Brasil

Grupos vão dar auxílio psicológico a perseguidos pela ditadura

Agência Brasil

Atualizada em 27/03/2022 às 12h09

SÃO PAULO – As pessoas que foram afetadas pela ditadura militar poderão receber apoio psicológico. O trabalho será desenvolvido por cinco grupos, dois deles em São Paulo e um no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e no Recife. A iniciativa foi apresentada na noite de nesta segunda-feira (15) em uma audiência na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O projeto é promovido pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

A psicanalista da Clínica do Testemunho, grupo que atuará em São Paulo, Beatriz Vannuchi explicou que o modelo de atendimento à saúde mental é uma antiga reivindicação das pessoas que sofreram abusos durante o regime. “Há alguns anos também houve uma sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos determinando não só a reparação econômica e moral, mas também psicológica para as pessoas que passaram por essa experiência”, disse.

O presidente da Comissão da Verdade da Alesp, deputado Adriano Diogo (PT), declarou que, “embora com muito atraso”, recebia a criação dos grupos como um avanço. Preso e torturado na ditadura, o deputado disse que sempre buscou ajuda, mas, mesmo assim, não conseguiu superar os traumas. “Eu sempre me tratei, mas vou te dizer uma coisa: isso nunca vai sair da cabeça. Eu vi cinco pessoas serem mortas”, ressaltou.

Além do auxílio às vítimas do regime, a conselheira da Comissão de Anistia Rita Sipahi disse que, ao recolher os testemunhos, os grupos também ajudarão na elaboração do relato sobre o período ditatorial. “Tem o papel de cumprir com a reparação psicológica, preenchendo assim a lacuna ainda existente em relação à Justiça de transição implantada até o momento. Ao mesmo tempo que se coloca como mecanismo auxiliar na promoção de uma intervenção preventiva contra as ameaças à liberdade de pensamento, manifestação e ação política”, destacou.

Em São Paulo, o grupo Clínica do Testemunho vai tentar transformar as memórias dolorosas em uma forma de expressão que ultrapasse o sofrimento. “Nós achamos que o sofrimento, quando ele está muito arraigado no corpo, no próprio ser, o grupo é um instrumento poderoso”, disse Beatriz Vannuchi..

A psicanalista acredita, inclusive, que o trabalho poderá ajudar pessoas que nunca tiveram coragem de falar sobre os abusos sofridos. “O número de afetados pela ditadura é muito maior do que se sabe. Porque os afetados incluem aqueles que foram presos, torturados e mortos. Mas existem aqueles que foram banidos, expulsos do seu trabalho, que tiveram de mudar de cidade, que ficaram clandestinos. Tudo isso afeta a vida”.

Para ler mais notícias do Imirante, clique em imirante.com. Também siga o Imirante no Twitter e curta nossa página no Facebook.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.

Em conformidade com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) - Lei nº 13.709/2018, esta é nossa Política de Cookies, com informações detalhadas dos cookies existentes em nosso site, para que você tenha pleno conhecimento de nossa transparência, comprometimento com o correto tratamento e a privacidade dos dados. Conheça nossa Política de Cookies e Política de Privacidade.