Greve dos professores de SL

Braide, em 2016, apoiou os professores e agora condena greve

Prefeito de São Luís, há seis anos, subia na tribuna da Assembleia Legislativa para cobrar solução para a greve dos professores que ele considerava legítima; agora judicializa e condena o movimento grevista que tanto apoiou no passado

Carla Lima/ipolítica

Eduardo Braide, enquanto deputado estadual, participava dos movimentos grevistas dos professores de São Luís
Eduardo Braide, enquanto deputado estadual, participava dos movimentos grevistas dos professores de São Luís (Divulgação)

SÃO LUÍS - Há cerca de seis anos, subia a tribuna da Assembleia Legislativa um deputado para cobrar do prefeito Edivaldo Holanda Júnior – na época ainda no PTC – uma solução para a greve dos professores municipais de São Luís que atrapalhava os alunos da rede. Na ocasião, este parlamentar lembrou que não eram somente questões salariais que estavam sendo reivindicadas. Condições de trabalho também porque as escolas estavam com problemas constatados pelo Ministério Público Estadual.

A cobraça, na época, legítima até porque o deputado em questão era pré-candidato a prefeito de São Luís. Eduardo Braide (na ocasião, no PMN) disse que os professores tinham o direito a greve. 

“Uma vez que as tratativas do secretário municipal de Educação não conseguiram evitar a greve – direito legítimo dos professores – é preciso que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior chame para si a responsabilidade de solucionar esse problema que tem deixado mais de 85 mil alunos sem aulas na capital. Além disso, nenhum professor tem interesse na greve, uma vez que terá que repor as aulas em um período que deveria ser de descanso. Portanto, faço o apelo para que o prefeito chame uma comissão dos professores e inicie o mais rápido possível a negociação com os educadores”, afirmou, em maio de 2016, Braide.

Quatro anos depois, este deputado tão firme em cobrar solução para o problema do sistema de ensino da capital conseguiu se eleger prefeito e tem todos os meios para resolver os impasses de São Luís que ele tão bem elencava da tribuna da Assembleia Legislativa. Mas não faz.

Pelo contrário, preferiu a judicialização da greve dos professores e uma guerra declarada contra os docentes por meio de narrativas para desqualificar o movimento que antes de ser prefeito, tanto participou das reuniões para apoiar os profissionais da educação.

Eduardo Braide até critica outros políticos que apoiam o movimento grevista como o caso do deputado Duarte Júnior (PSB), que participou de uma assembleia da categoria quando a greve foi decidida pelos professores.

O fato é que os professores estão com as atividades paralisadas há uma semana, reivindicam reajuste salarial e também solução para as escolas municipais que estão com problemas na infraestrutura, algo já constatado pelo Ministério Público Estadual ainda no ano passado.

Antes de tentar desqualificar o movimento grevista – que tanto apoiou enquanto deputado estadual – Eduardo Braide precisa chamar para si a responsabilidade de resolver o impasse com os professores o mais rápido possível para não mais penalizar as quase 90 mil crianças matriculadas no sistema de educação de São Luís.

Criticar quem cobra solução, não resolve. Desqualificar o movimento grevista, também não resolve. O diálogo é a saída. A transparência na gestão também é uma saída. E, acima de tudo, responsabilidade e competência é uma necessidade para conseguir gerir a capital não somente na área de Educação, que agora está sendo o ponto mais sensível, mas em todas as frentes para resolver os problemas da cidade que estão se espalhando rapidamente a cada dia.

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