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Rogério Moreira Lima
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COLUNA
Rogério Moreira Lima
Engenheiro e professor da Uema, é embaixador da Abracopel, especialista da Abee Nacional e diretor da Abtelecom e da AMC.
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Engenharia de Segurança do Trabalho e a Nova NR-10: os novos desafios da saúde e segurança ocupacional

Por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, a UEMA está com inscrições abertas para a nova edição do curso.

Rogério Moreira Lima

Engenharia de Segurança do Trabalho e a Nova NR-10: os novos desafios da saúde e segurança ocupacional
Engenharia de Segurança do Trabalho e a Nova NR-10: os novos desafios da saúde e segurança ocupacional (Reprodução)

Em um cenário onde segundos podem separar uma operação segura de um acidente grave, a Engenharia de Segurança do Trabalho deixou de ser apenas uma especialização complementar para se tornar uma necessidade estratégica para o desenvolvimento da engenharia moderna. Esse contexto torna especialmente relevante a abertura de uma nova turma da Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Universidade Estadual do Maranhão.

Por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, a UEMA está com inscrições abertas para a nova edição do curso, reafirmando seu compromisso com a qualificação de profissionais em uma área cada vez mais essencial para o mercado e para a sociedade. As inscrições foram prorrogadas até o dia 4 de julho de 2026, ampliando a oportunidade para os profissionais interessados em ingressar na especialização. Os candidatos podem realizar sua inscrição por meio do link oficial do processo seletivo da UEMA: https://sis.sig.uema.br/sigaa/public/processo_seletivo/lista.jsf?nivel=L&aba=p-lato.

Na nossa visão, discutir Engenharia de Segurança do Trabalho em 2026 é discutir o futuro da própria engenharia. Isso porque a complexidade dos ambientes técnicos mudou profundamente nos últimos anos. Redes elétricas tornaram-se mais inteligentes, a infraestrutura de telecomunicações expandiu-se de forma acelerada, sistemas fotovoltaicos cresceram em larga escala, data centers multiplicaram-se, processos industriais tornaram-se mais automatizados e a mobilidade elétrica já faz parte da realidade do mercado.

Nesse novo contexto, os riscos ocupacionais também evoluíram.

Os acidentes de trabalho continuam representando um grave problema no Brasil, gerando impactos humanos, sociais e econômicos expressivos. Além das perdas irreparáveis para trabalhadores e suas famílias, os acidentes afetam a produtividade, elevam custos operacionais e comprometem a competitividade das organizações. Por isso, cresce a necessidade de profissionais capazes de identificar, avaliar, prevenir e controlar riscos de forma cada vez mais sofisticada.

O curso ofertado pela UEMA é destinado a profissionais graduados em Engenharias e Arquitetura e será realizado no Centro de Ciências Tecnológicas, no Campus Paulo VI, em São Luís. Com carga horária de 690 horas, distribuídas em 23 disciplinas, além do Trabalho de Conclusão de Curso, a especialização possui duração de 18 meses. As aulas ocorrerão às quartas-feiras no turno noturno e aos sábados nos turnos matutino e vespertino.

A grade curricular demonstra uma formação robusta, incluindo disciplinas como Riscos Elétricos, Proteção contra Incêndios e Explosões, Gerenciamento de Riscos, Ergonomia, Legislação e Normas Técnicas, além de conteúdos voltados à elaboração de GRO, PGR, PPP e laudos periciais.

Entretanto, é importante destacar que a Engenharia de Segurança do Trabalho possui caráter essencialmente multidisciplinar, atendendo diferentes modalidades da engenharia.

Na Engenharia Civil, a segurança está diretamente associada à estabilidade estrutural, segurança em canteiros de obras, escavações, fundações, movimentação de cargas, trabalho em altura e prevenção de colapsos estruturais. Em obras de infraestrutura, edificações verticais, pontes e grandes empreendimentos, falhas de segurança podem produzir consequências catastróficas.

Na Engenharia Mecânica, os desafios incluem segurança em máquinas e equipamentos, prevenção de falhas mecânicas, análise de integridade estrutural, vasos de pressão, caldeiras, sistemas térmicos, manutenção industrial e controle de riscos relacionados a partes móveis e energia mecânica armazenada. Em ambientes industriais, a correta gestão desses riscos é fundamental para prevenir acidentes graves e interrupções operacionais.

Na Engenharia Elétrica destaque para as mudanças regulatórias mais relevantes de 2026 para a área de Saúde e Segurança do Trabalho está a atualização da Norma Regulamentadora nº 10 (NR-10), que estabelece requisitos e condições mínimas para garantir a segurança em instalações e serviços em eletricidade.

A nova NR-10 representa uma importante modernização da gestão de riscos elétricos no Brasil. A norma fortalece a integração com o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e com o Programa de Gerenciamento de Riscos, ampliando a exigência de uma abordagem mais preventiva, sistêmica e baseada em análise contínua de perigos.

