No Brasil

Acidentes com motos aumentam e elevam o número de pessoas com invalidez permanente

Especialistas alertam que o excesso de velocidade, as ultrapassagens perigosas, o uso do celular durante a condução e a deficiência na fiscalização contribuem diretamente para o aumento dos acidentes.

Imirante.com

Atualizada em 19/06/2026 às 16h51
Em 71% dos municípios brasileiros, os sinistros de trânsito já provocam mais mortes do que as armas de fogo.
Em 71% dos municípios brasileiros, os sinistros de trânsito já provocam mais mortes do que as armas de fogo. (Foto: Reprodução)

MARANHÃO - O crescimento dos acidentes envolvendo motocicletas tem gerado um grave impacto na saúde pública do estado. Além do aumento no número de mortes, cresce também a quantidade de pessoas que ficam com sequelas permanentes e incapacitantes após colisões e quedas.

De acordo com informações do sistema que monitora a saúde do Maranhão, os acidentes com motocicletas seguem entre as principais causas de internações e mortes no trânsito, atingindo principalmente homens jovens na faixa etária de 20 a 39 anos.

A situação se agravou com a expansão do transporte de passageiros por motocicletas e dos serviços por aplicativos, atividades que frequentemente expõem os condutores a longas jornadas de trabalho, pressão por produtividade e comportamentos de risco no trânsito.

Levantamento da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) revela que cerca de um terço das vítimas de acidentes com motos desenvolve sequelas permanentes. Entre os casos mais graves, são registradas deformidades físicas, limitações motoras e até amputações, comprometendo a capacidade de trabalho e a qualidade de vida dos sobreviventes.

Especialistas alertam que o excesso de velocidade, as ultrapassagens perigosas, o uso do celular durante a condução e a deficiência na fiscalização contribuem diretamente para o aumento dos acidentes. 

Dados nacionais apontam um cenário semelhante ao observado no estado. De acordo com informações divulgadas pela imprensa nacional, entre 2019 e 2024 houve um aumento de 38% nas mortes de motociclistas no Brasil. Esse avanço está diretamente relacionado a fatores estruturais e socioeconômicos, com destaque para a expansão dos serviços de entrega e transporte por aplicativos, incluindo os mototáxis.

Em 71% dos municípios brasileiros, os sinistros de trânsito já provocam mais mortes do que as armas de fogo.

Traumas e sequelas
Pesquisa da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) traçou um panorama dos traumas decorrentes desses acidentes, revelando que cerca de 33,9% das vítimas de acidentes com motocicletas atendidas em serviços de ortopedia passam a conviver com sequelas permanentes e algum grau de invalidez. 

Entre os pacientes que desenvolvem sequelas graves, 69,5% apresentam deformidades visíveis, 67,4% permanecem com déficit motor e 35,8% necessitam de amputações.

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