QUEIMADAS

Maranhão já tem mais de 14 mil focos de queimadas

Dados do INPE apontam o estado como o 2º em registros na primeira quinzena de novembro

MONALISA BENAVENUTO / O ESTADO

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h28
Durante a semana, bombeiros apagaram foco de incêndio em duna
Durante a semana, bombeiros apagaram foco de incêndio em duna (incêndio)

De 1º a 15 de novembro deste ano, houve registro de 14.673 focos de queimadas somente em municípios maranhenses, colocando o estado em segundo lugar no ranking brasileiro, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe). Apesar de apresentar queda de 55% em relação ao mesmo período de 2017, quando 26.656 casos foram identificados, o número é considerado preocupante. Entre os registros, 9% refere-se a Unidades de Conservação Estaduais.

O mês de novembro representa um período de estiagem ao longo do território maranhense. Com o tempo seco, focos de queimadas acabam tornando-se um dos maiores perigos para a população e ainda para flora e fauna local. Apenas durante a primeira quinzena de novembro, os casos já superam a média nacional, deixando o Maranhão atrás somente do estado do Pará, que registrou 37.645 ocorrências do tipo.

Entre os municípios maranhenses, Santa Luzia possui o maior número de casos entre os dias 1º e 15 de novembro, com 945 focos. O menor índice foi registrado no município de Presidente Vargas, localizado na microrregião de Itapecuru Mirim, ao norte do estado, com apenas um caso no decorrer da primeira quinzena de novembro. Na capital, seis focos de queimadas foram identificados.

Em reportagem publicada por O Estado em 13 de novembro, o CBMMA informou que os bairros do Calhau e Turu são os que mais registram números de queimadas em São Luís durante o período de estiagem. De acordo com o capitão Lisboa, subchefe da sessão de comunicação do CBMMA, vários pontos favorecem para o registro de queimadas nesta época do ano: a estiagem e as ações humanas.

Caso recente
Na capital maranhense, o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA) registrou ontem (12), um foco de queimada em uma parte da vegetação presente nas dunas da Avenida Litorânea, na orla de São Luís. O fato ocorreu próximo ao Parquinho da Litorânea.

Às margens da avenida, bombeiros controlaram as chamas que se espalhavam e resistiam, devido a intensa brisa, com auxílio de abafadores - equipamento utilizado pelos bombeiros para combater focos na mata. Cercada por residências e demais condomínios, o Corpo de Bombeiros recebeu diversos chamados. A principal reclamação foi da fumaça, que logo tomou conta da área por causa das rajadas de vento mais intensas.

Prevenção
A dificuldade de combate explica-se pelo fato de que o comportamento do fogo é um processo bastante complexo e muito variável, de acordo com as condições locais no momento do incêndio. Essas podem ser alteradas rapidamente, mudando também as características do incêndio e a forma de combate. Fatores como vento, umidade do ar, topografia e altitude
interferem bastante.

“Quando discutimos sobre controle de incêndios florestais, o trabalho mais importante é a prevenção. Se, a partir de um eficiente programa de prevenção, a ocorrência de incêndios pudesse ser totalmente controlada, os custos tanto econômicos, quanto ecológicos e sociais, seriam evitados”,afirma o professor Dr. Guido Assunção Ribeiro, do curso Formação e Treinamento de Brigada de Incêndio Florestal, elaborado pelo CPT - Centro de Produções Técnicas.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) informou que está incrementando as ações efetivas de prevenção e controle a queimadas, além de atividades de conscientização da população. Entre as iniciativas da Sema com o objetivo de diminuir o número de focos de queimadas no Maranhão estão a ampliação das fiscalizações nas unidades de conservação e as reuniões e capacitações com secretários e técnicos de Meio Ambiente dos municípios com maiores índices de queimadas.

Estão sendo realizadas, também, ações de sensibilização e educação ambiental, além da capacitação de agricultores familiares em técnicas alternativas ao uso do fogo e o desenvolvimento do Plano Estadual de Combate a Incêndio.

A Sema também faz orientações junto aos municípios habilitados, com o intuito de fazerem o trabalho de sensoriamento remoto, monitoramento de queimadas, desmatamento, identificação de possíveis impactos em áreas de preservação permanente, entre outras ações. Técnicos da Secretaria vão a campo, frequentemente, realizando a verificação dos focos para o desenvolvimento de soluções e operações no combate às queimadas.

Por sua vez, o CBMMA informa que neste período de estiagem, os fortes ventos, as altas temperaturas e a baixa umidade relativa do ar contribuem para a propagação de focos de incêndio.

Números

375.456 focos de queimadas foram registrados em 2017 no Maranhão
320.310 focos foram registrados entre 1º de janeiro e 16 de novembro de 2018
17ª é a atual posição do Maranhão no ranking nacional
14.673 focos de queimadas foram registradas apenas na primeira quinzena de novembro no estado
46 focos de queimadas foram registrados em São Luís este ano

Como ajudar na prevenção

– Não jogue bitucas de cigarros na estrada ou em grandes avenidas;
– Não deposite lixo, especialmente vidro, em terrenos baldios;
– Ao fazer fogueiras, limpe a área em um raio de, no mínimo, dois metros;
– Faça a fogueira dentro de um buraco para evitar que a brasa se espalhe
– Apague a fogueira com água e enterre as cinzas;
– Não queime lixo. Faça o descarte correto;
– Não jogue bituca de cigarro próximo a locais com vegetação;
– Ao avistar queimadas, iligue para os bombeiros, 193.

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