Curtas e Grossas

A origem, segundo Dan Brown

Que tesouro pode ser maior que o conhecimento, e que mistério maior existe do que aquele que busca solucionar a si próprio (no caso, a humanidade)?

José Ewerton Neto

 
 

“O que somos, de onde viemos, para onde vamos?” 

A pergunta acima, básica e inquietante para qualquer ser humano, sempre permaneceu, até agora, irrespondível. 

            O que ninguém esperava é que viesse a se tornar o tema principal de um romance que se tornou best-seller, no caso o intrigante policial ORIGEM de Dan Brown. Possuindo os elementos de uma trama policial, já que sua narrativa explora crime, investigação, intriga e mistério, desta vez o objeto de desejo não são fortunas em jogo, como na maioria dos enredos do gênero, mas a solução dessa pergunta.

             A curiosidade em resolver essa equação – indecifrável, como dito acima – é o mote que conduz o leitor página após página em sua caça ao tesouro. Pois que tesouro pode ser maior que o conhecimento, e que mistério maior existe do que aquele que busca solucionar a si próprio (no caso, a humanidade)? 

            Dan Brown, o autor, não se perde em piruetas de estilo.  Seu plano de narrativa é oferecer uma trama, que soa às vezes implausível, mas que carrega o fascínio da perseguição às grandes descobertas. De quebra, oferece informações e conhecimentos básicos, mas atualizados, de física e da Teoria da Evolução que compõem um enriquecedor contraponto ao desenrolar do enredo, onde vez por outra pontua o embate Ciência x Religião. O autor evidencia nas entrelinhas, a sua simpatia pela primeira, mas de um veredito final se esquiva com falas redentoras e quase definitivas, como a de um de seus personagens, um cientista: “Quando testemunho a precisão da matemática, a confiabilidade da física e as simetrias do cosmos, não me sinto observando a ciência fria. Sinto que estou vendo uma pegada...A sombra de uma força maior que está fora de nosso alcance”.   

            Enquanto a narrativa se encaminha para o final apoteótico   um verdadeiro tour de force acontece com a sina dos protagonistas, na realidade meros figurantes do personagem principal que é essa grande questão universal.

            Diria que caso o leitor seja seduzido mais pela curiosidade em relação à resposta final que pelo enredo em si, a solução é apenas compensadora. O “De onde viemos” embora fundamentado numa revolucionária teoria científica, carece de maior embasamento justamente por ter surgido de ousados estudos científicos, carecendo-lhe rigor e comprovação. Já o “Para onde vamos” anunciado como estarrecedor, não chega a esse nível de tensão para quem acabou de ler livros sobre o tema como os recentes livros de Yuval Harari que já concebera algo nesse rumo, em termos de previsões.

            Lembro um grande autor que, em palestra para estudantes, quando instado a explicar o que era necessário para escrever um bom romance respondia que essa tarefa era simples: “Ponha no começo uma letra maiúscula e no final um ponto. No meio você coloca uma boa  ideia.”  Foi o que fez Dan Brown.  

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