SÃO LUÍS - Uma pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil da UFMA avaliou o uso do AZT em filhos de mães HIV positivas e observou a evolução dos bebês que usaram ou não o medicamento. Capaz de inibir a reprodução do vírus, a droga, primeira substância aprovada para tratamento da AIDS, amplia a expectativa de vida dos pacientes. O trabalho comprovou que os bebês de mães que não usaram o AZT ou utilizaram de forma incompleta ou incorreta têm até 40% de chance a mais de se tornarem HIV positivas. E que houve significativa redução da positividade para o vírus nos casos de filhos de usuárias da medicação.
O estudo foi realizado entre 1998 e 2006 no ambulatório de Doenças Infecto-Parasitárias do Hospital Universitário da UFMA, Unidade Materno-Infantil, referência no Maranhão para pacientes soropositivas. Segundo a coordenadora da pesquisa e professora do Departamento de Medicina III da Universidade, Mônica Elinor Gama, foram avaliados prontuários de todas as crianças que estavam acompanhadas no consultório. "Analisamos vários aspectos associados com a evolução dos pacientes, em especial o uso das medidas preventivas com o AZT. Queríamos ver se as crianças que não utilizaram a medicação adoeceram mais do que as que usaram", explica a médica-pediátrica Mônica Gama.
Segundo a pesquisadora, apesar do Ministério da Saúde disponibilizar o AZT para o tratamento, recomendar o uso deste e a realização do exame anti-HIV durante a gravidez, muitas mulheres só descobrem que são soropositivas no fim da gestação ou no momento do parto. Conforme a pesquisadora, mais de 40% das mães avaliadas não utilizaram o AZT. "Se a mãe usar a medicação corretamente no período da gravidez e a criança continuar o tratamento após o nascimento, a oportunidade do filho se tornar HIV positivo cai de 2% a 8%", afirma.
De acordo com dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, até 2006 foram notificados 31.921 gestantes soropositivas no Brasil, 411 no Maranhão e 238 em São Luís. No estado, até 2006, foram registradas 97 crianças com AIDS e em São Luís, 50 casos, a maioria por transmissão vertical, da mãe para o feto. A pesquisa foi concluída em 2007 por Mônica Gama e pela médica-pediatra do Ministério da Saúde do ambulatório de DIP do Materno-Infantil, Margareth Jamil Maluf e Silva.
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