Curtas e Grossas

10 livros que abalaram o seu mundo

A escolha não tem fundamentalmente a ver com o mérito literário, mas com a sua capacidade de tocar profundamente na emoção de um leitor.

José Ewerton Neto

 
 

Tempos atrás escrevi uma crônica para o Estado do Maranhão, selecionando 10 livros essenciais para a minha formação de leitor e de escritor. 

 A escolha (a partir de uma ideia da Casa da Palavra) não tem fundamentalmente a ver com o mérito literário, mas com a sua capacidade de tocar profundamente na emoção de um leitor em determinada época de sua vida e, a partir daí, de alguma forma, alterar sua visão do mundo. No meu exercício de seleção, foram: 

1.A marca do Zorro. Jonhston MacCulley

Foi o primeiro livro que me deu a noção de que o prazer poderia estar também em um monte de palavras em sequência, sem sequer uma ilustração (antes disso eu só lia quadrinhos). Li e o reli mais de uma vez na infância. Devo a ele a introdução nessa história de felicidade que é a leitura. 

2.Robinson Cruzoe, de Daniel Defoe.

Lido na versão de Monteiro Lobato, para crianças, este com ilustrações, presente de minha tia. (Nessa época ainda se davam presentes de livros para crianças). Muitos anos após, encontrei um exemplar dessa mesma edição num sebo – o meu havia sido extraviado -  adquiri, mas não tive coragem de reler, para não desfazer o encanto. Assim, mantive intacto um dos pedaços mais gloriosos de minha infância. 

3.O Ateneu, de Raul Pompéia.

Aquelas palavras insólitas, aqueles longos parágrafos, nem sempre inteligíveis à primeira leitura e, nas entrelinhas, as sombras que, precocemente, marcam o jogo da vida. Livro denso, mórbido, talvez muito forte para um pré-adolescente, que deixa marcas indeléveis pelo impacto dos fatos narrados com uma escrita fértil e sombria. A visão do mundo depois jamais seria a mesma. Marcante e essencial. 

4.O morro dos ventos uivantes, de Emmily Bronte

Uma história de amor, simplesmente. Talvez a mais intensa história de amor jamais contada, resvalando necessariamente para paixão e drama. Nenhum filme – e olha que já foram feitas inúmeras versões – conseguiu reproduzir integralmente o que a imaginação da autora foi capaz de criar para aqueles montes, descritos de forma magistral, onde, entre os ventos que uivam, pontua uma história de paixão selvagem e transcendente. 

5. Don Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes

Refiro-me à versão completa, que li depois de adulto, já que a versão adaptada para crianças não me empolgara tanto. Devo a esse livro o melhor riso possível da existência que é o riso sem sarcasmo, condescendente com o absurdo e o ridículo da condição humana. Está na minha lista por isso e não por ter sido considerado, com justiça, o maior romance da literatura universal. 

P.S os outros 5 da lista virão na próxima. 

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