Levantamento

Maranhão perde mais de 12 mil vagas de emprego da economia criativa

Os dados são do Boletim de Economia Criativa, produzido pelo Observatório Itaú Cultural, divulgados nesta quinta-feira (30).

Imirante.com, com informações da assessoria

- Atualizada em 30/06/2022 às 17h23
Categoria reúne cultura, moda, design, arquitetura, artesanato, comunicação, publicidade, entre outras especialidades profissionais. (Foto: Divulgação / Governo do Maranhão)
Categoria reúne cultura, moda, design, arquitetura, artesanato, comunicação, publicidade, entre outras especialidades profissionais. (Foto: Divulgação / Governo do Maranhão)

SÃO LUÍS - O Maranhão perdeu 14% de vagas para trabalhadores da economia criativa entre o 1º trimestre de 2021 e o mesmo intervalo de 2022, registrando 12,8 mil postos de trabalho a menos no segmento no estado, neste período. Os dados são do Boletim de Economia Criativa, produzido pelo Observatório Itaú Cultural, divulgados nesta quinta-feira (30).

O número atual de vagas no Maranhão, também apresenta diminuição em relação ao período pré-pandemia. No 1º trimestre de 2020 havia 83,5 mil trabalhadores alocados na indústria criativa. No 1º trimestre deste ano foram registrados 79,5 mil postos de trabalho no segmento, uma variação de -5%.

Trabalhadores da economia criativa, segundo UF. (Foto: Divulgação / Itaú Cultural)
Trabalhadores da economia criativa, segundo UF. (Foto: Divulgação / Itaú Cultural)

Mesmo com os dados negativos no Maranhão, o cenário nacional é positivo. O das atividades presenciais deram forte impulso ao emprego na economia criativa no 1º trimestre deste ano. No Brasil, o segmento, que reúne cultura, moda, design, arquitetura, artesanato, comunicação, publicidade, entre outras especialidades profissionais, ganhou 814 mil novos postos de trabalho e fechou o período com 7,4 milhões de trabalhadores ocupados, número 12% maior que os 6,5 milhões verificados no 1º trimestre de 2021.

Segundo o levantamento, feito com base nos dados da Pnad Contínua, a retomada gerou crescimento real de postos de trabalho frente ao período pré-pandemia. O segmento encerrou o 1º trimestre de 2022 com 570 mil postos a mais que os 6,8 milhões verificados no 1º trimestre de 2020 (crescimento de 8% no intervalo).

“A indústria criativa experimentou forte retomada, ampliou a oferta de postos frente ao período pré-Covid e mostrou que é um segmento de grande relevância para a geração de emprego e renda na economia brasileira”, diz Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural.

Foto: (Divulgação / Painel de Dados Observatório Itaú Cultural)
Foto: (Divulgação / Painel de Dados Observatório Itaú Cultural)

A recuperação do segmento foi tão intensa que superou a taxa média de retomada de emprego no país. No comparativo do 1º trimestre de 2022 contra o 1º trimestre de 2021, o número de vagas totais ofertadas no Brasil, segundo o IBGE, cresceu 9%. O índice é 3 pontos percentuais menor que os 12% verificados nos setores criativos. No comparativo do 1º trimestre de 2022 contra o 1º trimestre de 2020, a economia brasileira aumentou em 2% a oferta de vagas, 6 pontos percentuais a menos que os  8%  verificados na economia criativa.

Foto: (Divulgação / Painel de Dados Observatório Itaú Cultural)
Foto: (Divulgação / Painel de Dados Observatório Itaú Cultural)

Cultura: maior crescimento percentual

O estrato de trabalhadores especializados em cultura, em todo o Brasil, foi o que experimentou o maior crescimento relativo de oferta de postos de trabalho, entre o 1º trimestre de 2022 e o 1º trimestre de 2021. No total, foram abertas 173 mil vagas para este estrato, uma expansão de 32% no período. A recuperação, entretanto, não foi suficiente para retomar o número de postos deste estrato verificado no 1º trimestre de 2020.

“A Lei Aldir Blanc (aprovada em março de 2020 e regulamentada em agosto do mesmo ano) teve papel fundamental para atenuar a eliminação de postos de trabalho na cultura e para impulsionar a retomada a partir do 1º trimestre de 2021”. avalia Saron. “Saímos uma queda de 27% (cerca de 198 mil postos de trabalho perdidos), entre o 1º trimestre de 2020 e o mesmo período de 2021, para uma retomada que em parte se amparou nos estímulos desta legislação”, diz o diretor do Itaú Cultural.

