SÃO PAULO - O deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) acredita que o crime organizado está por trás da morte do coronel e deputado estadual por São Paulo Ubiratan Guimarães. Ele disse que foi uma das primeiras pessoas que esteve no apartamento do coronel e que foi à delegacia para conversar com os delegados sobre os rumos das investigações.
"A história dos 111 não foi engolida (por parte dos presos) até hoje". O deputado acredita que o crime tenha sido cometido por alguém ligado intimamente ao coronel. "Se fosse alguém que ele desconhecesse, ele teria voado para cima do cara". O crime pode ter sido cometido por alguém que se aproximou dela (Carla Cepollina) para chegar ao local do crime.
"Para a bandidagem, o troféu seria a cabeça do coronel Ubiratan. Não tenho a menor dúvida de que alguém possa ter se aproximado para provocar essa situação", afirmou. Faria de Sá acredita que pode ter ocorrido um crime passional induzido.
Segundo o deputado, o fato de uma outra mulher ter ligado para o coronel, na hora em que ele estava com a namorada, possa ter sido planejada por alguém que tivesse interesse em sua morte.
O deputado cobrou uma ação mais dura da polícia e da Justiça para chegar ao autor do crime. "Se ficar com esse negócio de possível, suposição, todo mundo vai negar e não vai pegar nada. Vai ter que ter uma preventiva, uma ação dura, porque do contrário, nós ficaremos no vazio. As 24 horas entre o crime e a descoberta do corpo deu muito tempo para o autor do disparo formar álibi, dissimular e para fugir".
Carandiru
Ubiratan liderou a operação militar na Casa de Detenção do Carandiru, em outubro de 1992, que resultou na morte de 111 prisioneiros. Ubiratan foi levado a júri popular em 2001 pelo Massacre do Carandiru e condenado a 632 anos de prisão pela morte de 102 dos 111 presos. Mas em fevereiro deste ano, a sentença original da juíza Maria Cristina Cotrofe foi revertida. O Tribunal de Justiça de São Paulo absolveu Ubiratan Guimarães, por 20 votos a dois. Embora considerasse válido o julgamento de 2001, a maioria dos desembargadores acatou argumentos apresentados pela defensoria e inocentou o coronel. A absolvição causou reações de indignação de entidades de direitos humanos no Brasil e no exterior, como a Anistia Internacional.
Naquele mesmo mês, a Anistia Internacional lançou relatório no qual destacava a impunidade no caso do Carandiru. Nenhum dos responsáveis pelas 111 mortes tinha sido preso e nenhuma família das vítimas fora indenizada, informava o documento. Os 119 policiais acusados de participarem do massacre ainda não foram a julgamento.
O coronel reformado Ubiratan Guimarães exerceu mandado como suplente de deputado estadual em 1997, foi reeleito em 2002 e concorria a um novo mandato nas eleições deste ano.
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