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Reservatório do Batatã opera com 20% da sua capacidade em pleno período chuvoso

Quantidade de chuvas que têm caído na capital não foi suficiente para elevar o nível de água da represa; diante da situação preocupante, a Caema tem adotado manobras para evitar o desabastecimento
15/05/2016 às 00h00
Reservatório do Batatã opera com 20% da sua capacidade em pleno período chuvosoA última vez que a represa do Batatã chegou ao seu nível máximo foi em 2008 (Biné Morais / O Estado)

SÃO LUÍS - Em dezembro do ano passado, o Reservatório do Batatã havia chegado ao seu nível mais crítico em anos, operando com menos de 5% de sua capacidade. O ano novo chegou e com ele o período chuvoso, o que fez o volume de água aumentar. Mas a situação ainda não é nada animadora, como explica a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema).

As chuvas fortes que têm caído em São Luís, principalmente à tarde, provocam alagamentos em vários pontos da cidade e outros estragos. Mas se tratando da captação e armazenamento de água para o consumo da população, a situação é diferente. Hoje, em pleno período chuvoso, o reservatório opera com 20% de sua capacidade.

Carlos Rogério Araújo, diretor de operações e manutenção da Caema, explica que a represa tem capacidade de armazenar até 4 milhões e meio de metros cúbicos de água, Tabulado, esse total atinge a capacidade máxima de 10 níveis. A última vez que isso aconteceu foi em 2008.

Desde essa marca histórica, o volume de água vem caindo ano a ano até os níveis mais preocupantes e não vem se recuperando nem nos períodos chuvosos. É isso que também está acontecendo atualmente. Hoje, a represa está no nível 2, com a água atingindo a marca de apenas 2,2m.

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Carlos Rogério Araújo frisa que, apesar da mudança considerável se comparado o cenário atual da represa e o de dezembro, esse volume não é significativo. “Esse volume não duraria nem um mês inteiro de abastecimento. Estamos tendo que administrar o pouco que temos. Estamos bombeando água durante 12 horas por dia. São 150 litros por segundo, que não é nem metade da capacidade de tratamento, que é de 400 litros por segundo”, informou.

Além das poucas chuvas, a alta demanda de água em São Luís associada com a ocupação irregular do entorno da Reserva do Batatã, que está sendo desmatada, compromete ainda mais as condições da represa, já que a retirada da mata ciliar causa o assoreamento da represa. Para continuar garantindo água para a população frente a tantos obstáculos, é preciso muita articulação.

Manobras
O diretor de operações e manutenção explica que a água desse reservatório abastece toda a região do Centro e bairros adjacentes, alcançando até parte do Monte Castelo. A água é enviada pelo sistema aos reservatórios da Rua Grande e da São Pantaleão para distribuição.

Para compensar a escassez de água do Batatã, a água do sistema Italuís é enviada para o sistema Sacavém para também seja distribuída na região de abrangência do Batatã. Além disso, existem ainda 10 poços do sistema Sacavém que também são utilizados nesse manejo para evitar o desabastecimento.

Ainda de acordo com Carlos Rogério Araújo, a Caema já adota providências para o período de estiagem. “Seguramente, a partir de julho, não vamos poder contar com esse reservatório. Por isso, estamos restabelecendo os poços do sistema Paciência para que até no final de maio já esteja funcionando plenamente”, afirmou.

Além disso, há ainda a expectativa em relação a conclusão das obras de substituição da Adutora do Italuís nos 19 quilômetros do Campo de Perizes, em outubro deste ano, para regularizar o abastecimento de água em São Luís. Mas enquanto isso, para tentar garantir o abastecimento a toda a população, a Companhia mantém a distribuição em sistema de rodízio (dia sim, dia não).

SAIBA MAIS

Segundo o Laboratório de Meteorologia da Uema, para o mês de junho a expectativa ainda é de chuva. Entre os meses de junho e julho, vai se configurar a transição entre as estações chuvosa e seca como mostram os registros históricos.

Bairros abastecidos pelo Batatã (Sistema Sacavém)

Centro, São Pantaleão, Madre Deus, Goiabal, Codozinho, Vila Bessa, Belira, Lira, Areinha (parte), Macaúba, Apicum, Camboa, Vila Bangu, Diamante, Vila Passo, Corea de Baixo e Corea de Cima, Sítio do Meio, Alto de Boa Vista, Retiro Natal, Liberdade, Tomé de Sousa, Fé em Deus, Floresta, Monte Castelo (parte).

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