Brasil dá passos rumo à inclusão financeira, diz presidente da Felaban

Da EFE

Atualizada em 27/03/2022 às 13h52

Miami, 3 nov (EFE).- O presidente da Federação Latino-americana de Bancos (Felaban), Fernando Pozos, disse hoje à Agência Efe que o Brasil já deu passos para incorporar a população que esteve excluída do sistema financeiro, e que o órgão tem clareza de seu papel no desenvolvimento da América Latina.

Segundo Pozos, "o caso brasileiro é um bom exemplo, ao incorporar práticas interessantes como os correspondentes não bancários, que chegam às populações mais pobres por meio de mecanismos que barateiam o custo dos serviços do sistema financeiro formal, tanto de poupança como de crédito".

Os correspondentes não bancários oferecem serviços financeiros através de sociedades constituídas legalmente, como uma loja ou uma cadeia de farmácias.

Além do Brasil, outros países da região já estão caminhando rumo à inclusão financeira, como é o caso de Colômbia e Peru.

Na Colômbia, por exemplo, o sistema de correspondentes não bancários também opera desde 2006, devido aos problemas relacionados ao conflito armado que prejudicam as atividades bancárias em zonas rurais.

Estudos determinaram que, no caso do Brasil, um maior número de pessoas utiliza as instituições financeiras formais por meio dos pontos de serviço oferecidos por esses correspondentes.

Segundo a Felaban, o grande desafio dos bancos da América Latina é canalizar os US$ 72 bilhões em remessas que a região receberá este ano para poupança e financiamento de investimentos em pequenas e médias empresas.

O presidente do órgão disse à Efe que, para alcançar esse objetivo, os bancos devem desenvolver mais iniciativas que permitam aprofundar o acesso aos serviços financeiros.

Este assunto é o tema central da 41ª Assembléia Anual da Felaban, que será realizada em Miami entre 4 e 6 de novembro, com a participação de 1.500 banqueiros de lugares como América Latina, Ásia, Europa, Austrália e Estados Unidos.

"As remessas e as microfinanças (serviços financeiros para pessoas de baixa renda) terão um papel fundamental na bancarização (acesso aos serviços bancários) e na forma de incorporar os setores da população que ainda não têm acesso ao sistema financeiro formal", afirmou Fernando Pozos.

Explicou que, no caso das remessas, muito poucas pessoas enviam e recebem esse dinheiro através das entidades financeiras, situação que as impede de contar com mecanismos de poupança, investimento e crédito.

Por causa disso, a maior parte do dinheiro é destinada ao consumo e à subsistência, quando poderia ser canalizado por meio do sistema financeiro formal da região como um elemento de impulso para o crescimento econômico da América Latina e do Caribe.

Segundo o Fundo Multilateral de Investimentos (Fomin) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a quantidade de remessas que a região deve receber neste ano supera em 15% o montante de 2006.

De acordo com números divulgados pelo Fomin em março passado na Guatemala, este volume continuará crescendo nos próximos três anos para superar pela primeira vez os US$ 100 bilhões em 2010.

Pozos destacou que os próprios organismos multilaterais de financiamento como o BID e o Fomin estão conscientes da importância da bancarização e da incorporação das remessas como um elemento fundamental para que os sistemas financeiros possam se transformar em um fator de crescimento econômico.

"A Felaban sabe claramente o papel que tem no processo de crescimento e desenvolvimento da região. Não é possível existir crescimento sustentável se não há um sistema financeiro sólido que se envolva e busque uma forma de incorporar a população excluída desse sistema", explicou.

"A mensagem é que existe um avanço importante, um processo de enorme conscientização dos bancos latino-americanos quanto à incorporação desses setores, incluindo as médias e pequenas empresas. É o grande desafio e o grande passo que os bancos estão dando para impulsionar o desenvolvimento econômico", acrescentou Pozos.

O presidente da Felaban recomenda que os Governos da região abordem o tema da bancarização de uma maneira técnica, a fim de facilitar as normas para que os sistemas financeiros possam promover uma maior inclusão.

"O objetivo da Felaban é que a bancarização seja o motor do crescimento do desenvolvimento econômico da América Latina e do Caribe", afirmou Pozos.

Na assembléia anual da Felaban, o Fomin apresentará os números mais recentes das remessas para Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá.

Também será divulgado no evento o relatório "Promovendo o acesso aos serviços financeiros: o que nos dizem os dados sobre bancarização na América Latina", elaborado pelo Comitê Latino-Americano de Assuntos Financeiros (Claaf). EFE

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