Transporte Público

STF vai julgar lei sobre subsídio do transporte público em São Luís

STF vai julgar lei sobre subsídio do transporte em São Luís e pode manter ou derrubar regra de compensação durante greves

Ipolítica

STF vai julgar lei sobre subsídio do transporte em São Luís
STF vai julgar lei sobre subsídio do transporte em São Luís (Foto: Juvêncio Martins/TV Mirante)

SÃO LUÍS – O Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar, a partir da próxima sexta-feira (1), a lei sobre subsídio do transporte público em São Luís que trata da compensação financeira entre o município e as empresas de transporte durante os períodos de greve. A análise pode confirmar ou derrubar decisão liminar que suspendeu parte da norma.

O julgamento será feito no plenário virtual da Corte e segue até o dia 11 de maio, quando os ministros encerram a votação.

O que está em discussão

O caso envolve decisão individual do ministro Nunes Marques, que suspendeu uma parte da lei municipal que permitia a compensação financeira entre a prefeitura e as empresas de ônibus.

A suspensão foi parcial. O ministro entendeu que a contratação emergencial de serviços, como transporte por aplicativo durante greve, não é necessariamente irregular.

Por outro lado, ele apontou um problema na parte da lei que permitia a retenção de valores das empresas sem um procedimento administrativo prévio, o que poderia prejudicar o direito de defesa.

O que diz a lei

A legislação municipal, aprovada em 2025, alterou regras do transporte coletivo urbano em São Luís.

Entre as medidas, permitiu que a prefeitura contratasse, em caráter emergencial, outros serviços de transporte quando a frota mínima de 60% não fosse mantida durante as greves.

Também autorizava mecanismos de compensação financeira com as empresas concessionárias.

Foi justamente esse ponto que acabou suspenso pelo STF.

Questionamento da CNT

A ação foi apresentada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), que questionou a legalidade da norma.

A entidade argumenta que a lei municipal tratou de temas que deveriam ser definidos pela União, como regras gerais de transporte público e contratos.

Também criticou a possibilidade de retenção de valores das empresas, alegando que isso poderia gerar insegurança jurídica.

Contexto da crise no transporte

A lei que trata do subsídio do transporte em São Luís é apontada como um dos fatores ligados à crise recente no sistema da capital.

Neste mês de abril, a cidade registrou saída de empresas, redução da frota e aumento do tempo de espera para passageiros, principalmente em bairros como o Cohatrac.

O cenário envolve ainda atrasos no pagamento de subsídios, dívidas acumuladas, reajustes salariais não pagos e sucessivas paralisações.

Diante da situação, a Justiça chegou a bloquear valores para tentar reestruturar o sistema de transporte público.

Andamento do processo

Ao tomar a decisão, o ministro determinou que fossem solicitadas informações à Prefeitura de São Luís e à Câmara Municipal no prazo de 10 dias.

Também pediu manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) em cinco dias.

Agora, o tema será analisado pelos ministros da Segunda Turma do STF, formada por Dias Toffoli, Luiz Fux, Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes.

O que pode mudar

A decisão do STF pode manter ou derrubar de vez o trecho da lei que trata da compensação financeira.

O resultado deve influenciar diretamente a forma como o município lida com crises no transporte durante as paralisações.

Também pode impactar futuras regras sobre o subsídio do transporte em São Luís.

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