão em fase de compra, para outra amiga eles falaram que a entrega foi suspensa. Ninguém sabe o que é real”, conta Paula Bruzaca.

A doença inflamatória autoimune pode afetar múltiplos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins e cérebro, além de diversos sistemas. A administradora ressalta que o sentimento de frustração sentido por ela e demais colegas acaba afetando na qualidade de vida. “Nós somos pessoas que procuramos esse tratamento para conseguirmos trabalhar com força, cuidar de nossas casas, de nossos filhos. Sem esse suporte, nossa vida fica comprometida, e voltamos as dores, aos problemas psicológicos e demais enfermos”, lamenta.

O Estado entrou em contato com o Governo do Estado, que, por meio de nota, informou que uma nova licitação para compra da medicação está em andamento. Com a conclusão do processo, os pacientes podem receber a medicação em até 30 dias.

Sobre o lúpus
Como já dito, o lúpus é uma doença inflamatória autoimune, que pode afetar múltiplos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins e cérebro. Em casos mais graves, se não tratada adequadamente, pode matar.

Dentre as mais de 80 doenças autoimunes conhecidas atualmente, o lúpus é uma das mais graves e importantes. Por isso, assim que surgirem os primeiros sintomas, procure atendimento médico especializado imediatamente.

Não se sabe ao certo que causa o Lúpus, tendo em vista que o sistema imunológico atacar e destruir tecidos saudáveis do próprio corpo é um comportamento anormal do organismo.

SAIBA MAIS

A doença pode ser manifestar de quatro formas diferentes, sendo as duas principais:

– Lúpus Discoide: esse tipo de lúpus fica limitado à pele da pessoa. Pode ser identificado com o surgimento de lesões avermelhadas com tamanhos, formatos e colorações específicas na pele, especialmente no rosto, na nuca e/ou no coro cabeludo.

– Lúpus Sistêmico: esse tipo de lúpus é o mais comum e pode ser leve ou grave, conforme cada situação. Nessa forma da doença, a inflamação acontece em todo o organismo da pessoa, o que compromete vários órgãos ou sistemas, além da pele, como rins, coração, pulmões, sangue e articulações.

Quais são os fatores de risco para lúpus?
O lúpus não é uma doença comum e que tenha fatores de risco pré-determinados, uma vez que pode se manifestar em pessoas de qualquer idade, raça e sexo. No entanto, existem algumas situações que podem facilitar, de alguma forma, a incidência de lúpus.

– Gênero: a doença é mais comum em mulheres do que em homens, mas pode se manifestar em ambos os sexos.

– Idade: a maior parte dos diagnósticos de lúpus acontece entre os 15 e os 40 anos, mas pode surgir em qualquer faixa etária.

– Etnia: lúpus é mais comum em pessoas afro-americanas, hispânicas e asiáticas. Além disso, a incidência do lúpus chega a ser três a quatro vezes maior em mulheres negras do que em mulheres brancas.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais Twitter, Instagram e TikTok e curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.