ABUSO SEXUAL INFANTIL

Ex-diretor de creche em Timon é preso no Piauí após romper tornozeleira

Investigação apura violência sexual contra crianças de 2 e 3 anos; câmeras mostram alunos sendo levados a um depósito pelo ex-diretor de creche.

Imirante, com informações do g1 PI

Atualizada em 10/07/2026 às 20h24
Polícia afirma que suspeito saiu de um esconderijo no Maranhão e seguiu para o Piauí. (Foto: Reprodução)
Polícia afirma que suspeito saiu de um esconderijo no Maranhão e seguiu para o Piauí. (Foto: Reprodução)

TIMON – O ex-diretor-adjunto de uma creche municipal de Timon, Alberto Luiz Freitas Monção, de 49 anos, foi preso nesta sexta-feira (10), em uma casa em Teresina, no Piauí. Ele é investigado por suspeita de estupro de vulnerável contra crianças da unidade de ensino e estava foragido após romper a tornozeleira eletrônica.

Segundo os investigadores, Alberto deixou um esconderijo na zona rural de Timon e seguiu para Teresina. Ele foi monitorado durante o deslocamento, localizado na capital piauiense e levado para a Central de Flagrantes. A prisão ocorreu em cumprimento a um mandado preventivo.

Alberto havia sido preso preventivamente no dia 27 de maio, durante a investigação. Em 15 de junho, a prisão foi substituída por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira, a proibição de frequentar escolas e de manter contato com vítimas e testemunhas.

Na domingo (5), ele desativou o equipamento e passou a ser procurado. As buscas terminaram com a prisão em Teresina, dois dias depois.

Câmeras registraram crianças sendo levadas  por ex-diretor de creche

A investigação começou após a mãe de uma criança procurar a polícia. Segundo a apuração, a menina apresentou dores nas partes íntimas. Outros relatos de possíveis vítimas também passaram a ser investigados.

Imagens de câmeras de segurança mostram Alberto conduzindo duas crianças, de 2 e 3 anos, para um depósito dentro da sala da direção. O espaço não tinha monitoramento por vídeo. Minutos depois, os alunos aparecem novamente nas gravações segurando brinquedos.

A suspeita é de que o então diretor-adjunto retirava crianças das salas sob o pretexto de entregar brinquedos ou permitir o uso de celular. Parte dos alunos investigados apresenta Transtorno do Espectro Autista (TEA) e dificuldade de comunicação verbal.

Delegada afirma que há mais relatos contra ex-diretor de creche

Em entrevista à Mirante News, a delegada Lorena Alves, titular da Delegacia Especial da Mulher de Timon, disse que várias mães procuraram a unidade após a divulgação do caso.

A delegada afirmou que há relatos de novas possíveis vítimas. Entre elas, estão meninos com mudanças de comportamento e duas meninas que, segundo as famílias, podem apresentar sinais físicos.

“Os meninos, do sexo masculino, apresentaram comportamentos diferentes nesses últimos dias, segundo as mães narraram. (...) E, sobre as meninas, já há notícias de duas meninas também, que possivelmente a gente vai encontrar alguma materialidade, porque estariam lesionadas”, afirmou Lorena Alves.

Funcionários de creche forma ouvidos pela polícia

Até o momento, outros funcionários foram ouvidos como testemunhas, e não como investigados, segundo a delegada. A situação, porém, pode mudar durante a apuração.

“Tem muita coisa ainda para verificar: participação, omissão, quem já sabia, como essas crianças eram retiradas da sala sem que ninguém percebesse ou ouviu e não denunciou. Então, tudo isso vai ser apurado”, disse a delegada.

As imagens devem ajudar a identificar datas e horários em que crianças foram levadas ao local, segundo a delegada. A investigação segue em sigilo para preservar as vítimas.

Direção da creche foi afastada

A Prefeitura de Timon informou que Alberto Luiz Freitas Monção foi exonerado do cargo. Toda a direção da creche também foi afastada até o fim das investigações, e o município decretou intervenção imediata na unidade.

Segundo a secretária municipal de Educação, Isadora Rodrigues, a creche será acompanhada por uma equipe da pasta. As aulas devem retornar na segunda-feira (1º). Uma psicóloga também vai acompanhar os funcionários e dando apoio aos pais das crianças.

A secretária informou que o servidor público, que trabalha no município há 11 anos, não tinha denúncias anteriores, nem quando atuava como professor nem como diretor adjunto.

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