Saúde

Falta remédio contra a hanseníase em postos

O Estado do Maranhão

Atualizada em 27/03/2022 às 13h44

SÃO LUÍS - Postos de saúde de São Luís estão sem o “Multibacilar adulto”, principal medicamento utilizado no combate à hanseníase. O problema vem ocorrendo há um mês, o que preocupa portadores da doença, já que podem ter que suspender o tratamento. O Maranhão é um dos estados com maior índice de hanseníase do país. Em 2007, foram registrados 4.663 casos no estado. O medicamento é repassado pelo Ministério da Saúde às secretarias de todos os estados que os encaminha aos municípios para serem distribuídos nos postos de atendimento.

No Centro de Saúde do Turu, por exemplo, pacientes reclamam da falta do remédio. “Hanseníase é uma doença muito séria para ser tratada com descaso. Tem muita gente que abandona o tratamento pela falta de remédio e, aí, só aumenta o número de casos da doença”, declarou Arão Sousa.

A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae e afeta os nervos e a pele, causando danos severos quando realizado diagnóstico tardio ou tratamento inadequado, além de muitos casos em que o paciente sequer chega a tomar conhecimento da doença.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional Maranhão, Adelson Marinho, o grande risco da falta de medicamento contra hanseníase é que o estado é hiperendêmico e a suspensão do controle por meio de remédios poderia resultar no aumento considerável do número de contágios. “É complicado interromper o tratamento abruptamente. Um mês é um tempo relevante para que o bacilo se torne mais resistente e não reaja à administração do medicamento, já que o tratamento dura de seis meses a um ano. Além do que, nesses casos, muitos pacientes esquecem o tratamento, dificultando muito o combate à endemia”, alertou o médico.

De acordo com a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Saúde do Estado, a falta do “Multibacilar adulto” está ocorrendo em todo o território nacional e é reflexo de uma falha na programação da quantidade necessária feita pelo Ministério de Saúde, em 2006. Ainda segundo a assessoria, o Estado recebeu o último lote de remédios contendo 5.200 unidades no dia 14 de janeiro e não há previsão para chegada da próxima remessa, que viria da Índia.

Para amenizar o problema, a secretaria tem tratado os casos extremos administrando doses do "Multibacilar infantil", que, apesar de mais fraco, serve como paleativo para os pacientes mais graves que sofreriam maiores danos caso interrompessem o tratamento.

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