"DISTÚRBIO PSICOLÓGICO"

Defesa diz que empresária presa por torturar empregada pode ter transtornos mentais

O advogado de defesa da Carolina Sthela afirmou que a empresária pode ter "borderline, ou dupla personalidade" e que isso tem que ser levado em conta.

Imirante, com informações da TV Mirante

Atualizada em 12/05/2026 às 11h45
Noca estratégia da defesa vem após novas informações da perícia dos áudios. (Foto: Reprodução/TV Mirante)
Noca estratégia da defesa vem após novas informações da perícia dos áudios. (Foto: Reprodução/TV Mirante)

SÃO LUÍS - A defesa de Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, presa suspeita de agredir e torturar a empregada doméstica grávida Samara Regina, de 19 anos, alega que a empresária pode ter transtornos mentais.

“A Carolina, ela provavelmente tem algum distúrbio psicológico, ou borderline, ou dupla personalidade, e isso deve ser levado em conta”, disse o advogado de defesa Otoniel D’Oliveira Chagas.

A mudança na estratégia da defesa ocorre após a conclusão de laudos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil, que confirmaram que os áudios com supostas confissões de agressões contra Samara são da empresária.

Defesa de empresária deixou o caso

A antiga defesa deixou o caso no domingo (10), após relatar ameaças. Em depoimento, a empresária havia negado ser a autora das gravações.

A polícia aguarda o resultado da perícia em um equipamento de DVR apreendido na residência da empresária em Paço do Lumiar. O aparelho armazena imagens das câmeras internas e pode fornecer provas visuais das agressões relatadas por Samara.

Nessa segunda-feira (11), a Polícia Civil ouviu Yuri Silva do Nascimento, marido da empresária. Ele foi liberado após prestar depoimento.

Marido de Carolina disse que não está envolvido

Aos investigadores, Yuri disse que só soube do caso depois de ser chamado pelo cunhado, irmão de Carolina. Segundo o delegado Walter Wanderley, ele não estava no local, mas na mesma rua onde ocorreram as agressões, consertando a parte elétrica de um carro. O irmão de Carolina também foi ouvido pela polícia.

Carolina Sthela está presa no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. Já o policial militar Michael Bruno Lopes Santos, acusado de participar das agressões, está preso no Comando Geral da Polícia Militar.

Os dois são investigados pelos crimes de:

  • Tentativa de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima);
  • Tortura;
  • Cárcere privado;
  • Injúria, calúnia e difamação.

Carolina Sthela afirmou à Polícia Civil que o anel citado no caso estava avaliado em R$ 5 mil. Ela também disse estar grávida de três meses e ter problemas de saúde.

Como a jovem começou a trabalhar na casa da empresária

No início de abril, a jovem de 19 anos, grávida de cinco meses, aceitou trabalhar por cerca de um mês como empregada doméstica na casa de Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, em Paço do Lumiar, no Maranhão.

Segundo o relato da vítima, ela aceitou o serviço para juntar dinheiro e montar o enxoval do bebê. A jovem afirmou que começou a trabalhar sem combinar previamente o valor do pagamento com a patroa.

A rotina, conforme o depoimento, incluía limpar a casa, cozinhar, lavar e passar roupas, além de cuidar de uma criança de seis anos, filho da empresária. A jornada seria de segunda-feira a sábado, das 9h às 19h, com apenas 30 minutos de intervalo.

A acusação de furto e as agressões

No dia 17 de abril, por volta das 7h30, Carolina Sthela informou à empregada que receberia um amigo em casa. O homem foi identificado posteriormente como o policial militar Michael Bruno Lopes Santos, que, segundo a investigação, chegou armado ao local.

A empresária acusou a jovem de ter furtado um anel avaliado em R$ 5 mil. Em áudios obtidos pela TV Mirante, Carolina aparece narrando, em um grupo de aplicativo de mensagens, que a vítima teria sido submetida a mais de uma hora de agressões.

Ainda segundo os relatos, o policial militar teria colocado a arma na boca da jovem e puxado seus cabelos para forçá-la a confessar o suposto furto. A vítima contou que sofreu puxões de cabelo, socos, murros e foi derrubada no chão.

Em entrevista à TV Mirante, a jovem afirmou que tentou proteger a barriga durante as agressões. Ela estava grávida de cinco meses.

Depoimento cita anel avaliado em R$ 5 mil

Durante o depoimento prestado à Polícia Civil, Carolina Sthela declarou que o anel que teria motivado as agressões estava avaliado em R$ 5 mil.

A empresária também afirmou estar grávida de três meses e relatou problemas de saúde, como pressão alta e infecção urinária. No entanto, a polícia informou que a gestação ainda não foi confirmada.

Na quinta-feira (7), ela foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para realização de exames, mas o resultado ainda não havia sido divulgado.

A defesa da empresária informou que pretende solicitar prisão domiciliar, alegando questões de saúde, gravidez e a necessidade de cuidar do filho.

Empresária é investigada por cinco crimes

Caso ganhou repercussão nacional após divulgação de áudios atribuídos à investigada. Vítima, de 19 anos, estava grávida de cinco meses e teria sido agredida dentro da casa onde trabalhava.

Segundo a Polícia Civil, Carolina Sthela é investigada pelos crimes de tentativa de homicídio triplamente qualificado, cárcere privado, calúnia, difamação e injúria.

A tipificação de tentativa de homicídio triplamente qualificado considera agravantes como motivo torpe, uso de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.

O delegado-geral da Polícia Civil, Augusto Barros, afirmou que as investigações continuam e que outros elementos do inquérito ainda serão analisados nos próximos dias.

“A gente está trabalhando com as investigações técnicas que estão sendo realizadas dentro da investigação criminal. A investigação está em curso, apesar da gente ter muitos dados que estão postos e apresentados à sociedade, ainda há outros que dependem de confirmação e que devem acontecer nos próximos dias”, declarou o delegado.

Prisão aconteceu no Piauí

De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), Carolina Sthela foi presa enquanto tentava fugir. Ela foi localizada em um posto de combustíveis em Teresina, próximo à sede da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI). A defesa nega que ela estivesse fugindo.

Segundo a Polícia Civil do Piauí, a empresária estava hospedada na casa de familiares na capital piauiense e vinha sendo monitorada.

O diretor de inteligência da Polícia Civil, delegado Yan Brayner, afirmou que Carolina abastecia o veículo com a intenção de possivelmente deixar o estado. Ainda segundo ele, o marido e o filho de seis anos da empresária estavam no carro no momento da abordagem.

A advogada Nathaly Moraes afirmou que Carolina estava no Piauí porque não tinha familiares no Maranhão com quem pudesse deixar o filho de seis anos e, por isso, teria levado a criança para ficar sob os cuidados de pessoas de confiança.

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