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De Olho na Economia
É economista com experiência nacional e internacional em análises macroeconômicas e microeconômicas. Possui habilidade em análises setoriais, gestão do capital humano, orçamentos e finanças.
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O caos do Transporte Público: Um desafio para o empresariado e uma falha da administração pública municipal

Os rodoviários são a linha de frente, oferecendo atendimento direto à população e garantindo a segurança durante a locomoção.

Wagner Matos/ Economista

- Atualizada em 08/02/2024 às 15h08

Amigos, é com profunda preocupação que trago à tona a questão da recente greve dos rodoviários em São Luís. Mais uma vez, a população e o setor produtivo de nossa capital sofrem prejuízos financeiros significativos.

O transporte público é a espinha dorsal de nossa cidade. Com o crescimento populacional e a expansão das áreas urbanas, a demanda por serviços de transporte público só aumenta. No entanto, a administração pública municipal parece negligenciar a importância desse serviço ou enfrenta dificuldades para avaliar os fatores que o envolvem.

Neste cenário, temos três atores principais: os rodoviários, o Sindicato das Empresas de Transporte (SET) e a administração pública municipal. Cada um tem um papel crucial no funcionamento do transporte de passageiros.

Os rodoviários são a linha de frente, oferecendo atendimento direto à população e garantindo a segurança durante a locomoção. É mais do que justo que reivindiquem a reparação de suas perdas salariais.

O Sindicato das Empresas de Transporte (SET) representa os investidores que mantêm o sistema funcionando. Eles lidam com uma série de custos operacionais, desde o financiamento dos ônibus até a manutenção dos veículos e o cumprimento de todas as obrigações fiscais e trabalhistas. Todos esses fatores influenciam o preço final da passagem ou o tamanho do subsídio do poder público municipal.

A administração Pública Municipal tem a responsabilidade de monitorar e fiscalizar a execução dos serviços, além de custear o transporte público por meio de subsídios.

Esses três elos do transporte público devem trabalhar juntos com um objetivo comum: prestar um serviço de qualidade. No entanto, o que vemos é um jogo de empurra-empurra, onde cada um tenta culpar o outro. Mas a verdade é que todos têm sua parcela de culpa. Vamos citar os principais problemas que envolvem todos.



 

1 – O sistema é deficitário. O uso do transporte público tem picos no início da manhã e no final do dia, e durante o restante do dia, o fluxo de passageiros diminui, resultando em ociosidade e prejuízo.

2 – A falta de alinhamento entre as partes resulta em um serviço de baixa qualidade, gerando insatisfação e estresse tanto para os rodoviários quanto para os passageiros. Além de causar elevação das despesas operacionais das empresas de ônibus (SET).

3 – Os prejuízos econômicos são enormes. A paralisação do transporte público causa um dano econômico gigantesco à população, ao setor produtivo e ao poder público.

É lamentável ver a falta de comprometimento com uma questão tão importante, especialmente agora, às vésperas do carnaval. Investimentos significativos foram feitos para expandir o turismo no Maranhão, um setor pronto para crescer e impulsionar a economia. O governo estadual, o municipal e a iniciativa privada fizeram seus investimentos, embora separadamente, mas todos com o mesmo objetivo: expandir a economia através do turismo. Os turistas já chegaram a São Luís e, com eles, vem a oportunidade de crescimento. Não podemos deixar que essa oportunidade seja desperdiçada.

E aí, temos essa bagunça no transporte público da cidade, onde o empresariado se sacrifica ainda mais ao bancar o transporte dos seus funcionários para manter as suas operações em pleno funcionamento, visando atender a essa perspectiva oportuna com geração de emprego, renda e arrecadação de impostos.


 

Por fim, concluo que há uma falta de visão por parte da administração pública municipal. Eles precisam entender que o transporte público é fundamental para a população e para todas as atividades econômicas e públicas da região. Eles precisam perceber que o setor de turismo movimenta mais a prestação de serviço, ou seja, que a arrecadação de impostos sobre serviços (ISS) é maior.


 

Espero sinceramente que haja uma solução adequada para esta situação. É hora de deixar de lado a arrogância e começar a tomar decisões que beneficiem a todos. Afinal, uma cidade próspera é construída com a colaboração de todos.


 

 


 



 



 

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