MP pede aumento de subsídio do transporte coletivo de São Luís e renovação da frota
Ação pede aumento imediato do subsídio do transporte coletivo de São Luís, retirada de ônibus antigos e entrada de novos veículos no sistema
SÃO LUÍS – O Ministério Público do Maranhão (MPMA) ajuizou nesta sexta-feira (6) uma Ação Civil Pública com pedido de tutela de urgência para que a Prefeitura de São Luís aumente o subsídio do transporte coletivo da capital e adote medidas imediatas para renovar a frota urbana de ônibus, após a paralisação do sistema provocada pela greve dos rodoviários iniciada no dia 30 de janeiro.
A peça é assinada pela promotora Lítia Cavalcanti.O processo tramita na Vara de Interesses Difusos e Coletivos da Comarca de São Luís e tem como réus o Município de São Luís, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET), além dos consórcios Central, Via SL, Upaon Açu e a empresa Viação Primor.
Segundo o MP, a crise no transporte coletivo de São Luís tem se repetido nos últimos cinco anos, com paralisações totais do serviço e prejuízos diretos aos usuários, que passam a depender de transporte por aplicativos e enfrentam aumento do tráfego e congestionamentos na cidade.
MP pede aumento do subsídio do transporte coletivo de São Luís
Na ação, o Ministério Público solicita que a Justiça determine o aumento imediato do subsídio do transporte coletivo de São Luís em R$ 0,80, elevando o valor pago atualmente de R$ 1,35 para R$ 2,15 por passageiro transportado, a partir de fevereiro de 2026.
O MP argumenta que o valor atualmente praticado não seria suficiente para cobrir os custos do sistema, especialmente com a previsão de reajustes trabalhistas da categoria em 2026, o que poderia contribuir para novas paralisações do serviço.
Renovação do transporte coletivo de São Luís está entre os pedidos
Além do aumento do subsídio do transporte coletivo de São Luís, o MP também pede que os consórcios responsáveis pela operação do sistema sejam obrigados a colocar 100 novos ônibus em circulação, no prazo de seis meses.
A proposta prevê ainda que, neste ano, pelo menos 35% da frota nova seja equipada com ar-condicionado, com percentual mínimo de 10% a partir de 2027.
Retirada imediata de ônibus antigos do transporte coletivo de São Luís
Outro pedido apresentado é para que o Município de São Luís, o SET e os consórcios retirem imediatamente de circulação todos os veículos com mais de 10 anos de fabricação, com base em normas municipais que estabelecem limites máximos para idade da frota.
O MP destaca que a legislação municipal prevê idade máxima de 10 anos para ônibus convencionais e 12 anos para articulados, além de idade média máxima de cinco anos por concessionária.
Ação pede perícia e planilha de custos do transporte coletivo de São Luís
O Ministério Público também solicita:
- apresentação da planilha de custos usada para o cálculo da tarifa atualmente praticada
- realização de perícia judicial para atualização do custo real do serviço
- aplicação de multa diária mínima de R$ 10 mil em caso de descumprimento das determinações
De acordo com o MP, a perícia seria necessária para demonstrar o custo efetivo do serviço e embasar a política de subsídio do transporte coletivo de São Luís.
Problemas no transporte coletivo de São Luís
Na petição, o MPMA aponta reclamações recorrentes dos usuários relacionadas à qualidade do transporte coletivo de São Luís, como:
- ônibus velhos e sem manutenção
- demora nas paradas
- GPS inoperante
- superlotação em horários de pico
- valor da passagem
- falta de ônibus com ar-condicionado
O órgão afirma que a situação reflete falhas estruturais no sistema e dificuldades do poder concedente em gerir a concessão.
TRT decide pelo bloqueio das empresas por descumprimento do acordo coletivo
O Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-16) decidiu adotar medidas de bloqueio contra empresas do transporte urbano após o descumprimento do acordo coletivo que previa o fim da greve dos rodoviários. A decisão foi tomada na manhã desta sexta-feira (6), após o Tribunal ser informado de que trabalhadores encontraram os portões das garagens fechados.
De acordo com o TRT-16, o acordo coletivo já estava em vigor, o que exclui qualquer possibilidade de nova fase de conciliação. Mesmo assim, as empresas que operam o sistema urbano impediram a saída dos ônibus, contrariando o que havia sido firmado judicialmente.
TRT-16 reage ao descumprimento da greve dos rodoviários
O vice-presidente e corregedor do TRT-16, desembargador Gerson de Oliveira Costa Filho, destacou que a situação exige uma resposta imediata do Judiciário trabalhista.
Segundo ele, diante do descumprimento do acordo da greve dos rodoviários, o Tribunal vai determinar medidas de bloqueio diretamente contra as empresas responsáveis pelo sistema de transporte urbano.
Empresas podem ter bens bloqueados e sócios responsabilizados
Ainda conforme o desembargador, caso as empresas não cumpram as determinações judiciais, o TRT-16 poderá avançar para medidas mais severas.
Entre as ações previstas estão:
- Bloqueio de valores das empresas;
- Aplicação de penalidades por descumprimento judicial;
- Desconsideração da personalidade jurídica, transferindo a responsabilidade diretamente para os sócios.
Essa medida significa que, além das empresas, os proprietários podem ser pessoalmente responsabilizados pelo não cumprimento do acordo que encerrou a greve dos rodoviários.
Greve dos rodoviários impacta transporte urbano
A paralisação dos rodoviários tem causado transtornos à população que depende do transporte urbano na Grande São Luís. Mesmo após decisão judicial e acordo firmado, a situação segue instável, o que motivou a atuação mais rígida do TRT-16.
O Tribunal reforça que o acordo coletivo tem força legal e que o descumprimento não será tolerado.
Greve de ônibus deveria acabar, mas frota urbana segue parada em São Luís
Mesmo após a decisão que encerraria oficialmente a greve dos ônibus, os rodoviários do sistema urbano de São Luís não retomaram as atividades na manhã desta sexta-feira (6). Apenas os ônibus semiurbanos estão circulando, e ainda assim sem entrar nos terminais de integração.
A expectativa era de normalização do transporte público após o anúncio do fim da paralisação. Uma decisão anunciada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA) determinou para os rodoviários do sistema urbano a aplicação do mesmo reajuste salarial concedido aos do semiurbano, ou seja, 5,5%. Com isso, a categoria passaria a ter aumento de R$ 151 no salário e pouco mais de R$ 40 no tíquete-alimentação.
Ônibus semiurbanos rodam, mas não entram nos terminais
Sem a entrada dos semiurbanos nos terminais, passageiros enfrentam dificuldades para fazer integração e vivem um clima de incerteza ao sair de casa, sem garantia de conseguir completar o trajeto até o destino final.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre o horário ou as condições para a retomada total do serviço no sistema urbano da capital maranhense. A greve chega hoje ao oitavo dia.
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