Eleições 2022

Saiba como identificar e combater as notícias falsas durante o período eleitoral

As notícias falsas obscurecem o cenário da disputa e induzem o eleitor a fazer escolhas erradas.

Imirante.com

- Atualizada em 12/08/2022 às 15h29
As notícias falsas prejudicam o andamento do pleito eleitoral.
As notícias falsas prejudicam o andamento do pleito eleitoral. (Foto: Divulgação)

SÃO LUÍS – Uma grande quantidade de notícias, dos mais variados assuntos, transitam em sites, blogs e nas redes sociais durante todo o ano. Com a aproximação do período eleitoral, as notícias falsas – principalmente envolvendo o nome dos candidatos – acabam se propagando, prejudicando o andamento do pleito, podendo influenciar diretamente no voto do eleitor e causando danos ao processo democrático como um todo.

A quantidade massiva de informações transmitidas pelas mídias digitais e a celeridade com que circulam trazem muitas vantagens, mas também muitos perigos. Por isso, é importante que o cidadão/eleitor fique atento, além de ter a consciência e o interesse de checar se as informações a que tem acesso fazem sentido e se são verídicas ou não. 

De acordo com a doutora em Ciência Política e professora do |Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Arleth Borges, as notícias falsas corrompem a lisura do pleito por várias razões, entre as quais, destaca duas. A primeira razão é que as notícias falsas fraudam o direito à informação correta e honesta, que deve ser assegurado a todo cidadão e eleitor, um requisito que não pode ser eliminado de um processo eleitoral democrático.

A segunda razão, segundo a professora da UFMA, é que as notícias falsas desequilibram a isonomia ou igualdade de condições entre os candidatos em benefício dos que divulgam essas notícias, as quais podem ter conteúdos, tanto de desqualificação dos adversários, como de autoelogio.

"No primeiro caso, temos a desconstrução do oponente através de acusações sem fundamentos na realidade e sem lhe permitir oportunidade de defesa; na forma de autoelogio, temos a difusão de inverdades que favorecem seus autores, atribuindo-lhes feitos e virtudes que não possuem", explica a doutora Arleth Borges.

Ainda segundo a professora, por estas duas vias, as notícias falsas obscurecem o cenário da disputa e induzem o eleitor a fazer escolhas erradas, sem o devido esclarecimento e sem lastro na realidade. Para ela, os desdobramentos disso são óbvios: de quem se elege com notícias falsas não se pode esperar verdadeiro compromisso com os direitos do cidadão nem com a devida observância das leis.

Notícias falsas

Em geral, as notícias falsas tentar pegar assuntos do momento e tiram completamente de contexto, com a finalidade de dar interpretação diferente daquela que realmente é, além de espalhar falsidades. Por isso, é importante ficar atento às informações do conteúdo suspeito e também às fontes, isso inclui não ler somente os títulos, mas analisar, de forma geral, a veracidade da informação.

“Hoje temos um ônus maior para selecionar notícias e fontes confiáveis nesse oceano de informações e ainda precisamos escapar da indústria de robôs que disseminam milhões dessas mensagens, apoiados em um comércio de dados pessoais que possibilitam que notícias falsas nos cheguem por meio de pessoas em que confiamos ou por fontes anônimas, que não são responsabilizáveis pelo que dizem”, analisa a professora da UFMA.

De forma geral, as notícias falsas tendem a ser apelativas e exageradas para fazer com que o conteúdo se espalhe mais rapidamente. Outra característica de uma notícia falsa é a falta de informações específicas, como datas e locais.

Uma outra maneira de identificar que uma notícia é falsa é se atentar ao layout da página ou perfis onde foram publicadas. Normalmente, os criadores desses conteúdos copiam a aparência de sites e jornais tradicionais e manipulam imagens e vídeos.

Como evitar cair em notícias falsas?

A cientista política Arleth Borges explica que as pessoas podem evitar cair nas notícias falsas, antes de tudo, valorizando a informação enquanto um requisito para escolhas e decisões acertadas. Segundo a doutora, é fundamental que o eleitor se informe, inclusive, em fontes alternativas, canais diferentes, para que possa avaliar e comparar o que está sendo dito.

Nesse processo, é preciso buscar informações, privilegiar aquelas de fontes confiáveis e conhecidas e, sempre que possível, checar a autenticidade e conteúdo – até já existem instituições e aplicativos que podem ajudar nessa tarefa. Também é importante ter informações de fontes diferentes, pra checar e comparar. E a primeira comparação a ser feita é com a própria realidade vivida por cada um. 

"Nos últimos anos aqui no Brasil, infelizmente, temos visto com frequência pessoas que chegam a se vangloriar por não lerem jornais, não acompanharem noticiários, como se isso fosse vantagem ou sinal de inteligência. E o comum é que essas mesmas pessoas se tornem consumidoras acríticas, às vezes até fanáticas, de mensagens que recebem de suas redes sociais, bolhas de pensamento único, que aliciam seguidores como se fossem ovelhas ou gado, promovendo uma espécie de conversão em vez de diálogo esclarecido. É fundamental que o eleitor se informe e que o faça, inclusive, em fontes alternativas, canais diferentes, para que possa aquilatar, comparar o que está sendo dito. Isso dá trabalho? Dá, mas o custo de escolhas enganosas, especialmente quando se trata de voto, seguramente, é menor do que as consequências de decisões orientadas por informações enganosas, que vestem lobos em pele de carneiros ou que, de má fé, prometem muita facilidade para resolução de problemas que são reconhecidamente complexos", afirma a professora Arleth Borges.

Saiba como identificar notícias falsas durante o período eleitoral:

1. Sempre desconfie de notícias que enalteçam ou ataquem diretamente a imagem de um agente político;

2. Fique alerta diante de fato político verídico que apresentou grande repercussão na mídia;

3. Desconfie ao se deparar com uma notícia na qual não há fonte jornalística;

4. Duvide de publicações compartilhadas de sites de notícias não conhecidos;

5. Suspeite de publicações com datas antigas que voltaram a circular nas redes sociais, em especial durante o período eleitoral;

6. Cheque as informações em várias fontes confiáveis (agência de checagem, por exemplo).

Denuncie

As notícias falsas podem ser denunciadas por meio de ferramentas disponibilizadas pelas próprias redes sociais e sites em que foram publicadas.

O Twitter, por exemplo, anunciou em janeiro deste ano que o Brasil foi adicionado à lista de países que testam uma opção para realizar denúncias de informações enganosas sobre os mais diversos assuntos, como políticos e sobre a pandemia da Covid-19, por exemplo.

Criadores e compartilhadores de notícias falsas podem responder criminalmente por calúnia, difamação ou mesmo racismo, dependendo do tipo de conteúdo ou mensagem compartilhada.

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