Testeira Copa
Letalidade policial

Mais da metade dos registros de mortes por policiais no Maranhão não informa a raça ou cor das vítimas, diz estudo

Segundo o estudo "Pele Alvos", a ausência dos dados dificulta a identificação do impacto racial da violência provocada por policiais.

Imirante.com

Estudo aponta subnotificação racial em mortes por policiais no Maranhão.
Estudo aponta subnotificação racial em mortes por policiais no Maranhão. ((Divulgação))

SÃO LUÍS - Mais da metade dos registros de mortes por policiais no Maranhão não informa a raça ou a cor das vítimas, segundo o estudo Pele Alvo, divulgado nesta quarta-feira (1º) pela Rede de Observatórios da Segurança. De acordo com o levantamento, 54,9% das ocorrências no Estado não trazem esse dado, o que dificulta a identificação do impacto racial da violência provocada por agentes do Estado.

O estudo sobre letalidade policial foi elaborado com base em dados das secretarias estaduais de segurança pública obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Segundo a Rede de Observatórios da Segurança, as informações passam por validação para identificar eventuais inconsistências. A pesquisa adota o critério do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que considera a população negra como a soma de pessoas pretas e pardas.

Mortes de pessoas negras são maioria

Nos últimos sete anos, o Maranhão registrou 628 mortes de pessoas negras provocadas por policiais, o equivalente a 92,2% das vítimas com raça identificada, segundo o estudo. O percentual supera a participação da população negra no estado, que representa 79% dos habitantes.

Ainda de acordo com o levantamento, a Polícia Militar foi responsável por 83,1% dos óbitos registrados no Maranhão no período analisado. O Imirante aguarda posicionamento da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP).

2025 teve maior número da série histórica

O estudo também aponta que o Maranhão registrou, em 2025, o maior número de mortes provocadas por intervenções policiais de toda a série histórica analisada. Foram 142 casos no ano passado, contra 76 em 2024, o que representa aumento de 86,8%.

Segundo a Rede de Observatórios da Segurança, esse crescimento está associado à interiorização de facções criminosas originárias do Sudeste, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com a pesquisa, esses grupos passaram a disputar e controlar rotas de escoamento em parceria com facções locais.

Número de vítimas de mortes decorrentes de intervenção policial por idade no Maranhão

0 a 11 anosNenhuma morte
12 a 17 anos16 mortes
18 a 29 anos80 mortes
30 a 39 anos28 mortes
40 a 49 anos8 mortes
50 a 59 anos2 mortes
60 anos ou mais1 morte
Não informado7 mortes

Fonte: Rede de Observatórios da Segurança

Jovens concentram maior parte das vítimas

O perfil das vítimas mostra que a letalidade policial atinge principalmente os mais jovens. Segundo o levantamento, 67,6% dos mortos tinham até 29 anos. Na faixa etária, foram registradas 16 mortes de adolescentes de 12 a 17 anos e 80 de jovens de 18 a 29 anos. Entre pessoas de 30 a 39 anos, houve 28 casos.

A pesquisa também mostra concentração territorial dessas ocorrências. Segundo o estudo, 50,7% das mortes registradas no estado aconteceram em apenas 11 municípios. Embora o Maranhão tenha 217 cidades, cerca de 40% dos casos foram contabilizados em somente 35 municípios, muitos deles com menos de 15 mil habitantes.

Número de vítimas de mortes decorrentes de intervenção policial por raça no Maranhão

AmarelaNenhuma morte
Branca5 mortes
IndígenaNenhuma morte
Não informado78 mortes
Negra59 mortes
Parda47 mortes
Preta12 mortes

Fonte: Rede de Observatórios da Segurança

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