Cidades | Tragédia

Condomínio alagado contabiliza prejuízos com chuva

Foram quase 50 carros com problemas técnicos; 32 famílias sofreram algum tipo de dano material
Emmanuel Menezes / O Estado27/03/2019
Condomínio alagado contabiliza prejuízos com chuvaApartamento, no térreo, ficou inundado e móveis foram danificados (De Jesus / O ESTADO)

Moradores do Condomínio Novo Anil, localizado na Rua Estevão Braga, bairro Cohab Anil IV, em São Luís, denunciaram a falta de suporte da construtora após os estragos causados pelas chuvas do último fim de semana. Durante a tempestade, o local se tornou uma piscina, deixando quase 50 carros parcialmente submersos. A água atingiu um metro de altura.

“Desde o domingo (24) estamos vivendo um pesadelo. O pior de tudo é pedir a ajuda da empresa responsável pela construção e não obter uma resposta”, diz Raynara Calvet, síndica do condomínio. A mulher mostrou a O Estado os prejuízos contabilizados após a chuva. A água ocupou toda a área externa do condomínio e do piso térreo dos sete prédios, inundando corredores, elevadores, escadas de emergência e 35 apartamentos. Os halls e corredores dos prédios ainda estão parcialmente alagados e cheios de lama.

“Exigimos uma resposta sobre como os danos serão reparados e como seremos ressarcidos. Muitos carros tiveram perda total e muitas famílias perderam toda a mobília”, explica. De algum modo, todos os moradores dos 32 apartamentos ocupados, tiveram algum dano material. Outro ponto questionado pelos moradores é a falta de segurança da rede elétrica e de tubulação de gás, que também ficou alagada. Os elevadores dos sete prédios estão interditados, pois o poço está alagado e, em caso de pane elétrica, os moradores podem ficar presos e ir a óbito por afogamento.

Momentos de terror
A família de Ronaldo Marcelo passou por momentos de terror, durante o temporal. Segundo ele, a água que invadiu seu apartamento tinha tanta força que ele e sua família não conseguiam sair do apartamento. “Quase ao amanhecer o Corpo de Bombeiros chegou para nos resgatar. Eles passaram pela varanda e tiveram de quebrar a porta de vidro para conseguirmos sair”, diz.

Os danos materiais são mais um problema que a família vai enfrentar. O prejuízo com os móveis é estimado em R$ 35 mil. “Fizemos um investimento caro nesta casa, nos nossos móveis. Tudo para dar um conforto à família, e agora a empresa, que nos deve respostas e ajuda, fica em silêncio?”, questiona Marcelo.

Processo
Os moradores do condomínio se mobilizaram para iniciar um processo contra a construtora e já tiveram reuniões com um deputado e um advogado específico da área.

“Nós investimos e nós somos clientes. Nós não estamos pedindo favor a nenhuma empresa. Eles estão mais do que nos devendo nesse exato momento”, diz Raynara Calvet, em tom de indignação.

Segundo o direito civil, o crime de danos materiais constituem prejuízos ou perdas que atingem o patrimônio corpóreo de alguém. Nos termos do artigo 402 do Código Civil, os danos materiais identificados no caso do Condomínio Novo Anil podem ser subclassificados em danos emergentes – aqueles que efetivamente se perdeu.

SAIBA MAIS

Mais chuvas

Os moradores questionam, ainda, sobre a estrutura do condomínio. As chuvas devem prosseguir e a expectativa é de aumento no mês de abril. Entre 9h do sábado (23) e 9h do domingo (24), choveu 236,2 milímetros, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), correspondendo a 51% da média de chuva esperada para o mês de março, que é de 462 milímetros. O esperado para o mês de abril é 476 milímetros, mas se as tempestades prosseguirem na intensidade vista desde novembro de 2019, esse número será ultrapassado.

Março mais chuvoso desde 1971

São Luís teve bastante chuva em fevereiro, quase 437 milímetros, isto é, 36% acima da média. A chuva de março vem sendo regular desde o início do mês, com muitos temporais. Mas, depois da tempestade do primeiro fim de semana do outono, o total de chuva de março subiu para 627,6 milímetros, que também já está 36% acima da média de precipitação normal para março que é de 462 milímetros.

Mesmo para São Luís, onde chove muito nesta época do ano, estes quase 630 milímetros em 24 dias podem ser considerados excepcionais e não acontecem com frequência. Março de 2019 já é o sétimo mais chuvoso na capital do Maranhão desde 1971.

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