SÃO LUÍS - Um drama de duas famílias da periferia de São Luís: sem condições de criar os próprios filhos, os pais são obrigados a abrir mão da convivência com eles.
As denúncias ao Conselho Tutelar de São Luís chegam a todo momento. São Mais de 60 por dia. Em alguns casos a falta de condições financeiras das famílias acaba deixando inúmeras crianças e adolescentes em situações de risco. Abandonadas. Maltratadas.
Na Vila Riod, por exemplo, um dos bairro mais pobres de São Luís, vive "seu José", um homem de 40 anos que sofre de catarata e cuida sozinho de 7 crianças, sobrinhas dele. Elas têm entre 7 e 14 anos, nenhuma está na escola e as mães sumiram. Para não passar fome as crianças pedem esmola na rua com a avó.
"É que não tem nada pra comer dentro de casa, então ela sai pra pedir na rua", diz seu José.
Os vizinhos tentam ajudar. "A gente não deixa eles passarem fome não. Sempre que a gente pode, ajuda", conta Elisângela Abreu. Mas, não tem jeito. As crianças não poderão mais ficar com o tio.
"São sete crianças que não estão na escola. Não poderão ficar mais aqui", disse Anderson Martins do Conselho Tutelar após averigüar uma denúncia.
Na Vila Vitória, foi encontrado "seu Augusto", 70 anos, pai de sete filhos. A mulher tem um disturbio mental. Pobres. Vivem em um quarto cedido pela igreja católica do bairro. Em novembro do ano passado a Promotoria da Infância determinou o abrigamento das sete crianças. Os conselheiros então levaram 4 crianças para um abrigo no bairro da Santa Clara e um adolescente para um outro lar no município de Paço do Lumiar. Duas crianças, uma de 2 e outra de 3 anos, permaneceram com os pais.
"Eles são os típicos pais considerados incapazes de criar os filhos. Incapazes de levá-los para a escola, acompanhar a saúde...", explica Moisés Bezerra do Conselho Tutelar.
O pai, embora triste, consente. "É melhor pra eles", diz seu Augusto.
As duas crianças, uma de dois anos de idade e a outra de três que permaneceram com os pais, também serão levadas para um abrigo.
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