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COLUNA
Curtas e Grossas
José Ewerton Neto é poeta, escritor e membro da Academia Maranhense de letras.
Curtas e Grossas

A beleza morre (parte 3)

Era impossível ao adolescente ficar imune aos apelos de Brigite Bardot como mito sexual, mas, curiosamente, a atriz francesa jamais me fez ir ao cinema por causa dela

José Ewerton Neto

 
 

“Brigite Bardot, a BB, morreu esta semana, em Paris. ” 

Dos 4 ícones da glamorosa beleza feminina internacional dos anos 60/70:  Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Brigite Bardot e Sofia Loren só uma permanece viva: Sofia Loren, a maior atriz e, certamente, a mais bela de todas. 

Brigite Bardot, a BB, morreu esta semana, em Paris. 

Lembro, quando criança, de uma marchinha de Carnaval, cujo tema era Brigite Bardot   e que dizia assim: 

BB, BB, BB. Por que é que todo mundo olha tanto pra você? (Refrão) /Será pelo pé? Não é. /Pelo cotovelo? Não é./ Pelo joelho? Não é. /Você que é boa e que é mulher, me diga então porque é que é. 

Parecia mais uma marchinha ingênua povoando a imaginação de infantes como eu, que jamais desconfiariam de suas insinuações sexuais explícitas. Os autores carnavalescos aproveitavam o período para extravasar os impulsos eróticos reprimidos ao longo do ano por uma sociedade ainda repressora e puritana 

Para a criança pairava no conteúdo da letra um mistério afetuoso, quase angelical

— Por que que é então, tia?

— Sem vergonhice, meu filho. Carnaval é só imoralidade.

E a criança crescia e aprendia. 

Minha admiração precoce pelo cinema e pela leitura de revistas me fez saber que Brigite Bardot, atriz francesa, era uma mulher escandalosa, libertina e sexualmente desinibida que, por trás de um rosto belíssimo e marcantemente angelical causava sensação no mundo por aparecer nua em filmes e se envolver com homens mais velhos e casados pouco se lixando para a moral e os bons costumes. Por isso era tão famosa! Pelos escândalos quase paradoxais num rosto de beleza tão pueril e doce. 

Era impossível ao adolescente ficar imune aos apelos de Brigite Bardot como mito sexual, mas, curiosamente, a atriz francesa jamais me fez ir ao cinema por causa dela, como acontecia por Sofia Loren, esta, a minha grande adoração juvenil.  

Talvez a sedução que emanava da italiana viesse - além da deslumbrante beleza física - de sua capacidade interpretativa, mas não sei, não consigo discernir se o jovem teria sido afetado por isso, mas, de fato...

Brigite Bardot como atração meramente física não perduraria tanto. Tanto que finda a juventude e os escândalos (que progressivamente perderam impacto) eclipsou-se como atriz. Do formidável quarteto citado acima: Marilyn Monroe, teve um fim trágico, suicidando-se e Elizabeth Taylor, de estonteantes olhos verdes, conjugou a beleza com performances antológicas que lhe renderam o Oscar como em Quem tem medo de Virgínia Wolf? morrendo em 2011.

Inteligente o suficiente para perceber que sua beleza havia fenecido Brigite Bardot não se inundou de botox, como tantas fazem, para disfarçar a decadência. Abandonou o cinema   e dedicou-se a causas como a proteção dos Animais   tornando-se uma ardorosa defensora dessas   espécies tão indefesas diante da sanha humana.  

E, assim, percorreu os anos que lhe restaram, acompanhada, agora, não mais da beleza física, mas da verdadeira - que é a dos gestos dedicados a uma causa nobre. 


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