saúde pública

Mães denunciam falta de diálogo da Prefeitura de São Luís sobre políticas para crianças com deficiência

Grupo afirma que prefeito prometeu reuniões e devolutivas, mas agenda nunca foi confirmada; principal demanda é transporte e acesso a terapias.

Ysabelle Ribeiro/Ipolítica

Atualizada em 06/02/2026 às 18h12
Mães reclamam ao prefeito Eduardo Braide de falta de diálogo sobre políticas inclusivas.
Mães reclamam ao prefeito Eduardo Braide de falta de diálogo sobre políticas inclusivas. (Reprodução)

SÃO LUÍS - Um vídeo que circulou nas redes sociais nesta semana, mostrou mães cobrando atenção do poder público municipal durante a agenda do prefeito Eduardo Braide em uma praça localizada no Residencial Paraíso, em São Luís, reacendeu o debate sobre a falta de diálogo da Prefeitura com famílias de crianças com deficiência.

Em entrevista concedida ao Imirante, na tarde desta quarta-feira (5), uma das mães envolvidas detalhou a situação.

Giuliana Dominices, de 25 anos, é mãe de Jade Helena, de 9 anos, criança com síndrome congênita associada à infecção pelo vírus da Zika. Segundo ela, o protesto registrado em vídeo foi motivado por uma sequência de tentativas frustradas de diálogo com a gestão municipal, iniciadas ainda em 2024.

“O problema não foi ele não parar naquele dia. O problema foi ele ter prometido antes. Ele deu a palavra dele para a gente”, afirmou.

Promessa e frustração

De acordo com Giuliana, o primeiro contato com o prefeito ocorreu em dezembro de 2024, quando mães se deslocaram da Secretaria Municipal de Saúde (Semus) até a Prefeitura de São Luís. Na ocasião, o gestor teria recebido o grupo, ouvido as demandas e prometido reuniões periódicas para acompanhar os encaminhamentos.

“Ele nos tratou muito bem, ouviu nossas pautas e disse que iria sentar com a gente para dar devolutivas. A partir dali, a gente acreditou que teria diálogo”, relatou.

No entanto, segundo a mãe, após aquele encontro, nenhuma reunião foi efetivamente confirmada, apesar de inúmeras mensagens e tentativas presenciais a secretarias municipais.

Tentativas sem retorno

Ainda conforme Giuliana, em outubro de 2025, o grupo passou praticamente todo o dia na sede da prefeitura aguardando uma definição.

“Ficamos das nove da manhã até cinco e meia da tarde esperando. No fim, quem apareceu foram representantes que não tinham poder de decisão e trataram a gente com descaso”, disse.

A última tentativa ocorreu durante a agenda do prefeito no Residencial Paraíso, quando o vídeo que viralizou foi gravado.

“A gente imaginou que ele fosse, pelo menos, confirmar uma data. Depois de um ano tentando, fica difícil acreditar que não seja falta de interesse”, afirmou.

Principais reivindicações

Durante a entrevista, Giuliana Dominices explicou que as pautas envolvem principalmente transporte acessível, descentralização das terapias e fiscalização de serviços de transporte para pessoas com deficiência.

“A minha filha não vive só de fralda e alimentação. Ela tem direito de ir e vir, de estudar, de ter lazer. Hoje, nada disso é garantido de forma adequada”, destacou.

Ela também relatou situações de constrangimento enfrentadas por famílias ao utilizar táxis e aplicativos de transporte.

“Muitas vezes somos humilhadas. Jogam a cadeira de rodas de qualquer jeito ou se recusam a fazer a corrida”, disse.

Pedido por diálogo

Segundo a mãe, o objetivo do grupo não é confronto, mas o cumprimento da palavra dada pelo gestor municipal.

“A gente não quer briga. Quer diálogo. Quer que ele nos receba e cumpra aquilo que prometeu”, afirmou.

Em nota, a Prefeitura de São Luís disse que mantém acompanhamento contínuo das crianças com microcefalia e suas famílias, com acolhimento, assistência multiprofissional, fornecimento de insumos e capacitação das mães para situações de urgência, que reforça o compromisso com o cuidado integral e esclarece que cirurgias preventivas são de responsabilidade da rede estadual.

Confira a nota da Prefeitura, na íntegra

A Secretaria Municipal de Saúde (Semus) informa que mantém contato permanente com mães de crianças com microcefalia por meio de um grupo direto de acompanhamento, no qual são compartilhadas informações, alinhadas demandas e agendadas reuniões regulares, tanto para o acolhimento das famílias quanto para o alinhamento interno dos serviços ofertados pela rede municipal de saúde.

Por meio da Semus, essas crianças são acompanhadas e acolhidas com a oferta de dietas especiais, entregues diretamente no domicílio, além do fornecimento de fraldas, cadeiras de rodas e cadeiras de banho, conforme a necessidade de cada caso. Também são disponibilizadas terapias e acompanhamento multiprofissional na rede municipal.

Outro ponto destacado pela Secretaria é a capacitação das mães para situações de urgência e emergência. Por meio do Núcleo do SAMU, estão sendo realizadas capacitações específicas para orientar como agir em casos emergenciais envolvendo as crianças. A primeira turma do treinamento foi realizada no mês de janeiro.

Em relação à oferta de cirurgias para prevenção de deformidades, a Semus esclarece que esses procedimentos são de responsabilidade da rede estadual de saúde, sendo realizados no Hospital Infantil Juvêncio Matos.

A Secretaria Municipal de Saúde reforça seu compromisso com o cuidado integral, humanizado e contínuo às crianças com microcefalia e suas famílias, mantendo diálogo aberto e permanente com as mães para o aprimoramento dos serviços ofertados.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.