Dia dos Pais

Filhos guardam na memória virtudes dos pais vítimas de Covid-19 em São Luís

Daniela Saraiva e Lívia Campos relatam com muito amor o zelo da paternidade de seus pais, vítimas do coronavírus.

Raunyr dos Santos/Imirante.com

- Atualizada em 27/03/2022 às 11h02

SÃO LUÍS – Desde o primeiro caso do novo coronavírus na China, sua chegada no Maranhão em de março de 2020, até hoje, a pandemia da Covid-19 segue ceifando milhares de vidas, sem distinguir raças, cores ou classe social. O dia dos pais, para alguns, será uma data apenas de lembranças sem comemorações, pois muitos heróis infelizmente não conseguiram vencer a batalha contra o vírus ainda muito desconhecido e traiçoeiro.

Daniela Saraiva, professora de Língua Portuguesa, relata com muita emoção sobre o seu pai, Manoel Saraiva, que foi vítima da Covid-19, em abril de 2020, aos 72 anos. Ao Imirante.com, ela relatou que a paternidade do seu Saraiva, ultrapassava todas as barreiras, o que os tornava, além de pai e filha, “grandes amigos”.

Seu Manoel Saraiva gostava de ver a família reunida. Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal.
Seu Manoel Saraiva gostava de ver a família reunida. Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal.

Um pai que fazia de tudo para ver os filhos felizes, assim Daniela Saraiva retrata como era o amor do seu Manoel para com seus filhos, um sentimento imensurável. “Ele fazia qualquer coisa pelos filhos e pelos netos, não media esforços para nos ver felizes”, relatou.

A professora contou que uma das coisas que o seu pai mais gostava, além de ouvir música, era de estar reunido com a família, principalmente com os netos e netas, a quem muito amava. “O que mais gostávamos de fazer era passear com a família reunida ou ficar todo mundo reunido”, disse.

Seu Saraiva amava fica na companhia dos netos e netas. Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal.
Seu Saraiva amava fica na companhia dos netos e netas. Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal.

Com o avanço da pandemia em São Luís, mesmo tomando os mais rigorosos cuidados, Manoel Saraiva contraiu a doença. Daniela Saraiva, contou que não foi fácil lidar com a perda, nas suas palavras “foi desesperador”. No entanto, com o passar dos meses, o apoio e amor da família ajudou a amenizar essa dor. “Não conseguia aceitar porque foi rápido demais. Meu pai sempre esteve conosco e, no momento mais difícil para ele, fomos impedidos de ficar ao seu lado. É desesperador receber alguém que você ama dentro de um saco lacrado, a dor é insuportável”, afirmou.

A técnica de enfermagem Lívia Campos, sentiu as dores da perda duas vezes. Há pouco menos de dois meses com o seu pai, seu José Ribamar, de 70 anos, e o seu irmão Alanladd Campos, de 44 anos, que também era pai de família e não resistiu às complicações da Covid-19, oito dias após a morte do pai.

Alanladd Campos, irmão de Lívia e pai de família, morreu aos 44 anos, vítima da Covid-19. Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal.
Alanladd Campos, irmão de Lívia e pai de família, morreu aos 44 anos, vítima da Covid-19. Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal.

Lívia Campos relata o seu pai como uma pessoa simples que, apesar de não ter muito estudo, era muito sábio, trabalhador e justo. A dor da ausência ainda é grande, segundo a filha de 43 anos. “Meu pai faleceu há dois meses, ta sendo muito difícil lidar com essa dor, a ausência dele é muito dolorosa, se não fosse esse vírus, talvez meu pai tivesse mais tempo de vida”, disse.

Seu José Ribamar morreu aos 70 anos, vítima da Covid-19. Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal.
Seu José Ribamar morreu aos 70 anos, vítima da Covid-19. Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal.

Perguntada pelo Imirante sobre como tem lidado com a perda do seu pai e do seu irmão, ela afirmou que a união da família tem sido uma grande aliada para ajudar a amenizar o sofrimento. “Hoje procuramos sempre lembrar das coisas boas, do quanto ele foi um bom pai, que sempre se esforçou para nos dar o melhor. Ele sempre me dizia que se morresse hoje, morreria feliz, pois tudo que ele poderia fazer pela sua família (esposa e filhos), ele já tinha feito. Essas palavras, são consolo para cada um de nós, pois talvez ele tenha cumprido a missão dele aqui nessa terra”, contou.

Por conseguinte, Lívia Campos afirmou que esse dia, assim como todos os dias, é uma data para que seja valorizada e vivida com intensidade e com amor, ao lado das pessoas que amamos. “Eu lembro da música de Michel Teló. Só temos hoje para amar, só temos agora. Não sabemos quanto tempo falta para nossa vida encerrar. O que eu diria hoje, é: valorize seus pais, respeite, ame, cuide. Mas faça enquanto eles estão vivos” disse Lívia Campos

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