Entre as principais novidades estão o fortalecimento da análise de risco de arco elétrico, maior rigor técnico na definição de medidas de proteção coletiva e individual, além de novos requisitos de capacitação para trabalhadores expostos a riscos elétricos.

Merece destaque especial a inclusão de exigências relacionadas ao treinamento de trabalhadores de telecomunicações que atuam em infraestruturas compartilhadas com o sistema elétrico, realidade cada vez mais presente em postes compartilhados, redes de fibra óptica, small cells para 4G e 5G, data centers e demais infraestruturas críticas.

Nesse contexto, a Engenharia Elétrica assume papel estratégico, especialmente em atividades relacionadas à análise de riscos elétricos, estudos de energia incidente, coordenação e seletividade da proteção, bem como na definição de medidas de mitigação para riscos de choque e arco elétrico.

A modernização da NR-10 também evidencia uma transformação importante da engenharia contemporânea: energia e telecomunicações deixaram de ser universos isolados e passaram a operar de forma cada vez mais integrada.

Hoje, o compartilhamento de infraestrutura entre redes elétricas e redes de telecom é uma realidade consolidada no Brasil. Essa convergência tecnológica amplia significativamente a complexidade dos riscos ocupacionais.

Outro tema de enorme relevância nas discussões da Nova NR-10 é o fortalecimento das medidas de prevenção relacionadas ao arco elétrico, fenômeno que representa um dos riscos mais severos em instalações elétricas.

Diferentemente do choque elétrico convencional, o arco elétrico pode liberar energia térmica extrema em frações de segundo, podendo atingir temperaturas superiores a 19 mil graus Celsius, comparáveis ou superiores à temperatura da superfície solar. Seus efeitos incluem ondas de pressão, radiação térmica intensa, queimaduras graves, danos auditivos, lesões oculares e projeção de partículas metálicas incandescentes.

Esse risco é particularmente crítico em subestações, centros de controle de motores, painéis energizados, data centers e instalações elétricas compartilhadas com sistemas de telecomunicações.

Por isso, a Nova NR-10 reforça temas como análise de energia incidente, definição de distâncias seguras, especificação adequada de EPCs e EPIs com proteção contra arco elétrico, além da adoção de medidas de engenharia voltadas à mitigação desse risco.

Além da formação técnica, há também uma dimensão institucional frequentemente negligenciada: o reconhecimento formal dessa qualificação perante o sistema profissional.

Não basta que uma pós-graduação seja apenas reconhecida academicamente. Para fins de exercício profissional no Sistema CONFEA/CREA, o cadastro do curso no conselho profissional possui importância decisiva.

Conforme consulta ao cadastro institucional do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Maranhão, o curso de Engenharia de Segurança do Trabalho da UEMA encontra-se regularmente cadastrado no sistema profissional.

O curso está vinculado ao título profissional 4240100, Engenheiro de Segurança do Trabalho, com atribuições correspondentes ao Artigo 4º da Resolução CONFEA nº 359/1991.

Esse detalhe possui enorme impacto prático. Quando um curso não está devidamente cadastrado no Sistema CONFEA/CREA, o egresso pode enfrentar dificuldades para requerer a anotação formal de seu novo título profissional junto ao CREA. Isso pode criar obstáculos para emissão de ARTs, elaboração de laudos técnicos, atuação em perícias, consultorias especializadas, composição de SESMT e participação em processos licitatórios que exijam habilitação específica em Segurança do Trabalho.

No caso da UEMA, o cadastro regular do curso oferece maior segurança jurídica e profissional aos futuros especialistas, reduzindo entraves administrativos e fortalecendo o reconhecimento formal da qualificação obtida.

Em um mercado cada vez mais exigente, qualificação acadêmica e regularidade profissional precisam caminhar juntas. Não basta apenas possuir conhecimento técnico. É fundamental que esse conhecimento esteja respaldado pelas estruturas regulatórias que legitimam o exercício profissional.

Mais do que formar especialistas, a nova turma da UEMA contribui para fortalecer a cultura de prevenção no Maranhão e no Brasil.

Temos defendido há anos que a engenharia do futuro será cada vez mais interdisciplinar, conectando energia, telecomunicações, construção civil, sistemas mecânicos, segurança, digitalização e infraestrutura crítica. Nesse novo ambiente, segurança deixa de ser uma camada adicional e passa a ser parte da própria concepção da engenharia.

A engenharia do futuro não pode ser pensada sem segurança. E a segurança, por sua vez, exige conhecimento, especialização e compromisso ético com a proteção da vida.

Investir em Segurança do Trabalho significa investir em engenharia de qualidade, produtividade sustentável e, sobretudo, na preservação do maior patrimônio de qualquer organização: as pessoas.

Colaboração Técnica: Engenheiro Civil, Engenheiro Mecânico e Engenheiro de Segurança do Trabalho Elson Moraes, Doutor em Engenharia Mecânica, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e presidente em exercício do CREA-MA.


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