Rejeitado

Deputado relata expulsão da Guiana Francesa

Atualizada em 27/03/2022 às 13h44

BRASÍLIA - A atuação da polícia francesa para impedir o acesso ilegal de brasileiros à Guiana Francesa quase causou um incidente diplomático uma semana antes do encontro dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, em Saint-George de L´Oyapock, já em território francês. No último dia 5, na mesma praça central em que os presidentes se reuniriam sete dias depois para discutir o aumento na cooperação técnico-científica entre Brasil e França, policiais franceses expulsaram um deputado estadual do Amapá, após a prisão dele e de 17 brasileiros que o acompanhavam.

O deputado Manoel Mandi (PV) diz que apenas levava um grupo de maranhenses para conhecer a cidade guianense. "Eu queria mostrar a importância da integração entre os dois lados e nada mais", disse à Agência Brasil. Ele contou que o grupo chegou a Saint-George por volta das 9h, em barcos alugados em Oiapoque, e que não planejava ficar muito tempo.

"Achávamos que poderíamos conhecer a cidade e voltar. Tanto que os barqueiros ficaram à nossa espera, no porto". Segundo Mandi, policiais franceses, que teriam agido de forma "arbitrária e desrespeitosa", cercaram o grupo menos de 15 minutos após o desembarque. "Eles nos pediam o visto ou uma autorização para que pudéssemos estar ali. Não tínhamos, porque achávamos que não seria necessário. É normal o trânsito de pessoas de um lado para o outro da fronteira", disse.

Mandi disse acreditar que todos seriam presos caso ele não fosse deputado. Mesmo assim, e apesar de o grupo tentar explicar aos policiais a razão da visita, os agentes deram cinco minutos para que deixassem a cidade ou seriam detidos e deportados como estrangeiros ilegais. "Pelo que ouvi de outras pessoas (que já passaram por situação parecida), não tenho nenhuma dúvida de que seríamos presos", disse o deputado, em referência aos brasileiros que tentam entrar ilegalmente na Guiana Francesa em busca de trabalho.

O deputado criticou o que classificou como excesso dos policiais franceses para guardar as fronteiras com o Brasil. "Isso tudo é muito preocupante. Não se pode tratar e colocar todo mundo na vala comum. Sabemos que há conflitos com garimpeiros, que todo país tem de se resguardar, mas tratar a todos como bandidos, isso não pode".

Ele se disse preocupado com as notícias de que o governo francês prepara uma operação policial para expulsar brasileiros que vivem ilegalmente na Guiana Francesa.

Além de prometerem ampliar a cooperação técnico-científica entre Brasil e França, em áreas como educação, meio ambiente e infra-estrutura, Lula e Sarkozy aproveitaram o encontro da semana passada para lançar a pedra fundamental da ponte que deve ser construída sobre o rio Oiapoque, permitindo a ligação rodoviária entre Macapá e Caiena. A obra preocupa não só Mandi, mas também o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Amapá, deputado Paulo José (PR-AP).

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