Euges Lima
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Euges Lima
Euges Lima é historiador, professor, bibliófilo, palestrante e ex-presidente do IHGM.
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11 de Setembro: 25 anos de uma inflexão histórica

25 anos depois do atentado, ainda é possível perceber suas consequências na política internacional, nas guerras, na segurança e na tecnologia.

Euges Lima

- Atualizada em 11/09/2026 às 10h01
25 anos do 11 de Setembro
25 anos do 11 de Setembro (Imagem gerada por IA)

Há acontecimentos que pertencem à história porque ocorreram no passado. Outros, porém, parecem dividir o próprio tempo em um “antes” e um “depois”. O 11 de setembro de 2001 pertence a essa segunda categoria. Vinte e cinco anos depois, ainda é possível perceber suas consequências na política internacional, nas guerras, na segurança, na tecnologia e até na maneira como as sociedades ocidentais passaram a olhar o mundo.

Naquela manhã de terça-feira, os Estados Unidos pareciam viver mais um dia comum. Às 8h46, um avião da American Airlines, sequestrado por integrantes da organização terrorista Al-Qaeda, atingiu a Torre Norte do World Trade Center, em Nova York. Poucos minutos depois, às 9h03, outro avião atingiu a Torre Sul. A partir daquele momento, o que inicialmente poderia parecer um acidente transformou-se, diante das câmeras de televisão, em um dos acontecimentos mais dramáticos do século XXI.

Às 9h37, um terceiro avião atingiu o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, em Washington. Um quarto avião, o United Airlines 93, também havia sido sequestrado. Entretanto, seus passageiros e tripulantes reagiram. A aeronave caiu na Pensilvânia, às 10h03, antes de alcançar o seu provável alvo.

Às 9h59, a Torre Sul desabou. Às 10h28, caiu a Torre Norte. Nova York mergulhou em uma nuvem de poeira, fumaça e destroços. O mundo acompanhava, praticamente em tempo real, imagens que rapidamente se transformariam em memória histórica.

Morreram quase 3 mil pessoas nos atentados, incluindo passageiros dos aviões, trabalhadores do World Trade Center, policiais, bombeiros e outros profissionais que estavam tentando salvar vidas. Mas o alcance do acontecimento ultrapassou imediatamente as fronteiras norte-americanas.

O 11 de setembro produziu uma verdadeira inflexão na ordem internacional construída depois do fim da Guerra Fria. Os Estados Unidos, que haviam emergido da década de 1990 como a principal potência mundial, passaram a colocar o combate ao terrorismo internacional no centro de sua política externa e de segurança.

Poucas semanas depois, os Estados Unidos iniciaram a guerra no Afeganistão, país onde o regime do Talibã oferecia abrigo à liderança da Al-Qaeda. Em 2003, veio a invasão do Iraque, apresentada pelo governo George W. Bush como parte da estratégia de combate às ameaças internacionais. A guerra do Iraque, entretanto, não estava diretamente ligada aos atentados de 11 de setembro, e a posterior ausência das armas de destruição em massa que haviam sido apontadas como justificativa para a invasão tornou-se um dos grandes debates políticos da época.

O mundo também mudou nos aeroportos, nas fronteiras e nos sistemas de vigilância. A segurança passou a ocupar um espaço muito maior na vida cotidiana. Novas regras para viagens aéreas, controles migratórios mais rigorosos, compartilhamento internacional de informações e expansão dos sistemas de vigilância foram algumas das consequências daquele novo ambiente. Mas talvez a transformação mais profunda tenha ocorrido no campo das ideias.

Antes do 11 de setembro, a expressão “guerra ao terror” não ocupava o centro do vocabulário político internacional. Depois dele, passou a orientar decisões de governos, operações militares e políticas de segurança. O terrorismo internacional tornou-se uma das principais preocupações das grandes potências.

Também houve um custo humano e político. A busca por segurança produziu debates sobre limites do poder estatal, privacidade, direitos civis, tortura, prisões extrajudiciais e vigilância em massa. A pergunta que permaneceu ao longo desses 25 anos foi difícil, mas necessária: até onde uma sociedade democrática pode restringir liberdades em nome da própria segurança?

A história, entretanto, não é apenas a narrativa dos vencedores ou dos Estados. É também a história das pessoas comuns. Das vítimas, das famílias que perderam seus parentes, dos bombeiros que entraram nos edifícios em chamas, dos sobreviventes que carregaram durante anos as marcas físicas e psicológicas daquele dia.

Vinte e cinco anos depois, o 11 de setembro já pertence à história. Mas ainda não pertence completamente ao passado.

Sua memória continua presente nas guerras que se seguiram, nos deslocamentos populacionais, no debate sobre terrorismo e extremismo, na segurança dos aeroportos, na vigilância digital e nas relações entre Ocidente e Oriente Médio. O acontecimento também mostrou algo fundamental sobre a própria História: um episódio pode durar algumas horas, mas suas consequências podem atravessar décadas.

Há ainda uma dimensão simbólica. As imagens das torres atingidas e posteriormente desabando tornaram-se uma das representações mais fortes do início do século XXI. Uma geração inteira cresceu conhecendo aquele acontecimento não pela experiência direta, mas pelas fotografias, pelos filmes, pelos documentários e pelos relatos dos que estavam vivos naquele momento.

Aos 25 anos, talvez a principal lição histórica do 11 de setembro seja justamente a necessidade de compreender o acontecimento para além do choque das imagens. História não é apenas recordar o que aconteceu. É perguntar por que aconteceu, o que aconteceu depois e quais foram as consequências das escolhas feitas a partir daquele momento. O 11 de setembro não explica sozinho o século XXI. Mas é impossível compreender plenamente os últimos 25 anos sem passar por ele.

A História, afinal, não é feita apenas de datas. Algumas datas, porém, tornam-se marcos porque modificam a percepção que uma sociedade tem de seu próprio tempo. 11 de setembro de 2001 foi uma dessas datas. E, 25 anos depois, continuamos tentando compreender o mundo que nasceu naquele dia.


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