TURILÂNDIA - Apenas uma das seis pessoas convocadas para depor nesta segunda-feira (5) no Ministério Público do Maranhão (MP-MA), no âmbito da Operação Tântalo II, falou durante os interrogatórios. A chefe do Setor de Compras de Turilândia, Gerusa de Fátima Nogueira Lopes, negou participação no esquema de corrupção que teria desviado mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos do município.
Segundo o MP-MA, Gerusa é apontada como responsável por auxiliar na gestão financeira dos recursos desviados e ocultar a não execução de contratos firmados entre a Prefeitura e empresas envolvidas. Os outros cinco investigados permaneceram em silêncio, exercendo o direito constitucional de não responder às perguntas.
Depoimentos da Operação Tântalo II
Os depoimentos ocorreram na sede do MP em São Luís e se estenderão até quarta-feira (7). Além de Gerusa, foram convocados:
- Eustáquio Diego Fabiano Campos – médico neurocirurgião, acusado de atuar como agiota em campanhas políticas;
- Clementina de Jesus Pinheiro – pregoeira do município;
- Wandson Jonath Barros – contador, apontado como controlador financeiro dos desvios;
- Janaína Soares Lima – ex-vice-prefeita, proprietária do Posto Turi;
- Marlon de Jesus Arouche Serrão – marido de Janaína e também proprietário do Posto Turi.
Prefeito e primeira-dama de Turilândia serão ouvidos
Nesta terça-feira (6), o prefeito José Paulo Dantas Silva Neto, conhecido como Paulo Curió (União Brasil), e a primeira-dama Eva Curió serão ouvidos pelo MP-MA. O Ministério Público aponta Paulo Curió como líder da organização criminosa e destinatário da maior parte dos valores desviados.
Na quarta-feira (7), será a vez da vice-prefeita Tanya Karla Cardoso Mendonça e de seu marido, Hyan Alfredo Mendonça Silva, prestarem depoimento. Após essa etapa, o MP deve confrontar as declarações com as provas já reunidas e formalizar denúncia.
Investigação aponta estrutura criminosa em Turilândia
De acordo com decisão da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), a investigação revelou uma organização criminosa estruturada dentro da Prefeitura e da Câmara Municipal de Turilândia. O grupo teria desviado recursos principalmente das áreas da Saúde e da Assistência Social, utilizando empresas fictícias para emitir notas fiscais sem a correspondente prestação de serviços.
Prisões e afastamentos na Operação Tântalo II
A Operação Tântalo II levou à prisão do prefeito Paulo Curió e da vice-prefeita Tânia Mendes. Dez vereadores e um ex-vereador também são investigados. Cinco deles se entregaram à polícia e tiveram as prisões convertidas em domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica.
Os vereadores presos são:
- Gilmar Carlos (União Brasil)
- Savio Araújo (PRD)
- Mizael Soares (União)
- Inailce Nogueira (União)
- Ribinha Sampaio (União)
Mudança no comando de Turilândia
Com o afastamento de Paulo Curió e Tânia Mendes, o presidente da Câmara Municipal, José Luís Araújo Diniz (“Pelego”), assumiu interinamente a Prefeitura, mesmo cumprindo prisão domiciliar. A vice-presidente da Câmara, vereadora Inailce Nogueira Lopes, passou a comandar o Legislativo municipal.
Núcleo empresarial
O MP-MA aponta que a vice-prefeita Tânia Mendes atuava como peça operacional do núcleo empresarial, movimentando recursos e dando aparência de legalidade às contratações. Já a ex-vice-prefeita Janaína Lima e seu marido, Marlon Serrão, controlavam o Posto Turi, empresa que recebeu R$ 17,2 milhões entre 2021 e 2025. Interceptações telefônicas mostram Janaína tratando os valores retidos como um “imposto” dentro do esquema.
Segundo o MP, Janaína e Marlon firmaram acordo com Paulo Curió para reter 10% dos contratos do Posto Turi, destinados ao pagamento da faculdade de medicina da ex-vice-prefeita. Os 90% restantes eram entregues ao prefeito ou a seus aliados.
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