(Divulgação)
COLUNA
Curtas e Grossas
José Ewerton Neto é poeta, escritor e membro da Academia Maranhense de letras.
Curtas e Grossas

As palavras que faltam

“ ... porque se fôssemos ilungas...coitados deles!”

José Ewerton Neto

 
 

Quantas palavras existem na língua portuguesa? Infinitas, porém, por maior que seja um dicionário que caiba todas elas, será insuficiente.

Sim, porque traduzir o universo de tudo o que se diz ou se escreve não é para qualquer livro, mesmo gigantesco. Principalmente, sabendo-se que há um outro universo de palavras que não foram ditas ainda, nem escritas e, em alguns casos, sequer pensadas.

Foi por isso que anos atrás a editora Conrad lançou o oportuno livro Tingo, o incrível dicionário das palavras que a gente não tem. 

Vejamos um breve exemplo de algumas que nos fazem falta. Muita falta.

1.Scrotarsi (italiano)

Significa ir embora de algum lugar por não suportar a presença de alguém.

Quantas vezes vamos embora de um lugar e não temos uma palavra única para explicar o porquê. De repente sumimos, e se alguém nos perguntar a razão falta a palavra.

Como seria mais simples se tivéssemos à mão a palavra Scrotarzi! Do jeito que as coisas estão — neste país tão abarrotado de gente escrota — essa expressão pouparia até carta de suicídio: Bastaria dizer: Scrotei-me! E ponto final.

2.Cazar (espanhol)

A palavra quer dizer chutar o adversário em vez de chutar a bola.

Enquanto a palavra que temos (casar) está ficando cada dia mais fora de moda, a palavra parecida (cazar) do idioma Espanhol, está ficando cada vez mais comum. Na seleção brasileira, outrora reduto de craques, o que mais existe são jogadores botineiros mais preocupados em chutar o adversário do que a bola. São cazadores profissionais, ganham rios de dinheiro com isso, vivem cercados de mulheres por causa da grana, e fingem que são casadores, ao invés de cazadores.

3.Ilunga (em tishilumba)

Ilunga é quem perdoa uma ofensa, tolera uma segunda, mas jamais a terceira.

A bem da verdade, no nosso Brasil não dá para ser Ilunga. Desde que nascemos somos condenados a perdoar a primeira, a segunda, a terceira... e assim indefinidamente. Aprende-se isso no trânsito, nas escolas, no trabalho, até ficarmos catedráticos em perdoar. Brasileiro, profissão: Perdoador. No Brasil se perdoa tudo: de chifre a político, de amigos a inimigos passando por marginais, juízes de futebol e VAR.

Estamos tão acostumados a perdoar que perdoamos antecipadamente a porrada que vai cair no nosso lombo, depois. Como, aliás, repetimos todo dia na nossa demonstração de fé (O Padre Nosso) que rezamos todos os dias: ...” Assim como nós perdoamos aos nossos devedores. ”

Dessa forma, nossa sina até o final dos tempos vai ser sempre perdoar sucessivas vezes porque se fôssemos ilungas...coitados deles!


As opiniões, crenças e posicionamentos expostos em artigos e/ou textos de opinião não representam a posição do Imirante.com. A responsabilidade pelas publicações destes restringe-se aos respectivos autores.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.