SÃO LUÍS - No primeiro turno das eleições, nenhuma mulher foi eleita entre os 17 governadores. Em compensação, nos dez Estados onde haverá segundo turno, existem cinco candidatas de diferentes partidos – PT, PSDB, PPS, PFL e PSB. Para Lúcia Avelar, cientista política da Universidade de Brasília, o quadro não é fruto do acaso. “Todas as candidatas possuem nomes já conhecidos e legitimados no cenário político”, diz.
Concorrem para governadora Denise Frossard (PPS), no Rio; Yeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul; Ana Júlia (PT), no Pará; Roseana Sarney (PFL), no Maranhão, e Wilma Faria (PSB), no Rio Grande do Norte.
Em 2002, foram eleitas apenas duas governadoras, Rosinha Garotinho, no Rio, e Wilma Faria. Na época, ambas estavam no PSB. Nestas eleições, apenas 12,68% das candidaturas aos governos estaduais foram representadas por mulheres. Houve em 2006 um pequeno aumento em relação a 2002, quando 9,85% das candidaturas eram femininas. Segundo a socióloga Almira Rodrigues, pesquisadora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), o desempenho em relação ao número de candidaturas foi melhor nos demais cargos majoritários – Presidência e Senado.
Ainda que as mulheres tenham disputado todos os cargos nestas eleições, a representatividade feminina na política segue muito aquém do ideal. O Brasil ficou em 107º lugar em um ranking divulgado em março deste ano sobre a porcentagem de mulheres nas câmaras de deputados de 187 países.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, existem 4 milhões de mulheres eleitoras a mais do que os homens aptos a votar. Ainda assim, das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, apenas 8,77% serão ocupadas por mulheres a partir de 2007. No Senado, entre 81 senadores, 15% serão senadoras.
A participação das mulheres na política cresce lentamente, mesmo após o sistema de cotas, adotado no Brasil desde 1997. A legislação determina que cada partido ou coligação deve reservar um mínimo de 30% de suas candidaturas para mulheres, mas não estabelece punição para quem não cumprir.
Maranhão
A candidata ao governo do Maranhão pelo PFL, a senadora Roseana Sarney, 53, traz na identidade um brasão de peso. Filha do ex-presidente e senador reeleito José Sarney (PMDB-AP), Roseana contou com a força de seu sobrenome para entrar na política. A família tem ocupado os principais cargos na política do Maranhão há quatro décadas, recebendo votações expressivas e duras críticas da oposição.
Antes do primeiro cargo no Congresso, Roseana formou-se socióloga e estudou inglês e francês na Suíça. O primeiro passo na política foi o trabalho como chefe de gabinete do pai, José Sarney, no Senado. Entre 1983 e 1984, foi secretária extraordinária do governo do Maranhão em Brasília.
Em 1989, Roseana lançou-se candidata a deputada federal do Maranhão e foi a mais votada no Estado, com 44.785 votos. Cinco anos depois, a pefelista foi a primeira mulher a ser eleita governadora no Brasil. A primeira a governar um Estado foi Iolanda Fleming, em 1986, no Acre, para completar o mandato de Nabor Júnior.
Em 1998, foi reeleita governadora do Estado no primeiro turno, com mais de 66% dos votos. Nas eleições de 2002, após tentar uma candidatura à Presidência, Roseana elegeu-se senadora.
As Candidatas
Ana Júlia (PT)
48 anos, bancária, apóia Lula
Denise Frossard (PPS)
55 anos, juíza, apóia Alckmin
Roseana Sarney (PFL)
53 anos, socióloga, apóia Lula
Wilma Faria (PSB)
61 anos, professora, apóia Lula
Yeda Crusius (PSDB)
62 anos, economista, apóia Alckmin
Larissa Morais, Larissa Guimarães e
Marcelo Gutierres
Saiba Mais
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