Coluna do Kardec

Rio Oil & Gas

O mundo da energia se encontrou no maior evento do Brasil na área.

Allan Kardec

O pintor Paul Gauguin amou a luz da Baía de Guanabara

O antropólogo Claude Lévi-Strauss detestou a Baía de Guanabara

Pareceu-lhe uma boca banguela

Caetano cantando “O Estrangeiro” abre as alas do Rio de Janeiro para uma parte pouco cantada da cidade. Boa música tem surpresa e contradições misturadas com saudades incontroláveis. A Baía de Guanabara também.

 
 

O Rio Oil & Gas (ROG) aconteceu em um lugar simbólico e poético: o Boulevard Olímpico, onde está localizado o Porto Maravilha. Recebeu um investimento bilionário para a revitalização da icônica ex-capital do Brasil, para a Copa e Olimpíadas.

Lá estão o Museu de Arte do Rio, o Centro Cultural José Bonifácio e o Museu do Amanhã. Proposta ousada ligar a História, que é o caso dos dois primeiros, ao último, conectados por um Veículo Leve sobre Trilhos, o nosso conhecido VLT. 

Foi lá que aconteceu o Rio Oil & Gas, que é o maior evento da área de petróleo e gás (P&G) do Brasil e uma das referências do mundo. Por quê? O Brasil é um dos grandes players, ou seja, é um dos países que estão na vanguarda da exploração de petróleo e gás. Nunca é demais lembrar que fomos os brasileiros que fizemos primeiro a exploração em águas profundas – que é hoje a melhor forma de extrair gás ou petróleo no mundo. 

Os congressos não são as palestras, ou melhor, só elas. A essência do congresso são os cafés, as conversas, os diálogos, os reencontros. Ali você discute, confraterniza e ouve o que não pode ser dito em público. Claro, nesse interim, um monte de negócio é realizado e, por isso, a nata do setor se desdobra em estar presente e conversar amplamente. Para você ter uma ideia, fiz um pequeno vídeo sobre o evento, que está também aqui disponível.

Tanto das palestras quanto das conversas, o que pude extrair são duas preocupações essenciais que provavelmente vão direcionar o mundo do P&G nos próximos anos. Em tempo: ali estão também os governos, não só empresas. A Agência Nacional do Petróleo, o Ministério de Minas e Energia, as secretarias dos municípios e estados e, claro, a Gasmar! O comando foi dado a mim pelo Governador Carlos Brandão, que reconhece a importância dessa agenda para o Maranhão. “Vai lá, Allan, o Maranhão vai avançar em produção de energia!”

A primeira preocupação diz respeito à transição energética, em que todos estamos altamente envolvidos com a pauta ambiental. Já falamos muito desse assunto neste espaço, lembrando, por exemplo, que as empresas estão diversificando e ampliando escopos. Algumas, como a Total, que trabalhava exclusivamente com petróleo e gás, agora ampliou e se tornou TotalEnergies. 

Por exemplo, para a exploração em alto mar, uma opção pensada é integrar com os ventos da energia eólica. A Petrobras está trabalhando com a norueguesa Equinor no desenvolvimento de um projeto de eólica no mar chamado Aracatu, na Bacia de Campos, que terá 4 gigawatts (GW) de capacidade. Uma grande vantagem é que o mar não tem as chamadas “rugosidades”, ou seja, montes, serras ou acidentes geográficos que tornam os ventos imprevisíveis. Ele é plano por natureza.

A segunda é a famosa segurança energética, que é termos garantias de energia no nosso dia a dia, com preço baixo e sem oscilações. Falamos deste caso também algumas vezes, principalmente lembrando que a Europa não é autossuficiente em energia e depende de outros países para seu fornecimento, em particular, da Rússia.

Um exemplo preocupante é o da Alemanha, que era abastecida pelos gasodutos do Nord Stream 1 e 2 Vyborg, na Rússia a Greifswald, Alemanha, enquanto a Espanha foi mais cuidadosa e tem várias fontes de abastecimento, inclusive a rota russa. O abastecimento espanhol vem da Argélia, Nigéria e recentemente negocia com os EUA, enquanto os alemães estão buscando soluções, debaixo de fortes suspeitas de sabotagem nos NS 1 e 2: há notícias de explosões dos gasodutos, algo que pode aumentar mais ainda as tensões na Europa. 

Ao contrário de Lévi-Strauss, não tem como não amar a Baía de Guanabara, assim como a zona portuária reerguida. No último dia, saímos à noite embaixo de uma chuva torrencial. Entramos no VLT apinhado de congressistas – a maioria já nos seus 40 ou mais, mas alegres como adolescentes em um ônibus com colegas.

O secretário José Reinaldo sempre me fala que São Luís errou quando acabou com os bondinhos, substituindo pelos ônibus: “são mais poluentes e barulhentos, além de ter expulsado as pessoas do centro da cidade!” Agora estamos em uma encruzilhada para dar mais mobilidade ao povo ao tempo em que o mundo exige transportes mais ambientalmente amigáveis.

O que dá segurança a um país é a diversidade de sua matriz energética. E o Brasil tem: desde a hidroeletricidade ao etanol. Mas certamente a grande vedete discutida na ROG foi o gás liquefeito de petróleo! Ele é o combustível da transição ou “transição da transição”, como alguns gostam de falar. É mais limpo e mais eficiente e certamente será objeto de grandes investimentos nos próximos anos.

O Pré Sal, que fica na costa do Rio de Janeiro, já chegou ao seu limite de reservas, embora continue aumentando sua produção de petróleo. Estrategicamente, está sendo trabalhado um modelo para utilização do gás associado ao petróleo, que mostramos na imagem no início, demonstrando a vocação brasileira para a utilização de gás nos próximos anos e mesmo substituição de alguns combustíveis por ele.

Aqui no Maranhão há a possibilidade extraordinária da Margem Equatorial, com as bacias do Pará Maranhão e Barreirinhas, a começar a exploração no ano de 2023. O Governo do Estado e a Gasmar estão preparados para mais esse desafio e grande oportunidade para o Maranhão. É o mar do Maranhão!

*Allan Kardec Duailibe Barros Filho, PhD pela Universidade de Nagoya, Japão, professor titular da UFMA, ex-diretor da ANP, membro da AMC, presidente da Gasmar.

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