Cristiano Sardinha
COLUNA
Cristiano Sardinha
Cristiano Sardinha é escritor, professor e tabelião. Mestre em Cultura e Sociedade pela UFMA e Doutor em Direito Constitucional pela UNIFOR, é autor de romances e livros jurídicos.
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O Nordeste é maior que o preconceito

Quem conhece minimamente a história do Brasil sabe que o Nordeste é o berço da nossa nação.

Cristiano Sardinha

- Atualizada em 27/10/2026 às 16h30
Quem conhece minimamente a história do Brasil sabe que o Nordeste é o berço da nossa nação.
Quem conhece minimamente a história do Brasil sabe que o Nordeste é o berço da nossa nação. (Reprodução)

Após o resultado das eleições, uma onda de discursos de ódio contra os nordestinos inundou as redes sociais. O que se disfarça de posicionamento político é, na verdade, um preconceito enraizado, alimentado pela ignorância e pelo covarde desejo de amordaçar quem pensa diferente.

Independentemente do candidato escolhido nas urnas, o direito constitucional ao voto precisa ser respeitado. Essa é uma das premissas fundamentais da democracia.

Quem conhece minimamente a história do Brasil sabe que o Nordeste é o berço da nossa nação. Durante séculos, a região ocupou posição de destaque na vida social, política e econômica da colônia, sendo explorada como fonte de riqueza pela Coroa portuguesa.

A mão de obra escravizada de indígenas e africanos sustentou o ciclo do açúcar, especialmente entre os séculos XVI e XVII, gerando enormes lucros para a metrópole. A expansão da pecuária, inicialmente como atividade complementar, contribuiu para a ocupação do interior do território brasileiro.

A Revolução Industrial inglesa ampliou a demanda por matérias-primas. Nesse cenário, o Maranhão tornou-se um importante produtor e exportador de algodão, conhecido como “ouro branco”. Não por acaso, São Luís manteve estreitos laços comerciais com Lisboa, e a arquitetura de seus casarões históricos reflete a pujança econômica daquele período.

Atualmente, o Nordeste possui uma das maiores economias regionais do Brasil, com importantes polos industriais, automotivos e tecnológicos. Destaca-se também na produção de energia eólica e solar, no agronegócio e nas atividades portuárias.

O Brasil seria culturalmente triste e intelectualmente paupérrimo sem Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Rui Barbosa, Clóvis Beviláqua, Gilberto Freyre, Luiz Gonzaga, Maria Firmina dos Reis, Gonçalves Dias e tantos outros nordestinos.

É evidente que, assim como nas demais regiões do país, existem mazelas que precisam ser enfrentadas por meio de políticas públicas sérias. Contudo, a imagem caricata e estereotipada do nordestino é fruto do preconceito de quem desconhece e nega a própria história.

O povo nordestino é acolhedor, jamais subserviente!


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