Verticalização dificulta alianças partidárias no Maranhão

Partidos vão aguardar definição nacional para formar coligações no estado.

Jornal O Estado do Maranhão

Atualizada em 27/03/2022 às 14h25

SÃO LUÍS - A decisão do Supremo Tribunal Federal de tornar obrigatória a verticalização das alianças partidárias para as eleições de outubro colocou em compasso de espera a sucessão estadual no Maranhão. Embora já tenham definido os candidatos a governador, os partidos maranhenses terão que esperar a definição nacional para reiniciar as articulações para montagem de chapas. “Temos que esperar o que vai acontecer lá em cima”, disse o presidente regional do PFL, deputado federal César Bandeira, embora tenha reafirmado que a campanha pefelista independe da verticalização.

O “xis da questão” está na disputa presidencial. No caso do PFL, por exemplo, há uma pressão dos líderes regionais - como Bandeira – para que a legenda não indique o vice do PSDB. “Temos chances em vários estados. Mas essa coligação nacional prejudicará alianças com outros partidos, como o PMDB”, disse o parlamentar maranhense.

De acordo com a regra da verticalização, os partidos coligados para a sucessão presidencial terão que repetir essas alianças nos estados. No máximo, podem coligar-se com legendas que não tenham candidato a presidente. Por isso a pressão no PMDB.

No Maranhão, a sigla é a principal aliada do PFL. Lançando candidato próprio – e se os pefelistas fecharem com os tucanos –, o PMDB terá que concorrer fora da aliança pefelista, o que pode inviabilizar seu projeto senatorial. “A verticalização não impede a aliança com o PFL. O que pode prejudicar é o lançamento de uma candidatura própria. Mas parece que a tendência é de o partido não ter candidato”, avalia o presidente peemedebista regional em exercício, ex-deputado Remi Ribeiro.

Todas as coligações estão em “banho-maria” até o fim de junho, quando serão oficializadas as alianças nacionais. “Só a partir dessa definição é que teremos o quadro real da disputa no Maranhão”, acredita o pedetista Rubem Brito, deputado estadual e fiel escudeiro do candidato do PDT ao Governo do Estado, Jackson Lago. Embora Brito afirme peremptoriamente que o PDT não terá candidato a presidente, o diretório maranhense resolveu esperar para ver como ficará, por exemplo, o PSDB. É que, no caso de uma aliança PSDB/PFL, os pedetistas só poderão cerrar fileiras com os tucanos no Maranhão se também não lançarem candidato a presidente.

Tranquilos

Mas nem todas as lideranças perderam a tranqüilidade com a manutenção da verticalização pelo STF. No Maranhão, está praticamente acertada uma aliança entre PT, PSB e PCdoB. Para a deputada petista Helena Heluy, portanto, a decisão da Justiça não alterou em nada o seu posicionamento. “Eu já defendia uma outra via na disputa maranhense. Não vejo por que a eleição daqui tenha que ser plebiscitária. A aliança com o PSB abre perspectiva não só para o PT, mas para toda a sociedade, que não aceita essa idéia de dois únicos lados na política do Maranhão”, disse a parlamentar quinta-feira.

O problema da análise de Helena Heluy é que, no mesmo dia, à tarde, começou um duplo ensaio entre os partidos governistas em Brasília: a cúpula do PSB passou a achar melhor apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apenas informalmente, e parte do PMDB começou a admitir a indicação de um candidato a vice na chapa petista, sonho dourado do presidente Lula. A viabilização de qualquer um dos dois ensaios vira do avesso os planos que o PT maranhense vinha traçando.

Outro que está tranqüilo com a decisão do STF é o presidente regional do PTB, deputado estadual Manoel Ribeiro. O PTB não terá candidato próprio a presidente e não fará coligação com nenhum dos pré-candidatos lançados, o que liberará os diretórios estaduais para qualquer aliança. “Nossa coligação com o PFL está mantida. Faremos parte da chapa e apoiaremos a candidatura da senadora Roseana Sarney”, disse Ribeiro. Os petebistas são parte da poderosa trinca de partidos roseanistas, que inclui ainda o PFL e o PMDB.

A campanha do Maranhão envolverá ainda os pequenos partidos, como o Prona – que já lançou a candidatura do ex-vereador João Melo Bentivi –, o PSTU, dos eternos candidatos Marcos Silva, Luiz Noleto ou Francisco Chagas, e o PSol, com o professor Saturnino Moreira. Essas legendas independem de verticalização, coligação ou qualquer decisão judicial para fazer o seu papel nas eleições maranhenses. Mas PSTU, PSol e PCB estão discutindo a possibilidade de uma aliança no estado.

Possíveis Cenários Eleitorais

Cenário 1

Luiz Inácio Lula da Silva candidato pela coligação PT/PSB/PCdoB; Geraldo Alckmin candidato pela aliança PSDB/PFL; PMDB e PDT com candidatos próprios ao Planalto.

Repercussão no Maranhão:

- Roseana Sarney será a candidata da aliança PFL/PTB, restando ao PSDB duas opções: manter a aliança com o PFL ou lançar candidato próprio, já que não poderá se coligar nem com PDT, nem com PSB ou PT.

- O PMDB só terá a opção de lançar candidato ao governo, uma vez que não poderá fazer aliança, nem à direita, nem à esquerda.

- O provável candidato do PSB manterá a mesma aliança nacional, recebendo o vice e o candidato a senador indicados pelo PT.

- O candidato do PDT, Jackson Lago, ficará isolado, sem poder fazer alianças com nenhum dos grandes partidos, o que inviabilizará sua estratégia de propaganda eleitoral.

Cenário 2

PFL não indica o vice do PSDB; PMDB e PDT desistem de lançar candidatos próprios; PSB não se coliga com Lula, mantendo apoio apenas informal.

Repercussão no Maranhão:

- O PFL fica livre para formar aliança com PMDB, assim como o PSDB poderá formar coligação com o PDT, indicando candidato a vice ou ao Senado.

- Sem a amarra da aliança nacional, a ala do PT que defende a coligação com Jackson Lago poderá fazê-la sem problemas, desde que o ex-prefeito declare apoio a Lula.

- Sem a aliança formal com o PT, o candidato do PSB perderá força na propaganda eleitoral, podendo perder espaço para o outro candidato governista, que sairá do PDT.

Cenário 3

O PMDB indica o candidato a vice na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva; PFL e PSDB oficializam a aliança nacional; PDT mantém candidato presidencial.

Repercussão no Maranhão:

- O PMDB terá que lançar chapa própria de candidatos ao governo e ao Senado, o que obrigará o PT a fazer o mesmo, uma vez que não poderão se coligar com nenhum outro grande partido.

- Sem poder se coligar com o PDT, o PSDB poderá formar coligação com o PSB – que não formou aliança nacional – ou manter-se na chapa pefelista. Nos dois casos, poderá indicar senador ou vice.

- É outra situação difícil para o PDT de Jackson Lago. A legenda ficará isolada de todos os seus aliados no estado, e terá insignificante tempo de propaganda eleitoral.

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