Dia dos Professores

Professores maranhenses usam leitura e experimentação para aproximar alunos do conhecimento

Em São Luís e Paço do Lumiar, projetos de Língua Portuguesa e Matemática incentivam a participação dos estudantes e mostram diferentes formas de aprender.

Imirante.com

 A iniciativa ganha destaque no Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro. Foto: Arquivo pessoal / Divulgação
 A iniciativa ganha destaque no Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro. Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

SÃO LUÍS - Uma coletânea literária escrita por estudantes e atividades de Matemática com objetos do cotidiano são algumas das estratégias usadas por professores da Grande São Luís para aproximar os alunos do conhecimento. As iniciativas buscam estimular a participação dos jovens e mostrar como os conteúdos aprendidos em sala de aula podem ganhar sentido na prática.

No Centro de Ensino Paulo Freire, em São Luís, estudantes do Ensino Médio participaram de um projeto de leitura e escrita que resultou na publicação de uma coletânea com 22 autores. Já no Centro de Ensino Professor Robson Campos Martins, no Maiobão, em Paço do Lumiar, o professor Vanderlândio Pontes utiliza jogos, sólidos geométricos e outros materiais para ensinar conceitos matemáticos.

As duas experiências mostram como atividades que envolvem os próprios alunos podem contribuir para o processo de aprendizagem. A iniciativa ganha destaque no Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro.

Projeto transforma estudantes em autores

No Centro de Ensino Paulo Freire, a professora Antocléia Santos queria incentivar os estudantes a se aproximarem dos livros. Formada em Filosofia e Sociologia, ela decidiu desenvolver um projeto de leitura e escrita em parceria com professoras de Língua Portuguesa.

A proposta era que cada aluno escolhesse uma obra disponível na biblioteca, fizesse a leitura e produzisse uma narrativa a partir da própria interpretação.

Ao longo de seus 21 anos de atuação na área escolar, Antocléia observou dificuldades dos estudantes com a leitura e a escrita. Para ela, porém, esses obstáculos não determinam a capacidade de aprendizagem dos jovens.

“Os obstáculos não definem a capacidade dos jovens. O que faltava era encontrar uma proposta que os convidasse a participar. Nossa ideia foi pedir que cada estudante escolhesse uma obra da biblioteca, lesse e produzisse uma narrativa a partir de sua interpretação”, conta.

O projeto envolveu profissionais de diferentes áreas. Antocléia ajudou os estudantes a estruturar as narrativas, enquanto as professoras de Língua Portuguesa contribuíram com a revisão ortográfica e a organização dos textos, incluindo aspectos de coesão e coerência.

A professora de Arte também participou da iniciativa ao indicar quatro estudantes ligados ao grafite para produzir ilustrações inspiradas nas histórias.

O trabalho resultou na coletânea Recontos Literários: Jovens que Escrevem, Mundos que Nascem, com 22 autores e quatro ilustradores.

“Quando iniciamos o projeto, a intenção era aproximar os estudantes dos livros. Mas, no percurso, aconteceu algo ainda maior. Eles deixaram de se perceber apenas como leitores e passaram a se reconhecer como autores”, afirma Antocléia.

A professora também utiliza ferramentas de inteligência artificial em pesquisas e atividades de formação. Para ela, o desafio é incorporar os recursos tecnológicos sem abrir mão da autoria dos estudantes e do desenvolvimento do pensamento crítico.

“O desafio da educação contemporânea é justamente ensinar nossos alunos a utilizar esses dispositivos, sem abrir mão da autoria, da reflexão e do pensamento crítico”, diz.

Objetos do cotidiano ajudam a ensinar Matemática

No Centro de Ensino Professor Robson Campos Martins, no Maiobão, em Paço do Lumiar, o professor de Matemática Vanderlândio Pontes utiliza materiais concretos para aproximar os estudantes dos conceitos da disciplina.

Embalagens, caixas, recipientes e sólidos geométricos são usados para trabalhar formas, medidas, áreas e volumes. O próprio ambiente escolar também serve de referência para as atividades, com elementos como pisos, janelas e paredes.

Foto: Arquivo pessoal / Divulgação
Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

Atualmente, o professor desenvolve o trabalho com seis turmas do 3º ano do Ensino Médio. Para isso, reúne jogos e materiais construídos por ele, que são levados às salas de acordo com o conteúdo estudado.

“O que procuro mostrar aos estudantes é que Matemática não é apenas um conjunto de fórmulas que precisam ser memorizadas. Quando eles podem tocar, experimentar, investigar, levantar hipóteses e visualizar aquilo que estão estudando, a relação com a disciplina muda”, explica.

A experiência começou por volta de 2003, quando Vanderlândio trabalhava na rede municipal de São Luís. Na época, em busca de novas formas de despertar o interesse dos alunos, ele levou para a sala de aula uma Torre de Hanói, jogo de raciocínio em que os participantes precisam mover discos entre hastes seguindo regras específicas.

Enquanto um estudante tentava resolver o desafio, os colegas acompanhavam a atividade. A experiência ajudou o professor a perceber como materiais concretos poderiam contribuir para o ensino.

Anos depois, ele aprofundou o tema durante o mestrado, ao estudar o uso desses recursos no ensino de Geometria.

Nas aulas, os estudantes trabalham em grupo, montam sólidos, identificam faces, vértices e arestas e discutem os resultados das atividades. A proposta é relacionar cada material ao conceito matemático que está sendo estudado.

Com formação inicial em Engenharia e 28 anos de docência, Vanderlândio também incorpora recursos digitais às aulas. A lanterna do celular, por exemplo, pode ser usada para projetar a sombra de um poliedro. Ao mudar a posição do objeto, os alunos observam como a projeção se transforma.

O aparelho também pode servir para pesquisas e registros das experiências realizadas em sala.

Tecnologia também chega à sala de aula

O uso de ferramentas digitais e da inteligência artificial na educação tem ampliado o debate sobre como incorporar a tecnologia ao ensino sem substituir a mediação dos professores.

No Maranhão, o Grupo Eureka atua em parceria com a rede estadual de ensino em iniciativas relacionadas à recomposição das aprendizagens. O professor Marco Saliba, ligado à empresa, avalia que ferramentas de inteligência artificial podem auxiliar os educadores no planejamento de atividades e na adaptação de conteúdos às necessidades das turmas.

O uso desses recursos, no entanto, exige intencionalidade pedagógica e atenção ao desenvolvimento da autonomia dos estudantes, para que a tecnologia complemente o trabalho docente.

Desafios da aprendizagem

O desenvolvimento da leitura, da escrita e do raciocínio matemático continua sendo um desafio para os sistemas de ensino. Avaliações educacionais internacionais, como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), ajudam a acompanhar o desempenho dos alunos e a identificar dificuldades nessas áreas.

Nesse contexto, experiências como as desenvolvidas pelos professores maranhenses apostam na participação dos estudantes para tornar o aprendizado mais próximo de suas realidades.

Na leitura, a escolha dos livros e a produção de narrativas permitem que os alunos exercitem a interpretação e a escrita. Na Matemática, o uso de objetos e jogos ajuda a visualizar conceitos que, apresentados apenas por fórmulas, podem parecer abstratos.

As duas iniciativas têm propostas diferentes, mas compartilham a busca por formas de envolver os estudantes na construção do conhecimento.

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