Já o número de postos para os  trabalhadores de apoio alocados na economia criativa (um contador que presta serviços para empresas do segmento, por exemplo) cresceu 24%, com o acréscimo de 532,1 mil postos de trabalho no intervalo analisado.

O número de postos para trabalhadores criativos incorporados por outros setores da economia (um design que trabalha na indústria automotiva, por exemplo), cresceu 10% no comparativo do 1º Trimestre de 2022 contra o mesmo período de 2021, com a criação de 167,6 mil novos postos no intervalo).

Já a oferta de postos ofertados para o conjunto dos trabalhadores criativos (somando cultura e os especializados de outros segmentos criativos) teve crescimento menos intenso e bateu a marca de 4% de expansão. Este conjunto somava 2,6 milhões de empregos no 1º trimestre de 2021 contra 2,8 milhões no mesmo intervalo de 2022.

Foto: Divulgação / Painel de Dados Observatório Itaú Cultural
Foto: Divulgação / Painel de Dados Observatório Itaú Cultural

Vínculo empregatício

Quanto ao tipo de vínculo de trabalho, os índices se mantiveram estáveis no comparativo entre o 1º trimestre de 2021 e o 1º trimestre de 2022. O percentual de trabalhadores formais da economia criativa no período ficou na faixa de 63%. Os informais perfizeram 37%. A informalidade no geral da economia Brasileira ficou em 40% no 1º trimestre de 2022, segundo dados do IBGE.

Antes e pós-pandemia

O estudo do Observatório Itaú Cultural também comparou o saldo do emprego da economia criativa antes e depois da pandemia. Embora tenha registrado forte crescimento no 1º Trimestre de 2022, frente ao mesmo período de 2021, os postos de trabalho para trabalhadores especializados da cultura ainda não voltaram ao patamar pré-Covid. No comparativo entre o 1º trimestre de 2022  e o 1º trimestre de 2020, houve encolhimento de 3% na oferta de postos para este estrato, com eliminação de 24,5 mil vagas.

Para os trabalhadores criativos incorporados por outros setores, houve aumento de 2% na oferta de novas vagas (+ 39 mil postos). Para o conjunto dos trabalhadores especializados que trabalham em setores criativos que englobam Publicidade, Arquitetura, Moda, Design, Tecnologia da Informação e Editorial , o crescimento foi de 9% (+174 mil postos) e para os trabalhadores de apoio da economia criativa, o número de vagas cresceu 16% (+381 mil postos).

Rendimento 

O rendimento médio  dos trabalhadores da economia criativa registrou queda  nominal entre o 1º trimestre de 2020 (antes da pandemia) e o 1º trimestre de 2022, aponta o levantamento do Observatório Itaú Cultural. O conjunto dos trabalhadores do segmento registrava ganho médio de R$ 4.092 no 1º trimestre de 2020. No mesmo intervalo de 2022, o ganho médio caiu para R$ 3.916.

O estudo apontou ainda que a média salarial dos trabalhadores da economia criativa é maior que a média dos trabalhadores da economia como um todo. Na economia criativa, o rendimento médio nominal  foi de R$ 3.916 no 1º trimestre de 2022. O valor é  R$ 1.132 maior que os R$ 2.784 verificados para o geral da economia.

Sobre o Observatório Itaú Cultural

O Observatório Itaú Cultural foi criado em 2006 com foco na gestão, na economia e nas políticas culturais e promove, desde então, estudos e debates desses temas, estimulando a reflexão sobre a cultura em seus vários aspectos e analisando os indicadores nacionais. A atuação do Observatório é ampliada com seminários, cursos, encontros e palestras; uma linha editorial de livros e da Revista Observatório, disponíveis gratuitamente na web; e a promoção de pesquisas sobre o campo cultural. Entre 2009 e 2019 realizou, ainda, um curso de especialização em gestão cultural em parceria com a Cátedra Unesco de Políticas Culturais, a Cooperação da Universidade de Girona, Espanha, e com o apoio da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). Em 2021, o Observatório lançou o Mestrado Profissional em Economia e Política da Cultura e Indústrias Criativas em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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