PM preso por agredir duas mulheres não falou sobre os crimes em depoimento, diz delegada
Capitão Jurambergson Gomes Soeiro Sobrinho Silva foi preso preventivamente nesta quinta-feira (8), cinco dias após as agressões e disparos registrados em um posto de combustíveis em São Luís.
SÃO LUÍS - O capitão da Polícia Militar do Maranhão Jurambergson Gomes Soeiro Sobrinho Silva, conhecido como “Berg”, não apresentou esclarecimentos sobre a dinâmica das agressões contra duas mulheres e dos disparos de arma de fogo investigados pela Polícia Civil durante depoimento prestado na última terça-feira (6). A informação foi dada pela delegada Kazumi Tanaka, coordenadora das Delegacias da Mulher no Maranhão.
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Segundo a delegada, o militar informou que deverá apresentar sua versão dos fatos posteriormente, durante o processo judicial. Ele foi preso preventivamente nesta quinta-feira (8), cinco dias após a ocorrência.
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O caso aconteceu na manhã do último sábado (3), em um posto de combustíveis localizado na Avenida Jerônimo de Albuquerque, nas proximidades do Elevado da Cohama, em São Luís. Imagens registradas no local e divulgadas nas redes sociais mostram o capitão agredindo uma das mulheres e, posteriormente, efetuando disparos.
“É claro que ele não ia falar a respeito da dinâmica dos fatos. Ele vai se manifestar posteriormente na Justiça a respeito do que aconteceu, mas as vítimas foram ouvidas a respeito dessa situação e já foram encaminhadas para os exames necessários, e a investigação vai continuar”, afirmou Kazumi Tanaka.
Mulher foi agredida ao tentar defender outra vítima
De acordo com a delegada, uma das mulheres agredidas não conhecia o capitão e teria tentado intervir ao presenciar as agressões contra outra mulher, que já havia mantido um relacionamento com o militar.
Segundo a investigação, a mulher tentou impedir que a situação se agravasse, mas acabou sendo agredida com coronhadas. Ela precisou receber atendimento hospitalar e, posteriormente, compareceu à unidade especializada da Polícia Civil para prestar depoimento.
“Uma das vítimas, que é aquela que vocês observaram no vídeo, que foi a mais lesionada, inclusive com coronhadas, ela não o conhecia. Ela viu aquela situação, mas, vendo as agressões que aquela outra mulher estava sofrendo, não se conteve e, naquele ímpeto de ajudá-la a evitar que uma situação pior viesse a acontecer, ela interveio”, explicou a delegada.
A vítima Sara Pinto Brito relatou, em entrevista à TV Mirante, que tentou afastar o capitão da outra mulher e acabou sendo atacada. Segundo ela, as agressões ocorreram com coronhadas e chutes.
“Meu impulso foi ir para cima, para afastar ele. Em nenhum momento eu achei que ele fosse vir para cima de mim, entendeu? Eu empurro, tentando só afastar e nisso ele veio para cima de mim. E nessa que ele veio para cima de mim, ele já vem com a arma em punho e começa a me dar muita, muita coronhada, muita coronhada, muita coronhada”, contou Sara.
Discussão antecedeu agressões
A mulher que já havia mantido um relacionamento com o capitão também prestou depoimento à Polícia Civil. Segundo Kazumi Tanaka, ela está abalada com o ocorrido e solicitou medidas protetivas de urgência.
A investigação aponta que uma discussão entre os dois antecedeu as agressões. A delegada também informou que os envolvidos haviam consumido bebida alcoólica antes da confusão.
“Houve uma discussão entre eles. Eles haviam ingerido também bebida alcoólica e aí desencadeou naqueles fatos que todo mundo verificou nos vídeos que foram divulgados”, afirmou.
Questionada sobre uma possível motivação relacionada a ciúmes, a delegada afirmou que não poderia fornecer detalhes, em respeito ao pedido da vítima pela preservação de sua intimidade.
Disparos também são investigados
Além das agressões contra as duas mulheres, a Polícia Civil investiga os disparos de arma de fogo efetuados durante a ocorrência.
As imagens de videomonitoramento mostram o capitão armado durante a confusão. Segundo as informações da investigação, um dos disparos atingiu um homem que estava no local, causando ferimentos na região do pescoço. Ele precisou de atendimento médico.
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do caso.
Capitão havia sido liberado após depoimento
Jurambergson compareceu à Delegacia Especial da Mulher (DEM), no bairro Jaracaty, na terça-feira (6), prestou depoimento e foi liberado na ocasião.
De acordo com Kazumi Tanaka, a prisão preventiva não foi cumprida naquele momento devido às restrições previstas na legislação eleitoral, que limitavam o cumprimento de mandados de prisão durante o período eleitoral e nas 48 horas posteriores à votação, salvo as exceções previstas em lei.
Após o fim do período de restrição, a ordem de prisão preventiva pôde ser cumprida nesta quinta-feira.
A prisão foi realizada pela própria Polícia Militar. Depois de detido, o capitão foi encaminhado à Delegacia Especial da Mulher.
Militar também responde a processo administrativo
Segundo a delegada, a Polícia Militar já havia instaurado um processo administrativo para apurar a conduta do oficial, independentemente da investigação criminal.
Após a formalização da prisão, o cumprimento do mandado será comunicado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. Por ser militar, o capitão deverá ser encaminhado ao Comando-Geral da Polícia Militar.
Jurambergson também responde a um processo de 2023 por violência doméstica envolvendo a mesma policial militar que Sara afirma ter tentado defender. Esse processo ainda não foi julgado.
As investigações sobre o caso ocorrido no posto de combustíveis continuam.
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