José Sarney defende a saída do ministro Silas Rondeau do governo

Atualizada em 27/03/2022 às 14h02

BRASÍLIA - O senador José Sarney (PMDB-AP), um dos principais articuladores da ida de Silas Rondeau para o Ministério de Minas e Energia, defendeu hoje que o ministro deixe o cargo em meio às especulações de que teria recebido R$ 100 mil da empresa Gautama para liberar obras em execução pelo programa Luz para Todos.

A Folha Online apurou que Sarney disse a interlocutores que seria melhor o ministro deixar o cargo para provar sua inocência. O senador não acredita no envolvimento de Rondeau no esquema de fraudes comandado pela Gautama.

A interlocutores, Sarney disse ser favorável à apuração rigorosa do suposto envolvimento do ministro no caso e lembrou que Rondeau sempre teve uma conduta "ilibada e honesta" em sua vida pública. O senador também cobrou cautela no episódio uma vez que as investigações sobre o suposto envolvimento do ministro não foram concluídas pela Polícia Federal.

Mais cedo, o ministro Tarso Genro (Justiça) disse que não há qualquer comprovação da Polícia Federal sobre o suposto envolvimento do ministro com o esquema de fraudes em licitações públicas promovido pela empresa Gautama. Tarso admitiu, no entanto, que os R$ 100 mil da empresa chegaram ao ministério para facilitar a licitação de obras.

"No inquérito, você vai ver que a PF diz que não há nenhuma prova física de entrega [de propina da Gautama] e comprometimento presencial do ministro Silas", disse Tarso.

Assim como Sarney, o vice-presidente José Alencar também pediu hoje cautela nas acusações que pesam sobre o ministro. "Ali não há nada de condenação, há acusação. Ele já se defendeu no Paraguai e disse que gostaria de ser investigado além de fazer sua defesa na Justiça. Vocês sabem o quanto considero essas coisas erradas [fraudes]. Mas não posso condenar uma pessoa com indícios", disse Alencar.

Silas Rondeau

A Polícia Federal apura o suposto envolvimento de Silas Rondeau no esquema de fraude de obras públicas e recolheu fitas gravadas por câmeras do serviço de segurança do Ministério de Minas e Energia. As imagens mostram uma funcionária da Gautama (que operava o esquema), Fátima Palmeira, entrando no ministério pelo elevador privativo no dia 13 de março. Ela carrega um envelope de cor parda, no qual a PF acredita que estavam R$ 100 mil.

Diretora financeira da Gautama, Palmeira se dirige até o andar do gabinete de Silas Rondeau. Lá, encontra-se com o assessor do ministro, Ivo Almeida Costa, preso na Operação Navalha.

Informações da Folha Online

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