O Mundo | Regime Ortega

Nicarágua proíbe entrada de ativistas de direitos humanos

Comitiva teve que se retirar do país em grave crise política; decisão das autoridades nicaraguenses foi repudiada por organizações de direitos humanos locais
28/10/2018 às 07h00

MANÁGUA - Autoridades migratórias negaram a entrada na Nicarágua de uma comitiva do Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil) , uma organização que defende os direitos humanos. Ativistas do grupo, que denunciou a proibição, haviam sido convidados pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para a viagem.

"Embora nós tivéssemos um convite formal da CIDH, as autoridades migratórias nos negaram a entrada. Esta ação demonstra uma vez mais as arbitrariedades do governo e sua falta de compromisso com os direitos humanos e a democracia", disse o Cejil em nota.

A decisão das autoridades nicaraguenses foi repudiada por organizações de direitos humanos locais, que denunciaram as consecutivas ações do presidente Daniel Ortega - cuja vice-presidente é a sua mulher, Rosario Murillo - contra a atuação de ativistas.

"O regime Ortega-Murillo obstaculiza mais uma vez o trabalho dos defensores de direitos humanos ao negar a entrada da equipe do Cejil na Nicarágua", disse o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh) em comunicado pela sua conta oficial do Twitter.

Direitos humanos

O secretário-executivo da CIDH, o brasileiro Paulo Abrão, explicou que o Cejil havia sido convidado para participar de uma reunião em Manágua, a capital nicaraguense. Com o aval do governo, a comissão tem dois grupos de trabalho no país para dar seguimento à grave situação de direitos humanos que vive o país desde que há seis meses irrompeu uma onda de protestos contra o governo.

Trata-se do Mecanismo Especial de Acompanhamento da Nicarágua (Meseni), que desde junho vem monitorando as recomendações feitas pela CIDH em resposta às violações dos direitos humanos cometidas durante os protestos antigovernamentais; e o Grupo Interdisciplinar de Peritos Independentes (GIEI), instalado em julho para apoiar investigações sobre a violência que ocorreu no mesmo cenário.

A repressão aos protestos deixou, desde abril, mais de 320 mortos, 2 mil feridos e centenas de detidos, segundo grupos humanitários. Outras dezenas de milhares de pessoas deixaram o país para fugir da crise política.

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