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COLUNA
Rogério Moreira Lima
Engenheiro e professor da Uema, é embaixador da Abracopel, especialista da Abee Nacional e diretor da Abtelecom e da AMC.
Rogério Moreira Lima

Academia Maranhense de Ciências em destaque na reunião do CAL-FIEMA

FIEMA promove debate em São Luís sobre impactos da tensão entre EUA e Irã na energia e fertilizantes.

Rogério Moreira Lima

FIEMA promove debate em São Luís sobre impactos da tensão entre EUA e Irã na energia e fertilizantes.
FIEMA promove debate em São Luís sobre impactos da tensão entre EUA e Irã na energia e fertilizantes. (Divulgação)

A Federação das Indústrias do Estado do Maranhão, por meio do Conselho Temático de Assuntos Legislativos da FIEMA, promoveu, em São Luís, um debate oportuno sobre os impactos da crescente tensão entre Estados Unidos e Irã, tema que vem repercutindo de forma direta nos mercados globais de energia e fertilizantes.


A reunião, que contou com a participação do Centro das Indústrias do Estado do Maranhão e da Academia Maranhense de Ciências, evidencia a relevância de se tratar, em ambiente institucional qualificado, questões que extrapolam o campo internacional e passam a influenciar decisões econômicas e estratégicas no âmbito regional.


Conduzido por Cláudio Azevedo, o encontro teve como eixo central a compreensão da nova configuração geopolítica e seus reflexos sobre a segurança energética, tema que assume caráter cada vez mais sensível diante da instabilidade no Oriente Médio.


O painel técnico contou com a contribuição do imortal Dr. Allan Kardec Duailbe Barros Filho, presidente da GASMAR e titular da cadeira nº 22 da Academia Maranhense de Ciências, e de Ronaldo Carmona. Também participou do debate o membro colaborador da Academia Maranhense de Ciências, Edson Costa.


Engenheiro eletricista, egresso da Universidade Federal do Maranhão, o Dr. Allan Kardec Duailbe Barros Filho possui mestrado em Information Engineering pela Toyohashi University of Technology (1995) e doutorado pela Universidade de Nagoya (1998), além de pós-doutorado pelo RIKEN. Atualmente é professor titular da UFMA, onde já orientou mais de 60 alunos em nível de mestrado e doutorado, inclusive no âmbito da Rede Nordeste de Biotecnologia. Possui mais de 200 publicações em periódicos, conferências internacionais e livros, tendo atuado em diversos projetos de pesquisa nas áreas de energia e engenharia, incluindo o PRONEX. Atua como consultor da CAPES e de outras agências, além de revisor de periódicos científicos de referência internacional. Já exerceu os cargos de pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da UFMA e de diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.


A participação do Dr. Allan Kardec Duailbe Barros Filho evidenciou, de forma consistente, a contribuição técnica da Academia Maranhense de Ciências na qualificação do debate.


Ao se avançar na análise, observa-se que o conflito não se limita à sua dimensão militar. Trata-se, na realidade, de um evento com forte repercussão sobre rotas estratégicas de energia, como o Estreito de Ormuz, cuja relevância para o abastecimento global de petróleo e gás é amplamente reconhecida.


Nesse contexto, a elevação dos preços internacionais dos combustíveis surge como um efeito imediato, mas não isolado. Há um desdobramento mais amplo, que atinge cadeias produtivas inteiras, especialmente aquelas dependentes de insumos energéticos e petroquímicos, com impacto direto sobre a inflação e sobre o custo dos alimentos.


Sob essa perspectiva, o Dr. Allan Kardec Duailbe Barros Filho destacou dois vetores principais. O primeiro, de natureza conjuntural, relacionado ao aumento dos preços de gasolina, diesel e gás. O segundo, de caráter estrutural, associado à desorganização da cadeia petroquímica, com reflexos relevantes na produção de fertilizantes.


Some-se a isso o fato de que a recomposição de infraestruturas energéticas afetadas por conflitos, como refinarias, demanda tempo e elevados investimentos, o que projeta efeitos prolongados sobre a economia global.


Ainda que inserido nesse cenário de instabilidade, o Brasil apresenta condições relativamente mais favoráveis, sobretudo em razão de sua autossuficiência em petróleo e da diversificação de sua matriz energética. Esse aspecto, embora não elimine os impactos, contribui para maior resiliência diante de choques externos.


É nesse ponto que a discussão avança para uma dimensão estratégica. A Margem Equatorial passa a ser compreendida não apenas como uma oportunidade, mas como elemento relevante para o fortalecimento da segurança energética nacional, com reflexos diretos sobre o desenvolvimento regional.


Para o Maranhão, em particular, essa agenda assume contornos ainda mais significativos. A combinação entre localização geográfica, infraestrutura logística e potencial de exploração posiciona o estado de forma diferenciada nesse novo cenário.


A presença da Academia Maranhense de Ciências no debate reforça um aspecto central: a necessidade de que decisões dessa natureza estejam ancoradas em conhecimento técnico e científico. Em ambientes de elevada complexidade, a engenharia e a ciência deixam de ser apenas suporte e passam a orientar, de forma decisiva, a construção de soluções.


A iniciativa da FIEMA, com a participação do CIEMA e da Academia Maranhense de Ciências, demonstra que o enfrentamento de desafios globais exige, cada vez mais, articulação institucional, capacidade analítica e visão estratégica, elementos indispensáveis para transformar incertezas em oportunidades de desenvolvimento.


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