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Ex monitorava redes sociais e não aceitava novo relacionamento de estudante morta no Paraguai

Suspeito relatou ciúmes e desconfiança em depoimento; crime ocorreu dentro do apartamento da vítima, em Ciudad del Este.

Imirante.com

Atualizada em 05/05/2026 às 13h56
Vitor Rangel segue no Complexo de Pedrinhas após confessar crime. (César Hipólito/TV Mirante)
Vitor Rangel segue no Complexo de Pedrinhas após confessar crime. (César Hipólito/TV Mirante)

SÃO LUÍS – Vitor Rangel Aguiar, de 27 anos, que confessou ter matado a estudante de medicina Julia Vitória Sobierai Cardoso, no Paraguai, afirmou em depoimento à Polícia Civil do Maranhão que monitorava as redes sociais da vítima e cometeu o crime por não aceitar o novo relacionamento da jovem. 

O suspeito se apresentou espontaneamente na manhã da última segunda-feira (4), na Casa da Mulher Brasileira, em São Luís, acompanhado de advogados. Ele foi ouvido por cerca de três horas no Departamento de Feminicídio.

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Segundo a delegada Wanda Moura, responsável pelo caso, o investigado alegou ciúmes e desconfiança. “Ele disse que estava com ciúmes, que estava desconfiando de que a vítima já estivesse em outro relacionamento e alega alguns lapsos de memória, não sabendo esclarecer todo passo a passo do crime. Mas, no final, ele confessa”, relatou.

A defesa também reforçou essa motivação. “Esse sentimento de pertencimento, de dono, que é isso o que interfere na relação. Segundo relato dele, ela tinha terminado o relacionamento com ele e estava com um relacionamento com outra pessoa e continuando tendo um contato esporádico com ele”, afirmou o advogado Pedro Jarbas.

Entenda o crime

O crime ocorreu no dia 24 de abril, dentro do apartamento onde Julia morava com uma amiga, em Ciudad del Este, no Paraguai. De acordo com as investigações, Vitor entrou rapidamente no prédio, ação registrada por câmeras de segurança, e utilizou uma chave que possuía sem o conhecimento da vítima. Veja abaixo imagens da câmera de segurança:

Em depoimento, ele afirmou ter enforcado Julia, além de agredi-la com golpes de tesoura e faca. A polícia detalha a violência: “Ele enforcou a vítima, a torturou com vários golpes, mais de 50 golpes de tesoura pequena na região do pescoço e depois a esfaqueou. Então, foram horas de sofrimento infligidas a essa vítima”, declarou a delegada.

Dados do Ministério Público do Paraguai apontam que Julia foi atingida por 58 golpes de tesoura de unha e sete facadas, além de ter sido estrangulada.

Prisão e julgamento no Brasil

Após o crime, Vitor deixou o Paraguai e chegou a São Luís seis dias depois. Como o mandado de prisão internacional expedido pelas autoridades paraguaias não tem validade no Brasil, a Polícia Civil do Maranhão instaurou um novo inquérito e solicitou a prisão temporária do suspeito, que foi aceita pela Justiça.

“Ao saber que ele havia ingressado no território nacional, mais especificamente em São Luís, comecei a investigar o caso e entrei em contato com as autoridades do Paraguai, que repassaram todas as informações levantadas lá”, explicou Wanda Moura.

A prisão foi mantida durante audiência de custódia, e Vitor foi encaminhado ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Ele responderá por feminicídio conforme a legislação brasileira.

Quem era Julia Vitória

 
 

Natural de Chapecó (SC) e criada em Navegantes, Julia vivia no Paraguai desde 2025, onde cursava medicina na Universidad de la Integración de las Américas (Unida). Segundo amigos, a mudança foi motivada pelo sonho de se tornar pediatra.

As investigações seguem sob responsabilidade do Departamento de Feminicídio do Maranhão.

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