Alimentação

Dieta sem carboidrato pode ser perigosa, alertam especialistas

Para entrar em forma sem comprometer a saúde, o correto é cortar calorias, mas não eliminar completamente esse nutriente do cardápio, pois tem como uma das funções garantir energia, principalmente para o cérebro

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h48
Carboidratos podem ser consumidos em pequenas porções ao dia
Carboidratos podem ser consumidos em pequenas porções ao dia (Carboidratos)

SÃO PAULO

Você sobe na balança e acha que precisa perder alguns quilinhos. Qual é a primeira coisa que corta da alimentação? Aposto que a resposta foi carboidrato. Sim, ao eliminar o carboidrato você vai perder peso, mas isso pode não ocorrer da maneira mais saudável. E ainda pode colocar seu cérebro em risco.
"A única energia que o cérebro usa é a glicose", afirma a nutróloga Ana Luisa Vilela. E essa glicose vem de carboidratos. "Ela age em todas as reações cerebrais, nas sinapses, na formação de neurotransmissores, na respiração celular e no funcionamento dos neurônios”, detalha o neurologista Oscar Bacelar.
Ao reduzir a ingestão de carboidratos, também diminui a oferta de glicose no sangue e, consequentemente, enegia para o cérebro. "Como o cérebro armazena pequenas quantidades deste nutriente no decorrer do dia, o consumo em porções corretas é importante para mantê-lo funcionando na sua capacidade máxima", afirma a nutricionista Beatriz Botequio.
Eliminar o carboidrato pode trazer ainda outros problemas. "A falta desse nutriente pode causar cansaço, tontura e fraqueza. Além disso, o metabolismo fica lento, o que é ruim para quem precisa perder peso, por exemplo", alerta a também nutricionista Mariana Nacarato.

Perda de massa
Se o corpo não recebe carboidrato, vai buscar energias de outras formas. Para proteger o cérebro, ele gera glicose, por exemplo, a partir dos músculos. O resultado pode ser a perda de massa magra.
Mas calma, isso não quer dizer que seja preciso comer pães, bolos e outros alimentos que podem realmente colocar em risco a sua dieta para perder peso. A glicose pode vir de frutas e legumes. "Não importa a origem dessa glicose. Da fruta, do pão, do leite. No final das contas, isso tudo é degradado pelo intestino, a glicose entra na corrente sanguínea e o cérebro vai e se utiliza disso", ressalta Oscar.
O ideal é dividir o consumo de carboidratos ao longo do dia. Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations), órgão que tem como objetivo promover a segurança alimentar, de 55% a 75% das calorias diárias devem ser consumidas na forma de carboidratos, divididas em café da manhã, almoço, jantar e lanches intermediários.

Benefícios
Uma alimentação equilibrada em carboidratos melhora a memória e a concentração, segundo Mariana Nacarato. Além disso, a pessoa fica mais disposta: "Após consumir alimentos com esse nutriente, essa substância é digerida por enzimas e quebrada em moléculas de glicose. Sob a ação de hormônios, a glicose é absorvida pelas células e liberada quando o corpo necessita. E precisamos de energia e disposição o tempo todo, seja para respirar, estudar ou praticar atividade física", completa.
Já à noite, uma refeição com carboidrato e pouca proteína pode ajudar para um sono tranquilo. "Uma refeição assim pode facilitar a captação de triptofano e a sua conversão em serotonina no cérebro. Essa substância também regula o ciclo do sono, e em quantidades adequadas pode induzir a sonolência", diz Mariana Naracato.

Calorias
Ok, você já entendeu que precisa de carboidratos. Mas a questão inicial dessa conversa foi a perda de peso. E agora, o que fazer? O princípio das dietas equilibradas está em reduzir as calorias totais, e não apenas aquelas provenientes dos carboidratos. “Os verdadeiros vilões da alimentação são os excessos de calorias (principalmente das chamadas calorias vazias), de lipídios (principalmente dos saturados, trans e de colesterol), de açúcares e de sódio”, aponta a nutricionista Adriane Antunes de Moraes.

“Precisamos de energia e disposição o tempo todo, seja para respirar, estudar ou praticar atividade física”

Mariana Nacarato, nutricionista

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