Vítor Sardinha
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Vítor Sardinha
Vítor Sardinha é escritor e tabelião no Maranhão e pós-graduado em Direito. Assina coluna dedicada à reflexão sobre o tempo presente.
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Muita gente viu apenas um vídeo, um pai viu um filho.

Caso reacende debate sobre exposição nas redes sociais, responsabilização e os limites da desumanização pública.

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Caso reacende debate sobre exposição nas redes sociais, responsabilização e os limites da desumanização pública.
Caso reacende debate sobre exposição nas redes sociais, responsabilização e os limites da desumanização pública. (Divulgação)

A notícia desta semana, envolvendo o estudante exposto nas redes sociais, trouxe indignação, críticas e julgamentos rápidos. E é verdade que houve erro. Não há maturidade em transformar uma postagem em espetáculo. Há poucas justificativas para uma atitude infantil que fere a dignidade de todos de uma cidade e causa preocupação coletiva. Crescer também significa assumir consequências.

Mas talvez a discussão mais importante não esteja apenas no erro em si. Está no que acontece depois dele.

Vivemos um tempo em que as pessoas perderam o direito de falhar sem serem destruídas. A internet já não observa. Ela caça. Ela amplia. Ela transforma um momento ruim em condenação permanente. Em poucos minutos, um ser humano inteiro vira apenas um vídeo, um comentário, uma piada compartilhada nos grupos da madrugada. E talvez seja isso o mais assustador.

Porque errar nunca deixou de ser humano. O problema é que agora os erros acontecem diante de milhares de espectadores sedentos por punição.

Muita gente viu apenas um vídeo.

Um pai viu um filho!

E há uma diferença profunda entre essas duas coisas.

Nenhum pai sonha em assistir à queda de um filho diante do olhar impiedoso do mundo. Ainda assim, muitos permanecem ali, tentando recolher os pedaços que sobram depois da violência das redes sociais. Não para apagar o erro, mas para impedir que o erro vire sentença definitiva.

Porque uma pessoa não pode ser resumida ao pior instante da própria vida.

As universidades estão cheias de jovens emocionalmente cansados. Alguns sustentados por ansiedade, remédios, privação de sono e pressão constante. Gente que aprendeu a competir antes mesmo de aprender a pedir ajuda. Gente que sorri nas fotos e desaba quando a porta do quarto fecha.

Isso não elimina responsabilidade. Mas exige humanidade!

Talvez o maior sinal de maturidade de uma sociedade não seja sua capacidade de punir. Talvez seja sua capacidade de compreender sem desumanizar.

O Maranhão conhece bem a força da reconstrução. Depois das enchentes, da seca, das perdas e das despedidas, o povo daqui sempre aprendeu a seguir adiante juntando o que restou. Com dignidade. Com silêncio. Com fé.

Talvez devêssemos fazer o mesmo uns com os outros. Porque, no fim das contas, ninguém vai atirar a pedra ao lembrar que também falhou em algum momento da sua jornada da vida.


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