Para além da Guerra fria
Da diplomacia à ameaça, o mundo revive uma nova Guerra Fria marcada por disputas econômicas e pela imprevisibilidade de líderes poderosos.
Quem se recorda dos tempos escolares deve saber como aconteciam as guerras entre povos com muita frequência. Bastava um líder raivoso cismar com um vizinho e lá vinha a guerra. Foi assim no tempo dos persas, dos romanos, dos gregos, dos hunos, dos mongóis etc.
Naquele universo de lutas, era natural surgirem líderes e guerreiros que se destacavam pela bravura com que combatiam. Alguns sobressaíam-se pela sabedoria, outros pela crueldade com que tratavam os povos vencidos, como Átila, rei dos hunos.
Com o avanço da civilização, a humanidade atingiu um nível mais elevado de convivência, sobressaindo-se a diplomacia em substituição às lutas. Criaram-se organismos internacionais para negociações, assinaram-se tratados de paz, tudo culminando com a criação da ONU, Organização das Nações Unidas, onde muitos problemas entre as nações são discutidos e resolvidos.
Então, veio a surpresa. Em pleno século XXI, no meio da metamorfose pela qual passa o mundo, surgiu um líder, à frente de uma grande potência militar e econômica, rugindo como um leão, querendo submeter o mundo aos seus pés.
Não satisfeito com suas inovações internas, voltou-se para brincar de alterar a geopolítica mundial, desafiando países, enfraquecendo as instituições que prestam assistência social e fazendo incursões militares onde lhe aprouver. E não é só. Com suas medidas de retrocesso está abalando o ecossistema, com medidas predatórias, violando tratados de proteção ambiental, abalando a economia das nações, tudo em nome do seu projeto de elevar a potência econômica do seu país.
Não há dúvida de que a Guerra Fria voltou – mais violenta, mais ameaçadora, mais invasiva. Desse período, lembro-me de quando era criança e adolescente, vivia assustado com a iminência de uma guerra mundial. Seria o terceiro segredo de Fátima?, discutíamos no colégio. Pela revista O Cruzeiro, líamos o desenrolar daquele período tenso que tinha a marca concreta do muro de Berlim. A diferença entre os dois momentos é que a Guerra Fria era ideológica e a atual é econômica, ambas entre dois espectros: o comunismo e o mercado.
Agora, estamos testemunhando uma repentina alteração política e ideológica no mundo e as nações voltam a ficar eriçadas com a perspectiva do que pode acontecer de uma hora para outra conforme o humor do todo-poderoso presidente americano. Basta um fato apresentar-se, real ou por dedução, e a possibilidade de uma invasão surge.
Lembremo-nos da brutal invasão do Iraque, determinada pelo Bush filho, sob argumento de que ali havia um arsenal atômico ameaçador. Após a chuva de mísseis, com mortes e destruição de peças raras do patrimônio da humanidade, verificou-se que nada havia que justificasse aquela guerra.
Com olhos ameaçadores, o sumo presidente volta-se agora para a Venezuela, a Groenlândia e para o Irã como se fossem peças do seu jogo, manipulável ao seu bel-prazer.
E o mundo estarrecido se debate diante das ameaças desse Leviatã que se levantou de onde menos se esperava: da terra da liberdade e da democracia, que sempre liderou todas as lutas pelos direitos humanos e pela paz.
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