SÃO LUÍS - O Julho Verde, campanha nacional de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, reforça neste ano a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença. Com o tema "Julho Verde 360 – Integração para Transformar o Futuro", a mobilização defende que o enfrentamento da doença depende da atuação conjunta de profissionais de saúde, pesquisadores, instituições, gestores públicos, pacientes, familiares e da sociedade.
Segundo o cirurgião de cabeça e pescoço Stênio Roberto dos Santos, a informação continua sendo uma das principais ferramentas para reduzir a mortalidade e aumentar as chances de cura.
"O câncer de cabeça e pescoço é um problema de saúde pública. Quanto mais cedo conseguimos identificar a doença, maiores são as possibilidades de um tratamento menos agressivo, com melhores resultados e mais qualidade de vida para o paciente", afirma.
Maranhão deve registrar cerca de 340 novos casos em 2026
O alerta ganha ainda mais relevância diante das estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Para o triênio de 2026 a 2028, o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano.
No Maranhão, a previsão é de aproximadamente 220 novos casos de câncer da cavidade oral e outros 120 casos de câncer de laringe em 2026. Em São Luís, o câncer da cavidade oral também está entre os tipos mais frequentes entre os homens, segundo dados dos Serviços e Informações do Brasil.
Maioria dos casos está ligada a fatores de risco
Embora muitas pessoas associem a doença à hereditariedade, o especialista explica que apenas uma pequena parcela dos casos possui origem genética.
"Os casos hereditários representam entre 5% e 10% dos diagnósticos. Na grande maioria das situações, o câncer está relacionado a fatores de risco modificáveis, principalmente o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e a infecção pelo HPV", destaca.
De acordo com o médico, pessoas com histórico familiar devem manter acompanhamento periódico, mas isso não significa, necessariamente, que desenvolverão a doença.
"Quem possui casos na família precisa estar atento e realizar acompanhamento médico quando indicado. Mas o mais importante continua sendo eliminar os fatores de risco e investir na prevenção", orienta.
HPV muda perfil da doença
Outro ponto que chama a atenção dos especialistas é a mudança no perfil epidemiológico do câncer de cabeça e pescoço.
Nas últimas décadas, aumentou o número de mulheres diagnosticadas com câncer de boca e língua. Além disso, os tumores relacionados ao HPV têm sido registrados com maior frequência em pacientes mais jovens e sem histórico de tabagismo.
"Hoje sabemos que o HPV é um importante fator de risco para alguns tumores de cabeça e pescoço, especialmente os de orofaringe. Por isso, a vacinação representa um dos maiores avanços na prevenção desses cânceres", afirma Stênio Roberto.
Diagnóstico ainda acontece tardiamente
Apesar dos avanços no tratamento, cerca de metade dos pacientes brasileiros ainda recebe o diagnóstico da doença em estágios avançados, o que reduz as possibilidades terapêuticas e aumenta o risco de sequelas permanentes.
Para o especialista, um dos principais desafios é diminuir o intervalo entre a identificação dos primeiros sintomas e o início do tratamento.
"Precisamos fortalecer a atenção primária e capacitar continuamente médicos, dentistas e demais profissionais de saúde para reconhecer os primeiros sinais do câncer e encaminhar rapidamente esses pacientes aos serviços especializados. Cada semana faz diferença na evolução da doença", conclui.
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