Nuvem funil

Entenda o princípio de tornado que destelhou imóveis e causou estragos em São Luís

Fenômeno durou cerca de cinco minutos na tarde de sexta-feira, afetando bairros como Tirirical e São Cristóvão; meteorologistas explicam as causas.

Imirante.com

Atualizada em 23/05/2026 às 12h32

SÃO LUÍS – Um princípio de tornado atingiu a cidade de São Luís na tarde de sexta-feira (22), por volta das 14h50, provocando danos estruturais em imóveis e queda de árvores. O fenômeno meteorológico teve duração aproximada de cinco minutos e concentrou-se inicialmente na região dos bairros São Cristóvão e Tirirical. 

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Logo após a ventania, uma forte chuva atingiu grande parte da capital maranhense, gerando pontos de alagamento em diversas avenidas. Imagens registradas por moradores e compartilhadas em redes sociais mostram a força do vento e os prejuízos materiais causados em estabelecimentos comerciais e residências.

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No bairro Tirirical, a cobertura de uma residência foi totalmente removida pela força do vento, e outras casas na vizinhança tiveram os telhados parcialmente danificados. Na Avenida Guajajaras, a fachada e uma parte da cobertura do Shopping Marajó desabaram. O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil Estadual foram acionados e interditaram o local. Segundo as equipes de resgate, a estrutura afetada era composta por zinco e metalom, e não houve registro de feridos. Os funcionários das lojas localizadas abaixo da área afetada foram orientados a deixar o prédio por medida de segurança.

Princípio de tornado atinge São Luís, destelha casas e Estabelecimentos comerciais; entenda o fenômeno — Foto: Reprodução/Redes sociais
Princípio de tornado atinge São Luís, destelha casas e Estabelecimentos comerciais; entenda o fenômeno — Foto: Reprodução/Redes sociais

Trabalhadores e comerciantes da região relataram que as rajadas de vento começaram de forma repentina, antes do início da chuva. Na Avenida Guajajaras, vendedores ambulantes tentaram conter suas mercadorias para evitar que fossem levadas pela ventania. Relatos locais apontam que a velocidade do fenômeno impediu que as pessoas guardassem os materiais expostos a tempo. Além dos comércios, o prédio da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos de São Luís, também situado no Tirirical, sofreu danos em parte do telhado.

Registros de danos e impactos no trânsito

Os impactos da ventania também foram identificados em outras regiões da cidade. No bairro Araçagi, a estrutura de um posto de combustíveis foi danificada, enquanto na Avenida dos Franceses ocorreu a queda de pelo menos duas árvores. Após a dissipação do vento, o volume de chuva causou inundações em vias arteriais da capital. O trânsito ficou retido na Curva do Noventa, e o acúmulo de água bloqueou o acesso ao bairro Vinhais, além de interromper o fluxo nos dois sentidos da Avenida Jerônimo de Albuquerque. No Mercado Central, a água invadiu estabelecimentos comerciais, gerando transtornos para os lojistas.

Condições climáticas locais favoreceram a instabilidade

De acordo com o Laboratório do Núcleo Geoambiental da Universidade Estadual do Maranhão, a instabilidade atmosférica foi motivada pelo forte aquecimento térmico registrado na Ilha de São Luís nos últimos dias, em conjunto com a proximidade do Oceano Atlântico. 

O meteorologista Márcio Eloy explicou que esse contraste de temperatura favorece a formação rápida de sistemas convectivos, que costumam vir acompanhados de rajadas de vento, descargas elétricas e nuvens funil. A análise das imagens de satélite indicou que o evento foi gerado por fatores estritamente locais, sem a influência de sistemas maiores, como a Zona de Convergência Intertropical. A previsão do tempo indica que a ocorrência de pancadas de chuva deve persistir durante o fim de semana.

Classificação técnica do fenômeno meteorológico

O fenômeno foi classificado por especialistas como um princípio de tornado ou nuvem funil. O professor Juarez Mota Pinheiro, doutor em Geografia Física pela Universidade de São Paulo e docente da Universidade Federal do Maranhão, esclareceu que as imagens confirmam a rotação dos ventos na base da nuvem, mas sem que a coluna giratória tenha tocado o solo. Para ser caracterizado tecnicamente como um tornado, o cone de vento precisa fazer contato com a superfície terrestre, o que não ocorreu neste caso, resultando na dissipação do sistema ainda na atmosfera.

O especialista também afastou a hipótese de ocorrência de um ciclone, argumentando que esse tipo de fenômeno meteorológico apresenta uma escala muito maior, que afetaria toda a ilha, e não possui precedentes na literatura acadêmica para regiões equatoriais. Apesar da gravidade dos danos materiais observados nas estruturas urbanas, a estação meteorológica do Aeroporto Internacional de São Luís registrou ventos de 11 km/h no momento do monitoramento, o que demonstra que as rajadas mais intensas foram pontuais e localizadas, estimadas abaixo dos 80 km/h.

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